31.5.04
A Velhice IX
ESCADA SEM CORRIM�O

� uma escada em caracol
E que n�o tem corrim�o.
Vai a caminho do Sol
Mas nunca passa do ch�o.

Os degraus, quanto mais altos,
Mais estragados est�o,
Nem sustos nem sobressaltos
servem sequer de li��o.

Quem tem medo n�o a sobe
Quem tem sonhos tamb�m n�o.
H� quem chegue a deitar fora
O lastro do cora��o.

Sobe-se numa corrida.
Corre-se p'rigos em v�o.
Adivinhaste: � a vida
A escada sem corrim�o.

um lindissimo fado cantado pelo Caman� com letra do falecido David Mour�o-Ferreira e m�sica de Reinaldo Varela. a Poesia j� por si � musical... e por isso, de nada lhe serve as harmonias do canto ou da guitarra.
Mas no canto e no ber�o das melodias a Poesia desperta outros sentimentos...

A Velhice VIII
Longevidade: "� a maior de todas as doen�as"

Jorge Luis Borges

Menino Jesus
Num meio-dia de fim de Primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer � Terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do c�u.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
(...)

Um dia que Deus estava a dormir
E o Esp�rito Santo andava a voar,
Ele foi � caixa dos milagres e roubou tr�s.
Com o primeiro fez que ningu�m soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que h� no c�u e serve de modelo �s outras.

Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje vive na minha aldeia comigo.
� uma crian�a bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao bra�o direito,
Chapinha nas po�as de �gua,
Colhe flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos c�es.
E, porque sabe que elas n�o gostam
E que toda a gente acha gra�a,
Corre atr�s das raparigas
Que v�o em ranchos pelas estradas
Com bilhas �s cabe�as
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
Aponta-me todas as coisas que h� nas flores.
Mostra-me como as pedras s�o engra�adas
Quando a gente as tem na m�o
E olha devagar para elas
(...)

Damo-nos t�o bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com acordo �ntimo
Como a m�o direita e a esquerda

Ao anoitecer brincamos as cinco predinhas
No degrau da porta de casa
Graves como conv�m a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deix�-la cair no ch�o.

Depois eu conto-lhe hist�rias das coisas s� dos homens
E ele sorri, porque tudo � incr�vel.
Ri dos reis e dos que n�o s�o reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos com�rcios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta �quela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do Sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno at� ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E �s vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
P�e uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono
(...)

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a crian�a, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me hist�rias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E d�-me sonhos teus para eu brincar

(de Alberto Caeiro, retirado do cd "Rosa dos Ventos - o show encantado" onde Maria Beth�nia o recita excepcionalmente)

30.5.04
abrir aspas seguran�a fechar aspas
�Seguran�a?� encho-me de espanto. O que � isso? Uma coisa negativa, n�omorta, suspeita e suspeitadora; uma avareza e uma absten��o; a maldade submissa de uma retirada; uma complac�ncia numer�vel e uma cobardia inumer�vel. Quem estar� "seguro"? Todo e qualquer escravo. Nenhum esp�rito livre alguma vez sonhou com "seguran�a" - ou, se o fez, riu-se; e viveu para envergonhar o seu sonho. Nenhuma criatura humana inteira inocente pecaminosa dormindo acordando respirando alguma vez foi (ou poderia ter sido) comprada ou vendida em troca de "seguran�a". Como parece monstruoso e fraco qualquer n�omundo que preferisse um p�ssaro na m�o em vez de dois a voar.

e.e.cummings



(daqui)

Se at� d� gosto cantar, se toda a terra sorri

Olha o sol que vai nascendo
Anda ver o mar
Os meninos v�o correndo
Ver o sol chegar

Menino sem condi��o
Irm�o de todos os nus
Tira os olhos do ch�o
Vem ver a luz

Menino do mal trajar
Um novo dia l� vem
S� quem souber cantar
Vir� tamb�m

Negro bairro negro
Bairro negro
Onde n�o h� p�o
N�o h� sossego

Menino pobre o teu lar
Queira ou n�o queira o pap�o
H�-de um dia cantar
Esta can��o

Olha o sol que vai
nascendo
Anda ver o mar
Os meninos v�o correndo
Ver o sol chegar

Se at� d� gosto cantar
Se toda a terra sorri
Quem te n�o h�-de amar
Menino a ti

Se n�o � f�ria a raz�o
Se toda a gente quiser
Um dia h�s-de aprender
Haja o que houver

Negro bairro negro
Bairro negro
Onde n�o h� p�o
N�o h� sossego

(Menino do Bairro do Negro, Jos� Afonso)

29.5.04
Dei-te a liberdade de seres quem queiras
�N�o te dei, � Ad�o, nem rosto, nem um lugar que te seja pr�prio, nem qualquer dom particular, para que teu rosto, teu lugar e teus dons os desejes, os conquistes e sejas tu mesmo a possu�-los. Encerra a natureza outras esp�cies em leis por mim estabelecidas. Mas tu, que n�o conheces qualquer limite, s� merc� do teu arb�trio, em cujas m�os te coloquei, te defines a ti pr�prio. Coloquei-te no centro do mundo, para que melhor pudesses contemplar o que o mundo cont�m. N�o te fiz nem celeste nem terrestre, nem mortal nem imortal, para que tu, livremente, tal como um bom pintor ou h�bil escultor, d�s acabamento � forma que te � pr�pria.�

Pico de la Mirandola

diz-nos respeito a todos
"�tica � estarmos � altura do acontecimento, daquilo que nos acontece."
(Gilles Deleuze)

Ao almo�o e acerca de amores numa conversa entre pai e filho com m�e ausente.

28.5.04



A Lei de Little foi proposta nos anos 40. � simples: o n�mero m�dio de utilizadores num sistema estoc�stico de servi�o � igual ao produto da intensidade efectiva de chegadas pelo tempo m�dio de ocupa��o. Numa vers�o mais terra-a-terra: o comprimento m�dio de uma fila de espera � igual � taxa de chegadas vezes o tempo m�dio que cada um demora a ser atendido. Parece um resultado evidente, mas demorou nada mais nada menos que 40 anos a ser demonstrado! S� em 1980 uma prova matem�tica rigorosa foi apresentada (com v�rias dezenas de p�ginas).
Bem vindos � �poca de exames.

Rescaldo do Congresso do PSD
Diz-se que quando Deus criou o mundo, para que os homens prosperassem, concedeu-lhes duas virtudes:

Aos su��os, f�-los ordenados e cumpridores da Lei.
Aos ingleses, f�-los persistentes e estudiosos.
Aos japoneses, f�-los trabalhadores e pacientes.
Aos italianos, alegres e rom�nticos.
Aos franceses, f�-los cultos e refinados.
E, quando chegou aos portugueses..., voltou-Se para o anjo que tomava notas e disse:
Os portugueses v�o ser inteligentes, boas pessoas e v�o ser do PSD.
Quando acabou de criar o mundo, o anjo disse a Deus:
"Senhor, deste a todos os povos duas virtudes e aos portugueses tr�s. Isto far� com que prevale�am sobre todos os demais! � injusto"

Ent�o Deus reflectiu e disse: "� p�!... Tens raz�o..... bom, como as virtudes divinas n�o se podem tirar... que os portugueses a partir de agora possam ter qualquer das tr�s, mas que a mesma pessoa n�o possa ter mais do que duas virtudes de cada vez."

Assim seja que:
1. Portugu�s que seja do PSD e boa pessoa, n�o pode ser inteligente.
2. O que � inteligente e do PSD, n�o pode ser boa pessoa.
3. E o que � inteligente e boa pessoa, n�o pode ser do PSD.

Palavra de Deus!

Desabafo
J� come�ou a praia com o sol.
Come�a hoje o Rock in Rio com o Paul McCartney.
Vai come�ar o Euro 2004 com o Figo e o Super Bock Super Rock com os Pixies.
N�o consigo evitar dizer que apesar de tudo n�o estou contente!

Perguntam voc�s: "o que quer este gajo com isto?"
Respondo: "v�o come�ar as frequ�ncias com o estudo em casa"

Almod�var - La Mala Educaci�

"O cinema consegue transformar em espect�culo o pior da natureza humana. E a mim isso agrada-me muito: o pior" (Pedro Almodovar)

Falar dos filmes de Almod�var � dific�l: facilmente vir�o os meus preconceitos � baila, em guerra com a forma com que tento lidar com eles mas vir�o. Isso ser� ainda mais normal por ter visto o filme com outro rapaz amigo meu homof�bico e que desconhecia para o que ia. A homossexualidade ainda tem muito para caminhar at� poder ser encarada na sociedade portuguesa como parte integrante e n�o marginal. Sinto isso em mim.

Adorei "Habla con ella" e "Tudo sobre mi madre" e estava � espera de um filme pol�mico e cheio de sexualidade: com padres ped�filos e travestis; como Pedro Almod�var gosta.

A verdade � que encontrei um filme inc�modo cheio de sexo, onde se fala de sexo sem segredos e muito pouco de amor; com a grande piada do filme ser o jeito de contar que nos vai surpreendendo ("uma s�rie de bonecas russas" - diz o autor) e uma banda sonora bastante agrad�vel. Um filme entre homens, as mulheres n�o entram naquele mundo. Um filme duro, cru e com paix�es fren�ticas mas demasiado duro, cru e fren�tico: e nesse "demasiado" torna-se artificial esse cru.

Em "Habla con ella" e "Tudo sobre mi madre" os personagens tornam-se-nos simp�ticos, �-nos f�cil lidar com eles, compreend�-los... em "La mala educaci�n" tornam-se grotescos, escuros (film noir, como dizem os cin�filos) e desconfort�veis no que s�o: tanto que o mostram explicitamente como forma de lidar com os "preconceitos" que t�m ou v�em na imagem ao espelho que a sociedade lhes d� deles.

De qualquer maneira, um homossexual n�o tem que pedir autoriza��o a uma sociedade heterossexualizada para existir, nem desculpa se chocou algu�m, pois n�o?

27.5.04
Aten��o!!
A BAB, associa��o nacional de Bibliotec�rios,Arquivistas e Documentalistas diz:

"A Comiss�o Europeia, a 16 de Janeiro de 2004, decidiu pedir a formalmente informa��es a Espanha, Fran�a, It�lia, Irlanda, Luxemburgo e Portugal no que se refere � aplica��o a n�vel nacional do direito de comodato p�blico harmonizado nos termos da Directiva 92/100/CEE relativa ao direito de aluguer, ao direito de comodato e a certos direitos conexos aos direitos de autor em mat�ria de propriedade intelectual.

Isto significa que h� o risco de ser institu�da uma taxa sobre o empr�stimo de livros e outros documentos nas bibliotecas portuguesas, sejam elas p�blicas, escolares, universit�rias ou outras."



� uma vergonha que num pa�s em que a iliteracia tem letras bem gordas se pense em pedir dinheiro para ter acesso aos livros e documentos das bibliotecas! Ainda que fossemos todos muito letrados e muito ricos seria uma vergonha!

O apelo � assinatura da Peti��o promovida pela BAD est� pelas paredes das Bibliotecas Universit�rias!

26.5.04
O sistema

Porto Campe�o Europeu 1987... mais uma!

3-0 l� no Gelsenkirchen. Campe�o Europeu: FC Porto

E agora quem � que cala estes gajos? Fiquei contente com a vit�ria mas o meu benfiquismo est� a voltar ao de cima: "Ok ainda bem que ganharam, muitos parab�ns, mas agora j� chega. H� coisas mais importantes que o futebol!"

Boa Sorte!

J� h� cerveja a refrescar no frigorif�co, h� amendoins e pistachios. Quem quiser vir festejar, apare�a: hoje estou pelo Mourinho.

the world says no to Bush II
J� n�o sei onde ouvi isto, algu�m dizia que ap�s o 11 de Setembro nos t�nhamos tornado todos americanos e que ap�s a invas�o e seguimentos no Iraque todos volt�mos ao anti-imperialismo Americano pr� 11 de Setembro. Isto tudo porque o sr. Bush ainda n�o ultrapassou a fase dos cowboys contra os ind�os no Faroeste.

At� por isso vejo na vencida da Palma de Ouro por "Fahrenheit 9/11" em Cannes um pr�mio bem atribu�do, � que o cinema � arte mas tamb�m pode/deve ser interven��o pol�tica. Michael Moore fez cinema de interven��o e interviu civicamente ao mais alto n�vel: se foi por isto que o Tarantino decidiu parece-me uma �ptima escolha.

Sinto-me cada vez mais um anti-americano prim�rio e tenho tentado contrariar isto, mas n�o bebo coca-cola!

Gestos Simples
.
Steve McCurry - Varanasi, India, 1996


Gestos simples.
Receber em casa pessoas de que gostamos. Os gestos transmitem-se por entre as gera��es. Sem darmos por isso, como aprender a andar ou a falar. Cada casa constr�i-se nos seus rituais. H� a pessoa que acorda mais cedo, a mulher e talvez venha a ser sempre ela. A casa em sil�ncio mas a colher pau j� envolve sabores. Cheiros que se esgueiram pelas frinchas das portas acordando quem ainda pregui�a na cama. Cada um sabe o que fazer. Tiram-se das malas as toalhas mais bonitas. A mesa p�e-se com cuidado. Colocam-se flores pela casa. Arranja-se o jardim. P�ra-se com olhares atentos para que tudo esteja bem. Gestos de aten��o.

Para os que est�o pr�ximos da terra, das plantas que crescem, dos bichos que se passeiam no ch�o e dos p�ssaros que roubam as sementes dos campos, tamb�m h� rituais. A pessoa que acorda cedo. Suspiro contente por o dia estar ainda a come�ar. Enruga-se a testa do que h� para fazer, define-se a ordem das coisas. N�o se rega antes do fim do dia, as �rvores podam-se de manh�...
Rituais. Cada casa constr�i-se nos seus.

25.5.04
the world says no to Bush
No dia 29 de Agosto, em Nova Iorque, o Partido Republicano re�ne-se em conven��o, para aclamar o seu man, em plena abertura de campanha para as presidenciais. Paralelamente est� a espalhar-se a palavra para a organiza��o de diversas ac��es de protesto contra um dos pol�ticos mais mal�ficos dos nossos tempos. A iniciativa partiu de dentro dos pr�prios EUA, deste "bando de anti-americanistas prim�rios". Ponham na agenda: dia 29 de Agosto o mundo diz n�o a Bush. Esperemos que no dia 2 de Novembro os americanos fa�am o mesmo.


(imagem daqui)


porque estais a olhar para o c�u?
No passado domingo a liturgia cat�lica celebrou o dia da Ascen��o de Jesus aos C�us. Para quem j� est� a imaginar um cen�rio surrealista com um Jesus-planador fantasticamente voando, desengane-se. Os disc�pulos, j� depois de Jesus ter desaparecido, continuam a olhar para o c�u. E s�o as pr�prias leituras que, cruelmente, acabam com o del�rio dos ap�stolos: surgem "dois homens vestidos de branco" que perguntam: "Homens da Galileia, porque estais a olhar para o c�u?". N�o � para o c�u que os crist�os se devem voltar para contemplar Deus.

Uma boa surpresa
Ontem por volta das 19h, depois da (re)descoberta da vista espectacular que temos do alto do Parque Eduardo VII para o Marqu�s (de Pombal), o Castelo (de S�o Jorge) e o Rio (Tejo) fui direito ao Saldanha Residence para o filme.

Ia cheio de imagens imaginadas de conselhos amigos daqueles que normalmente n�o se enganam, mas algo desconfiado. "Tens que ir ver", diziam eles.

E l� fui eu: entrego o bilhete � entrada na sala 7, a menina leva-me ao assento, desligam-se as luzes, apresenta��es doutros filmes... e come�a logo a surpresa.

N�o fazia a min�ma ideia ao que ia! O filme � brilhante com uma hist�ria banal�ssima mas que n�o nos deixa despegar do ecr� o tempo inteiro. Tem imenso humor em brincadeiras com os gestos quotidianos e pesadelos caninos (o c�o est� perfeito!), com desenhos muito engra�ados em que a personagem principal � a Av� portuguesa Souza (com o tique de ajeitar os �culos), com um neto como caricatura aos ciclistas genial, com provoca��es aos filmes actuais (lembram-se da persegui��o!?) e com... "uma casa portuguesa" cantado ao desafino. A banda sonora � excelente.

Sa� de l� ainda a remoer o filme, � daqueles que temos que voltar a ver s� para ir apreciando pormenores. Surpreendam-se tamb�m que vale a pena: Belleville Rendez-vous

24.5.04
TGB
Recentemente saiu este CD desta nova forma��o jazz nacional que est� a ter muito reconhecimento no meio. O que me deixa muito contente, pois quando s�o amigos, os intervenientes, a satisfa��o ultrapassa o simples prazer de escutar "bom som".

"TGB" � o nome de um trio que surgiu por indu��o de Alexandre Fraz�o, como aposta numa forma��o inusual em termos instrumentais, quer pelo tipo da combina��o dos mesmos quer pelo lugar m�vel que estes ocupam na pir�mide t�mbrica.
O som TGB move-se num terreno pr�ximo de forma��es cl�ssicas inusitadas como: Jimmy Giuffre Trio (clarinete, guitarra, trombone), Paul Motian Trio (saxofone, guitarra, bateria), John Zorn "News from Lulu" (saxofone, guitarra, trombone) Tiny Bell Trio (trompete, guitarra, bateria).
O report�rio viaja pelo pr�prio "sketch book" dos t�s m�sicos, bem como por compositores pragm�ticos ou Picassianos (Monk, Dolphy, Powel) cujo relevo mel�dico r�tmico � t�o abrangente, que permite as mais audaciosas invers�es instrumentais.
Assim este tri�ngulo vari�vel explode na Tuba irrequieta de S�rgio Carolino, nos ritmos de Alexandre Fraz�o e rebate nas cordas de M�rio Delgado.

Muitos parab�ns S�rgio por este teu novo projecto.

22.5.04
a festa cigana
Nesse dia nenhum deles apareceu na escola. Ela estranhou. Como eram muitos a sala parecia muito mais vazia e inabitada. Todos tinham uma coisa em comum: eram ciganos. Todos os meninos ciganos, de repente, faltaram � escola. Resolveu ir ao acampamento ver o que se passava.
"� senhora professora, n�o se preocupe! N�o foi nada. Amanh� voltam todos. S� que hoje t�nhamos que festejar." Festejar? Alguma ocasi�o especial de grande import�ncia... "Sabe o que foi - o Jo�o Carlos ia de mota e ia tendo um acidente que ia desta para melhor. Mas safou-se e por isso fizemos festa o dia inteiro."
O Jo�o Carlos ia tendo um acidente. Mas n�o teve. Fa�a-se festa, pois claro!

Parab�ns Michael
"Fahrenheit 9/11" vence a Palma de Ouro de Cannes
O document�rio "Fahrenheit 9/11", do controverso realizador norte-americano Michael Moore, foi premiado com a Palma de Ouro do festival de cinema de Cannes."
P�blico

�-nos preciso olhar

Por tr�s da sujeira
Que se estende diante de n�s
Por tr�s dos olhos enrugados
E dos rostos moles
Para al�m destas m�os
Abertas ou fechadas
Que se estendem em v�o
Ou que s�o punhos erguidos
Mais longe do que as fronteiras
Que s�o arames farpados
Mais longe do que a mis�ria
�-nos preciso olhar

�-nos preciso olhar
O que h� de belo
O c�u cinzento ou azulado
As raparigas � beira da �gua
O amigo que sabemos fiel
O sol de amanh�
O voo de uma andorinha
O barco que volta
O amigo que sabemos fiel
O sol de amanh�
O voo de uma andorinha
O barco que volta

Para al�m do concerto
Dos solu�os e dos choros
E dos gritos de c�lera
Dos homens que t�m medo
Para al�m da algazarra
Das ruas e dos estaleiros
Das sirenes de alarme
Das pragas do carroceiro
Mais forte que as crian�as
Que contam as guerras
E mais forte que os grandes
Que nos fizeram faz�-las

�-nos preciso escutar
O p�ssaro no fundo dos bosques
O murm�rio do ver�o
O sangue que se eleva em n�s
As can��es de embalar das m�es
As ora��es das crian�as
E o barulho da terra
Que adormece docemente
As can��es de embalar das m�es
As ora��es das crian�as
E o barulho da terra
Que adormece docemente



Jacques Brel (Il nous faut regarder, 1955)

21.5.04
Glamour contra as adversidades

Frida Kahlo

Humor contra as adversidades

Los Lunes al sol

Amor contra as adversidades

A vida � Bela

20.5.04
um par de sapatos levantando o p�

Dois sapatos. Um impec�velmente novo, com a pele nova, quase intocado. O outro era velho, estragado, vincado de muitos quil�metros percorridos. Olhei de novo e sim, eram da mesma pessoa. Olhei mais para cima, percorrendo o seu corpo de baixo para cima at� chegar � cara. Percebi. Era uma das personagens mais omnipresentes nesta cidade, que conhe�o desde pequena e que encontro em todo o lado. Umas vezes parece passear, outras vende santinhos em papel, �s vezes pede dinheiro. � um homem velho que sem uma perna, sim, o sapato novo � suportado por uma perna de metal, corre (corre mesmo!) a cidade de fio a pavio. Como as nossas coisas que n�o usamos, como as nossas qualidades que n�o exercitamos ou a que decidimos n�o ligar aquele sapato est� novo. Pronto para quem o queira usar. Como os ouvidos da minha av�, habituados ao sil�ncio de viver acompanhada toda a vida com um homem com quem o entendimento j� ia al�m das palavras, desabituou-se de ouvir.

� Val�ria e ao Andr�
Pelo misterioso dom de desejar um filho.
Que seja um b�b� criador de futuros cheios.


Espalhem a not�cia
do mist�rio da del�cia
desse ventre
Espalhem a not�cia
do que � quente e se parece
com o que � firme e com o que � vago
esse ventre que eu afago
que eu bebia de um s� trago
se pudesse

Divulguem o encanto
o ventre de que canto
que hoje toco
a pele onde � tardinha desemboco
t�o cansado
esse ventre vagabundo
que foi rente e foi fecundo
que eu bebia at� ao fundo
saciado

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

A terra tremeu ontem
n�o mais do que anteontem
pressenti-o
O ventre de que falo como um rio
transbordou
e o tremor que anunciava
era fogo e era lava
era a terra que abalava
no que sou

Depois de entre os escombros
ergueram-se dois ombros
num murm�rio
e o sol, como � costume, foi um aug�rio
de bonan�a
s�os e salvos, felizmente
e como o riso vem ao ventre
assim veio de repente
uma crian�a

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo de mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher

Falei-vos desse ventre
quem quiser que acrescente
da sua lavra
que a bom entendedor meia palavra
basta, � s�
adivinhar o que h� mais
os segredos dos locais
que no fundo s�o iguais
em todos n�s

Eu fui ao fim do mundo
eu vou ao fundo do mim
vou ao fundo do mar
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher
vou ao fundo do mar
no corpo de uma mulher


(S�rgio Godinho, Espalhem a not�cia)

um timing maravilhoso
Este ano a �poca balnear come�ou mais cedo (princ�pio deste m�s) por causa do Euro 2004 e do Rock in Rio. Com o calor que tem feito, o c�u limpo (apesar dos mais antigos falarem de Maio como m�s em que h� sempre trovoada) e o mar em bandeira verde a Praia Grande (Colares, Sintra) estava hoje cheia de gente.

Nos �ltimos dois invernos a for�a do mar deu cabo de todo o "cal�ad�o" marginal. O arranjo daquela zona faz obviamente falta para que as pessoas possam circular � vontade sem medo dos carros, sem perigo, com esplanadas mais junto � praia.
(se os argumentos anteriores n�o sensibilizarem toda a gente, e para os adeptos da constru��o dos 10 est�dios para o Euro 2004 fica o argumento de que o arranjo torna a zona com certeza mais bonita e cativante ao desenvolvimento comercial e tur�stico).

Os respons�veis (c�mara municipal/junta de freguesia!?) por arranjar aquele estrago da for�a do mar, tiveram pelo menos 7 meses (contados por alto) para arranjar o dito cujo mas resolveram come�ar a arranj�-lo exactamente... no in�cio da �poca balnear!

Resultado final: a praia hoje poderia estar perfeita se n�o fosse o barulho dos catrapilas...

19.5.04
quem se Queima?
� Emanuel Gra�a quem pergunta, no editorial da Cabra, jornal universit�rio de Coimbra. Fazendo o balan�o da festa estudantil p�e o dedo na ferida, criticando os pre�os elevados do evento: "Nos dias que correm, infelizmente para os estudantes, estes t�m antes que ser s�rios, para depois o parecerem perante a opini�o p�blica. Ora quando s�o os pr�prios alunos a tomar a iniciativa de cobrar pre�os altos aos seus colegas, como pode a comunidade estudantil reivindicar mais ac��o social?!".
S� se engana numa coisa: "infelizmente para os estudantes" porqu�? A seriedade traz-nos infelicidade?

a assinatura da Concordata
O Estado Portugu�s assinou ontem novo tratado com o Vaticano, enquadrando as suas rela��es com a Igreja Cat�lica. A an�lise de Ant�nio Marujo no "P�blico" � certeira. N�o cito, para n�o citar de mais. Cito sim um outro trecho, das "Mem�rias de um crente", de Abb� Pierre:

�Quando o Papa Jo�o XXIII tomou a decis�o de convocar o Conc�lio Vaticano II, disse a um amigo meu, jovem bispo:
"Fique muito atento, vamos assistir ao encerramento da era constantiniana."�


Para nos irmos lembrando do Conc�lio e do que dele ainda est� por fazer.

18.5.04
Da Teresa
Homens que s�o como lugares mal situados
Homens que s�o como casas saqueadas
Que s�o como s�tios fora dos mapas
Como pedras fora do ch�o
Como crian�as �rf�s
Homens agitados sem b�ssola onde repousem

Homens que s�o como fronteiras invadidas
Que s�o como caminhos barricados
Homens que querem passar pelos atalhos sufocados
Homens sulfatados por todos os destinos
Desempregados das suas vidas

Homens que s�o como a nega��o das estrat�gias
Que s�o como os esconderijos dos contrabadistas
Homens encarcerados abrindo-se com facas

Homens que s�o como danos irrepar�veis
Homens que s�o sobreviventes vivos
Homens que s�o s�tios desviados
Do lugar

Homens que s�o como projectos de casas
Em suas varandas, inclinadas para o mundo
Homens nas varandas voltadas para a velhice
Muito danificados pelas intemp�ries
Homens cheios de vasilhas esperando a chuva
Parados � espera
De um companheiro poss�vel para o di�logo interior

Homens muito voltados para um modo de ver
Um olhar fixo como quem vem caminhando ao encontro
De si mesmo
Homens t�o impreparados t�o desprevenidos
Para se receber

Homens � chuva com as m�os nos olhos
Imaginando rel�mpagos
Homens abrindo lume
Para enxugar o rosto para fechar os olhos
T�o impreparados t�o desprevenidos
T�o confusos � espera de um sistema solar
Onde seja poss�vel uma sombra maior

Homens que trabalham sob a l�mpada
Da morte
Que escavam nessa luz para ver quem ilumina
A fonte dos seus dias

Homens muito dobrados pelo pensamento
Que v�m devagar como quem corre
As persianas
Para ver no escuro a primeira nascente

Homens que escavam dia ap�s dia o pensamento
Que trabalham na sombra da copa cerebral
Que podam a pedra da loucura quando esmagam as pupilas
Homens todos brancos que abrem a cabe�a
� procura dessa pedra definida

Homens de cabe�a aberta exposta ao pensamento
Livre. Que v�m devagar abrir
Um lugar onde amanhe�a.
Homens que se sentam para ver uma manh�
Que escavam um lugar
Para a sa�da

N�o levantemos os homens que se sentam � sa�da
Porque se movem em seus carreiros interiores
Equilibram com dificuldade uma ideia
Qualquer coisa muito n�tida, semelhante
A uma folha vazia
E p�em ninhos nas �rvores para se libertarem
Da gaiola terr�vel, invis�vel muitas vezes
De t�o dura
N�o nos aproximemos dos homens que p�em as m�os nas grades
Que encostam a cabe�a aos ferros
Sem outras m�os onde agarrar as m�os
Sem outra cabe�a onde encostar o cora��o
N�o lhes toquemos sen�o com materiais secretos
Do amor.
N�o lhes pe�amos para entrar
Porque a sua for�a � para fora e a sua espera
� a f� inabal�vel no mist�rio que inclina
Os homens para dentro
N�o os levantemos
Nem nos sentemos ao lado deles. Sentemo-nos
No lado oposto, onde eles podem vir para erquer-nos
A qualquer instante


(Homens que s�o como lugares mal situados, Daniel Faria in Poesia, 2003)

Vasquinho o escritor...
"O poeta e escritor Vasco Gra�a Moura vai receber no pr�ximo dia 6 de Junho o Pr�mio Internacional Diego Valeri, que desde 1971 distingue tradu��es de obras de Petrarca, pela tradu��o das "Rimas" do poeta transalpino, disse fonte editorial."
P�blico

Pelos vistos ao mo�o, talento n�o lhe falta. E eu contente por isso! Ou n�o fosse o Vasquinho, portugu�s. E pr�mios como este que venham todos para o nosso cantinho de Cam�es. At� aqui tudo bem! O pr�mio concerteza � merecido.
Mas para escrever um insignificante post como este, eu preciso de tempo. Pouco, mas preciso. Tempo esse que tenho de roubar ao sono ou n�o o estivesse a escrever �s tantas da matina.
Mas o Vasquinho � mo�o de tempo. Mas de muito tempo mesmo! � que o rapaz ganhou o pr�mio merecidamente, mas vai para seis anos (seis, eu disse seis!) que anda a tentar. Com mais de 40 obras (nem todas tradu��es, v� l�!) publicadas numa espectacular m�dia de 7 obras por ano. O que d� um livro de 2 em 2 meses. Se pensarmos que certos livros tem cerca de 500 p�ginas em tradu��o, temos em m�dia 8 p�ginas por dia. Isto � obra! Quase parece um Figo com uma m�dia de 4 golos por jogo.
Mas tudo isto podia ser apenas contas de um invejoso, que repetidamente no seu inconsciente diz a frase do macaco, da maquina das bolas com brinde - "Quero ser como tu!"
Assim fosse e eu n�o iria para a cama chateado.
Para os mais desatentos, o nosso Vasquinho vai para seis anos (sim, seis) que foi eleito pelo nosso povinho para o Parlamento Europeu.
Vasquinho, um bem haja pelo teu esfor�o (acredito que deva ter sido muito) para encontrares no teu dia-a-dia tempo para conseguires encaixar as tuas 8 paginas di�rias na tua repleta agenda parlamentar europeia.

"N�o sei onde vou estar amanh�
Fran�oise Schein � arquitecta (a esta��o do metro do Parque Eduardo VII foi desenhada por ela) e artista pl�stica francesa. Foi a convidada de hoje do programa Por Outro Lado de Ana Sousa Dias. Fala um portugu�s abrasileirado franc�s e diz coisas como "� o ser humano perfeito: um ter�o branca, um ter�o negra e um ter�o ind�a... uma mistura de outros seres", quando fala sobre sua filha Lorrana. Filha nascida no Brasil, numa favela e que ela adoptou aos 7 anos.
Fran�oise diz que a sua fam�lia � uma outra forma de ser fam�lia, de estabelecer/criar rela��o de fam�lia e apelida de "gesto b�blico" o acto da "m�e da minha filha" (a m�e biol�gica) de lhe dar Lorrana para filha. "Dou-lhe em troca a minha amizade pelo resto da vida".

ps: vai haver uma exposi��o desta senhora, em "escultura de fotografias" como ela lhe chama em Colares e em Julho

17.5.04
A Cidade e os Outros... III
Os Madredeus lan�am hoje o seu mais recente album - Um Amor Infinito - de todos os que conhe�o este � sem d�vida aquele em que o g�nio de Pedro Ayres Magalh�es se revela na sua plenitude.
Um bem haja pelos vossos 19 anos de dedica��o � nossa hist�ria, �s nossas viv�ncias,�s nossas cidades, �s nossas tradi��es, aos nossos recortes de ba�...
H� muito que n�o via, t�o bem retratada a "minha Lisboa"


Moro em Lisboa

Que outra cidade, levantada sobre o mar
� beira rio, acabou por se elevar
entre dois bra�os de �gua
um de sal, outro de nada
�gua doce, �gua salgada
�guas que abra�am Lisboa

� em Lisboa, que o Tejo chega ao mar
� em Lisboa que o mar azul recebe o rio
e essa brisa que nos faz
promessas de viagem
brisa fresca que reclama
as nossa almas ausentes

Suave
cidade
do sal
do mar
Moro em Lisboa
e a tarde cai

Madredeus
Letra e M�sica do
Pedro Ayres Magalh�es

Vale a pena subir ao castelo e olhar Lisboa de bem alto.


Levanta-te e Ri (Parte I)
"Constatou-se que a informa��o era inexacta e falsa e, em certos casos, transmitida deliberadamente."
"Infelizmente estas informa��es revelaram-se, com o tempo, inexactas"
Palavras de Colin Powell � NBC


Mas ele disse mesmo isto! Eu n�o estou em mim...
Ainda vai acabar por dizer que a culpa foi dos iraquianos que n�o lhe mostraram as armas, que por sinal, n�o tinham em sua posse. Provocaram-no, pois t� claro!

A (Parte II) vai ser quando o Dur�o se explicar ao Povinho!

Festival de Cinema de Cannes, 2004


imagem da primeira realiza��o do Festival em 1946


Almodovar, irm�os Cohen, Godard, Michael Moore (lembram-se de Bowling for Columbine?) Jo�o Canijo (o portugu�s!!!), Kusturika, Tarantino, Wong Kar-wai e... um Shrek 2! H� ainda um filme sobre Che Guevara ainda jovem por um brasileiro de seu nome Waltter Salles. De 12 a 23 em Maio em Cannes, Fran�a. Mas, j� estou ansioso por que comecem c� a chegar os filmes!

16.5.04
O meu Benfica ganhou a Ta�a!


O Porto at� pode ser melhor equipa, foi provando isso ao longo do ano, um treinador cobi�ado por toda a Europa e um leque de jogadores quase todos titulares na selec��o. Mas hoje o Benfica ganhou a ta�a e mereceu.

Passo a explicar porqu�: porque a claque benfiquista tinha um cartaz escrito em que desejava Boa Sorte ao Porto para a final da Liga dos Campe�es (gesto t�o pouco comum nas rivalidades do futebol); porque a equipa do Benfica queria dedicar a vit�ria ao F�her e f�-lo de forma bonita com uma fotografia gigante colocada no centro do relvado; porque o Jorge Costa � um verdadeiro hooligan do futebol (que muitas vezes merece e raramente leva o cart�o vermelho que hoje levou) e a arrog�ncia de Jos� Mourinho j� h� algum tempo que merece uns tabefes no rabinho.

Viva o Benfica!!!

ps: pode ser que assim o Camacho fique por c� mais algum tempo...

14.5.04
A Cidade e os Outros... II
Acabei comigo a almo�ar em Alfama... tinha que l� ir trabalhar! Coisas do oficio de artista. Acabei refastelado com o famoso cozido � Portuguesa do senhor Z�. Acampanhado por tintol e com uma musica a pedido...

Agora,
que lembro,
As horas ao longo do tempo;

Desejo,
Voltar,
Voltar a ti,
desejo-te encontrar;

Esquecida,
em cada dia que passa,
nunca mais revi a gra�a
dos teus olhos
que eu amei.

M� sorte,
foi amor que n�o retive,
e se calhar distrai-me...
- Qualquer coisa que encontrei.


Madredeus: Alfama


Acabei no arroz doce a pensar em mais um canto da "minha cidade"...

O espa�o que suporta Alfama � bastante declivoso, as ruas estreitas, que se alongam e reduzem sem haver coordena��o ou liga��o, a imagem que fica na passagem n�o deixa antever a imagem que se espera, um largo surge do nada, a rua come�a a alongar e a seguir termina, � um beco que permite chegar a casa mas n�o d� passagem. As ruas adaptam-se � topografia e as casas adaptam-se entre si, n�o dando a ideia de qual a primeira a ser edificada, os andares posteriores � constru��o inicial v�em-se e notam-se no desenvolvimento do espa�o, ora sa�dos das fachadas ora recolhidos. A muralha do D. Fernando ergue-se l� do alto e encosta-se aos telhados que com o tempo foram aproveitando o encosto. O Chafariz de Dentro divide Alfama ao meio, a freguesia de S.Est�v�o para um lado e a de s�o Miguel para o outro. A rivalidade esquece-se nas marchas e no conv�vio do largo, observado pelo museu do Fado. Os eixos principais s�o estreitos e as ruas, na sua maioria n�o permitem a circula��o autom�vel sendo em algumas dif�cil de efectuar o cruzamento de pessoas. A orienta��o em Alfama n�o � um factor f�cil de conseguir, as ruas cruzam-se, as fachadas assemelham-se, h� coer�ncia e as fronteiras entre rua e privado s�o dif�ceis de distinguir. A falta de espa�o interno remete para a rua actividades que na sociedade urbana ocidental actual est�o remetidas para o interior das nossas casas. As pessoas vivem a rua como se da sua sala se tratasse. Acarinham os turistas como se fam�lia fossem.

Alfama � assim, uma aldeia dentro da cidade!

13.5.04
A Cidade e os Outros... I
Os post�s do Z� Maria acerca de Londres, fizeram com que eu estes dias tenha saboreado a "minha" Lisboa com outros Olhos.
Aqueles que olham a Pintura de pernas para o ar...

Passei por um dos cantos da velha Lisboa, por um dos que nos aconchega! N�o por ser acolhedor, mas por na diversidade representar a vida, o fervilhar do movimento, a respira��o das ruas, os olhares desatentos.
Triste Feia � um daqueles "sitios" em Alc�ntara... para mim "lugares" (explico noutra altura) em que a topon�mia das ruas lhe foi fiel na crueza da realidade. Pois o seu caracter adormecido � para n�s uma realidade desconhecida. Percori aquela, rua... ou melhor aquele beco, ou talvez largo, n�o sei! Era um canto de Lisboa que me fez lembrar o poema do Jos� Cardoso Pires.
�Lisboa a nossos p�s. Deixamos o Tejo, deixamos o cen�rio das sete colinas, passeamos por ela a c�u aberto � cidade azul de Vieira da Silva, cidade branca segundo Tanner, cidade ocre, pombalina � e, quando olhamos o ch�o vemo-lo ilustrado a pedra-esmalte...�

Triste Feia vive de tatuagens, de recortes, de manchas de borracha, das cicatrizes do tempo e da transpira��o do metropolismo Lisboeta. O tempo e a hist�ria na sua correla��o s�o denominadores comuns dos elementos caracterizadores da Triste Feia. A Esta��o Ferrovi�ria, a passagem pedonal a�rea, a estrada para o �Casal dos Ventos�, a Igreja que se revela por de tr�s do casario, a guarita que se eleva timidamente entre telhados, linhas de caminho de ferro, o asfalto, a pedra da cal�ada nos passeios, as �rvores que nos limitam da esta��o em conjunto com o gradeamento encarnado, toldos publicit�rios, restaurantes, a rua em paralelos a subir, os len��is brancos ao sol e carros... muitos carros, de frente, encostados, alinhados, amolgados sobre o passeio, em fila, ordenados e desordenados como se mandassem no seu territ�rio. Embebida na cidade por tais retalhos e apontamentos de cidade. Assim se funde no territ�rio e se camufla dos observadores mais atentos. � espa�o de cidade fragmentado e residual que se premeia de t�o ins�lito e constrangedor para mim enquanto observador sem rumo.

a 13 de de Maio
A 13 de Maio podia falar aqui da forma como encaro o fen�meno de F�tima. Mas n�o vale a pena repetir o que j� foi escrito. Leia-se o post de ontem do Guia dos Perplexos. Ou o do Manuel.

A 13 de Maio vale mais lembrar o que se disse pelos idos do Santu�rio. Conta-nos a Ag�ncia Ecclesia:

�Uma humanidade �mergulhada numa crise espiritual e cultural� foi hoje criticada em F�tima pelo Cardeal Renato Martino, respons�vel da Santa S� para as quest�es de Justi�a e Paz, durante a homilia da celebra��o eucar�stica do 13 de Maio.
�Hoje descobrimos um mundo que perdeu os valores do amor e da solidariedade, que se apresenta com as m�os fechadas, sujas, ensanguentadas�, disse.
O ego�smo, a injusti�a, a viol�ncia e a guerra foram os principais problemas do mundo moderno apontados pelo Cardeal, que apelou � cria��o de uma �teia de solidariedade que d� sentido e valor �s nossas rela��es sociais e pol�ticas�.
O respons�vel cat�lico insistiu nos problemas da paz, �tantas vezes amea�ada pelo pesadelo das guerras catastr�ficas�.�


Podia ter falado de F�tima. Podia ter falado do sentido da peregrina��o. Podia ter falado sobre milagres. Podia ter abstractamente falado sobre f�. Em vez disso falou de coisas bem mais terrenas. Falou de pol�tica. Falou de pobreza, de desenvolvimento, de crise ecol�gica, de Direitos Humanos, de marginaliza��o e discrimina��o social. Exortou os crist�os a tornarem-se �testemunhas da esperan�a para os nossos irm�os� e vincou que �Deus est� presente nos famintos, nos doentes, nos oprimidos, nos marginalizados�, que Deus est� do lado dos exclu�dos. Assim se falou de f�, hoje, dia 13 de Maio, em F�tima.

Mais uma "Terra da Alegria"
� a terceira edi��o deste blog coletivo semanal. A Terra da Alegria merece definitivamente ser lida. Deixo alguns recortes.

Depois de um peda�o de hist�ria da Igreja em Portugal no s�culo XX, Jos� fala do tempo presente:
"j� hoje e a partir de hoje, ser Igreja e ser cat�lico nesta sociedade portuguesa � e ser� algo de radicalmente diferente do que foi no passado. (...) muitos cat�licos leigos j� sentem isto diariamente mas a Igreja, essa, enquanto institui��o, n�o estou seguro que tenha percebido plenamente a nossa nova condi��o minorit�ria."
Para a semana promete explicar porque � que "a seculariza��o do estado e sociedade dever� trazer-nos a espiritualiza��o da Igreja".

Um pouco mais abaixo, depois de um texto do Miguel Marujo recuperando uma interven��o no 30� anivers�rio da �Vig�lia pela Paz� na Capela do Rato, um texto de Carlos Cunha sobre objec��o de consci�ncia. Lembra a catequese dos primeiros crist�os (�se um catec�meno ou um fiel se quer fazer soldado, que seja exclu�do, porque quis desprezar a Deus�, Hip�lito de Roma, s�c. III) e os ensinamentos do Conc�lio e termina com esse trecho monumental da �ltima homilia de Monsenhor �scar Romero:
�Perante uma ordem de matar que venha de um homem deve prevalecer a lei de Deus que diz N�O MATAR�S. Nenhum soldado � obrigado a obedecer a uma ordem contra a lei de Deus (...) Uma lei imoral n�o obriga ningu�m a cumpri-la. J� � tempo de recuperarem a consci�ncia e de obedecerem antes � sua pr�pria consci�ncia do que � ordem do pecado�

12.5.04
A bestializa��
Apenas vi um flash da entrevista � soldado americana que mais aparece nas fotografias da pris�o de Abu Ghraib. Felizmente vi s� um flash. Mais um minuto e vomitava.
N�o me chocaram s� as barbaridades que disse. Chocou-me a frieza com que falava. A serenidade com que respondia "sim" � pergunta "aconteceu algo pior do que o que vimos naquelas fotografias?". Chocou-me a consci�ncia tranquila depois dos sorrisos que mostra no meio daquelas cenas aberrantemente avassaladoras. Pareceu-me um daqueles programas em que se entrevistam psicopatas. S� que n�o era um psicopata. Era uma militar profissional que provavelmente passou por muito testes psicot�cnicos.
N�o me venham pregar as virtudes dos ex�rcitos. Uma institui��o donde sai algu�m assim n�o pode ser parte de nenhum povo civilizado. O mal n�o � pontual nem americano. A guerra nunca ser� construtora de paz. Ser� sempre uma f�brica de monstros e de traumatizados.
Temos ainda muito a crescer at� perceber isso. Como dizia algu�m, "enquanto os guerreiros forem modelo dos nossos her�is, � a sociedade no seu todo que se revela imatura."

um balan�ar
.

o fot�grafo: Elliott Erwitt

Ela vinha muito contente. Num passo que balan�ava. A barriga � frente j� acusava que n�o sendo apenas uma, pelo menos duas seriam. As mulheres ainda n�o t�m reconhecidos todos os seus direitos. Outras n�o d�o muito valor aos que j� foram conquistados por muitas d�cadas numa hist�ria de conquistas ainda recentes. Mas as mulheres continuam l�. Como muitas outras aquela estudou, trabalha, est� envolvida numa s�rie de associa��es. N�o � um homem nem o deseja ser. � uma mulher que se faz em cada dia e que, como outras, traz na barriga algu�m que trar� esperan�a ao mundo.

O Sonho
Pelo Sonho � que vamos,
Comovidos e mudos.
Chegamos? N�o chegamos?
Haja ou n�o haja frutos,
pelo Sonho � que vamos.

Basta a f� no que temos.
Basta a esperan�a naquilo
que talvez n�o teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria
ao que desconhecemos
e ao que � do dia-a-dia.

Chegamos? N�o Chegamos?

-Partimos. Vamos. Somos.


Sebasti�o da Gama

Este poema foi enviado pelas quatro filhas num cart�o de agradecimento pelo apoio e acompanhamento no momento da morte do pai. � grande quem acredita assim na hora da morte no sonho da vida... numa altura em que o terrorismo � feito do Ocidente ao Oriente � bom ter estes exemplos!!!

Parabens Dal�...
"Aqueles que n�o querem imitar coisa nenhuma, produzem coisa nenhuma."

Salvador Dal�

11.5.04
Londres � contraste quatro



Visit�mos a feira de Camden Town, a um s�bado pela manh� cheio de gente... uma rua enorme que se vai dividindo em recantos fabulosos com gente do mais alternativo que possam imaginar, desde punks a g�ticos, h� de tudo. Zonas de Tattoos, Piercings, bancas com vendas de roupas, botas Doc Martens por todo o lado, comidas vegetariana, italiana, indiana, ..., quadros, cadernos, drogas, cd's, livros, etc. Um mundo completamente � parte, fascinante!

A feira de Convent Garden tem uma popula��o completamente diferente onde tamb�m est� toda a gente na rua mas desta vez em busca do teatro de rua com malabaristas, ilusionistas, clowns, homens-est�tua. H� mais turistas, classe m�dia com filhos a aproveitar o descanso de fim de semana e muita anima��o e pessoal a aplaudir. � uma maneira �ptima de aproveitar as ruas, e de juntar as pessoas em torno de uma coisa muito simples: a alegria do espect�culo.


Londres � contraste tr�
Podemos passear por toda a cidade no 2� piso dos autocarros vermelhos com vistas muito bonitas (destaco o 11), ou quando temos mais pressa no famoso metro "mind the gap".

H� zonas/ruas onde podemos passar bem o nosso tempo entre a multid�o a comer tudo com os olhos... Oxford Street � grande, tem lojas de ambos os lados e � um bom exemplo disso mesmo. A zona junto ao Tamisa est� arranjada para quem queira passear.

Os museus principais s�o gratuitos para toda a gente. A t�tulo de exemplo: o National Gallery tem quadros de Degas, da Vinci, Van Gogh, Renoir, C�zanne, Picasso, Botticelli, etc, etc. etc. D� para vermos a manh� inteira, almo�ar, voltar � carga, desistimos com os olhos cheios e sem termos visto tudo. S�o museus enormes com arte de todo o mundo (parte dela espoliada em guerras) e abertas a quem quiser: � de espantar!

Os parques de Londres s�o o verdadeiro sin�nimo da palavra "descanso", grandes, relvados a perder de vista, muitos lagos, �rvores bonitas, patos, pombos e... os esquilos que v�m comer � m�o. Est�o mesmo ali no cora��o da cidade, fazem parte dela e ref�gios brilhantes para quem gostas de sossego, ler, namorar, ou simplesmente estar a olhar. Vale a pena sair um bocadinho � periferia de Londres para ir visitar Greenwich, saltitar do East para o West, e ter uma bela vista sobre a cidade.

Londres - contraste dois
Londres sem ser uma cidade lind�ssima e sendo muito escura � muito agrad�vel e com muitas zonas de interesse. � uma cidade desafogo, sem grandes confus�es de tr�nsito, barulhos, buzinas. As ruas (por terem sido destru�das durante a II guerra) s�o largas e cruzadas a regra e esquadro (como a Baixa de Lisboa) com pr�dios mais altos no centro (e muitos junto ao Tamisa) que v�o ficando mais baixos e uniformizados � medida que nos afastamos para a periferia. Essa uniformiza��o para um �estrangeiro� implica algum tempo para ganhar pontos de refer�ncia na orienta��o.

Nota-se muito uma mudan�a nessa sa�da do centro muito limpo e arranjado para uma periferia mais suja e descuidada. At� a popula��o � diferente: encontramos por entre a multicultura londrina do centro muitos senhores apressados, engravatados e arranjados de cabelo � Beckham que deixamos de encontrar por entre a multicultura da periferia de bairros maioritariamente ocupados por imigrantes, com muitas lojas de indianos, muitos caf�s de portugueses. A zona do centro � obviamente de uma popula��o mais endinheirada e inglesa, a periferia de uma popula��o mais pobre e vinda de fora � procura de melhores condi��es de vida... gente que muitas vezes faz os trabalhos mais duros no centro da cidade. Ver conviver estas duas dimens�es e estas gentes de nascimentos t�o diferentes na classe, no pa�s � ao mesmo tempo enriquecedor mas uma imagem demasiado evidente das assimetrias sociais... que me leva a pensar em palavras como injusti�a e equil�brio.

Londres - um contraste
Vai-se para l� a observar o que � diferente de c�; volta-se a perceber o que � diferente de l�. Em cada conversa com os de l� quando nos perguntam donde somos, dizemos "P�rtug�l!" Falam-nos normalmente de futebol (do P�rt�, do Fig� e raramente do meu Benfica) ou dizem "your country is so beautiful!"; ficamos inchados de orgulho. Chateia-nos a mo�a no 1� comboio em que andamos que nos diz �your english is much better than my spanish!�. Em cada conversa com os de c� falamos hist�ricos de como s�o as coisas l� e em cada ideia vem um "Em Londres..." que acreditem ser muito cansativo a partir da 3� vez que usamos.

Pelo que j� foi dito eu n�o poderia deixar de escrever sobre Londres aqui: venho vibrante e ainda cheio de imagens-surpresa que de l� trago. Na compara��o entre a capital deles e o nosso pa�s fico contente (� a fiert� no meu pa�s) por perceber que n�o somos em tudo t�o maus como insistentemente dizemos, que temos as nossas qualidades t�o poucas vezes ditas em voz alta!

Inevitavelmente falamos da comida e do caf�, falamos da espontaneidade e descontrac��o, de uma certa desorganiza��o e desenrasque de que gosto, do clima, do companheirismo. O que achamos piada nos brasileiros, os ingleses tamb�m acham piada em n�

10.5.04
Assim vai o Governo...

9.5.04
A Velhice... VII
" A vida , apesar dos muitos males, merece ser vivida. Agora tenho mais tempo para pensar e mais tempo para n�o escrever"

Jorge Luis Borges

A pax americana
�A "pax americana" � uma cat�strofe sem fim � vista e o pacto do "Ocidente livre" com a espiral de viol�ncia em nome da luta anti-terrorista uma invers�o dos valores civilizacionais consensualizados nos �ltimos anos.

� definitivamente chocante o relativismo com que, por estes dias, os defensores da guerra preventiva e de toda e qualquer ac��o de George Bush ("� a guerra! � a guerra") v�m a terreiro.�

(Ana S� Lopes, "P�blico" de hoje)

A Velhice... VI
"Bem dotado pela natureza, favorecido pelas circunst�ncias, trabalhou toda a vida para se preparar para viver e ia come�ar a viver quando morreu:
Aprendei dele, mortais, como � preciso fazer e fazei o que ele n�o fez: avan�ar, fazer e ousar."

(epit�fio de Amiel)

Salazar gear
A Quinta Coluna descobriu uma prenda fant�stica para Paulo Portas. Pod�amos oferecer-lhe umas em vermelho!

A Velhice... V
" O homem que cavalga longamente por terrenos bravios sente o desejo de uma cidade. Finalmente chega a Isidora, cidade que continha todas as coisas que ele pensava quando desejava uma cidade. Assim Isidora � a cidade dos seus sonhos: com uma diferen�a. A vida sonhada continha-o jovem; a Isidora chega em idade tardia. Na pra�a h� o pared�o dos velhos que v�em passar a juventude; ele est� sentado em fila com eles. Os desejos s�o j� recorda��es."

In As Cidades Invisiveis, Italo Calvino

A Velhice... IV
"� tempo volta para tr�s traz-me tudo
o que eu perdi ...".

Fado de Ant�nio Mour�

A Velhice... III
" Nothing old is ever reborn.
But it never completely disappears either
And everything that ever has been emerges in a new form."

Alvar Aalto

A Velhice... II
"Um certo Zu Pingman dirigiu-se a um c�lebre mestre para aprender a matar drag�es. Trabalhou duramente durante largos anos da sua vida e consagrou toda a sua fortuna a adquirir a arte de matador de drag�es. Infelizmente, na continua��o da sua vida, nunca encontrou um drag�o."

Zuangzi

A Velhice... I
"Contra� o h�bito anual de esperar e n�o alcan�ar o Pr�mio Nobel. � um dos poucos prazeres que me restam na velhice."

Jorge Luis Borges

8.5.04
A queima

ser�



mesmo





�pio ?

6.5.04
Esquerdas, direitas e religi�
Do Timshel, sobre esquerdas, direitas e religi�o:

"Julgo que (felizmente) o que distingue a esquerda da direita � a esquerda ser necessariamente religiosa. A op��o de lutar ao lado dos fracos contra os fortes � uma op��o religiosa n�o sustent�vel por qualquer vis�o "cient�fica" do mundo.

Mas, se calhar a direita tamb�m � religiosa. Tem a f� de que os fracos n�o s�o precisos para nada. E tem f� em teorias "cient�ficas" que legitimam essa f�."


Pode-se estar na pol�tica de duas formas: aceitando o que existe e querendo aplicar um bocadinho de cosm�tica aqui e ali para melhorar o sistema, ou aceitando que o que existe n�o � o melhor e necessita sempre de ser repensado. � a diferen�a entre encarar a pol�tica como a arte do poss�vel ou como a arte de tornar poss�vel o que n�o o �. Quem � o pol�tico que se atreve a gritar, como Lula o fez, que quer erradicar fome? Ou pelas nossas terras, quem se atreve a tra�ar como objectivo o desemprego zero? Quem � que ouve os apelos do Papa para a constru��o de uma globaliza��o solid�ria? � a diferen�a entre aceitar a inevitabilidade da falta de liberdade de alguns e n�o a aceitar. Como disse a In�s a nossa liberdade s� pode ser conseguida com a liberdade dos outros. Mas ainda h� quem pense que a minha liberdade acaba onde a dos outros come�a -- e cada um que se amanhe. Entre as nossas hostes, h� gente � esquerda e � direita a pensar das duas formas. E infelizmente tamb�m existe, � esquerda e � direita, quem fa�a da pol�tica apenas uma gest�o habilidosa de sensibilidades, compadrios, fait-divers e exibi��es.

Noite de serenata
Podia ser no p�tio da Universidade, mas ser� aqui mais perto...



(Louise Attaque)

O Futuro ? X
" Uma bela tarde o futuro desapareceu. Quando nos levant�mos, n�o estava l�. N�o deixou nada escrito e, como se isso n�o bastasse, levou com ele os outros tempos dos verbos: o presente, os pret�ritos todos e at� o condicional. S� ficaram os do conjuntivo por causa do que"

Alexandre Melo

O Futuro ? IX
" H� dias t�o diferentes uns dos outros

Alguns s�o incrivelmente longos,
Suspiramos, esperamos, cansamo-nos deles
mas eles passam devagar por
n�s, como que a rir-se da nossa impaci�ncia..."

Rita Wemans

O Futuro ? VIII
"... O principezinho prosseguiu: - O teu planeta � t�o pequenino que, com tr�s passadas, lhe d�s a volta. Portanto, basta pores-te a andar de vagarinho e ficas sempre ao sol. Assim, quando quiseres descan�ar, come�as a andar... e o dia dura tanto tempo quanto tu quiseres.
- N�o me adianta l� grande coisa - disse o comendador.
- Do que eu mais gosto � de dormir!..."

Antoine de Saint-Exup�ry in O Principezinho

A Pintura...
Conta a estoria que o Kandinsky depois de chegar a casa, entrou no espa�o do seu atelier e ficou surpreendido com uma pintura lind�ssima que se encontrava num dos cavaletes. Aproximou-se e comprovou que era um dos seus quadros mas agora de pernas para o ar.
Apartir daquele momento tinha acabado de desaparecer o sup�rfluo e ficado o essencial ( por sinal, aquele que "� invisivel aos olhos"): as cores, os ritmos, equilibrios, as formas...

Tento procurar conhecer as pessoas de pernas para o ar...

O Futuro ? VII
"A nossa subst�ncia � o tempo, estamos feitos de tempo. Embora, em todo o caso, o tempo seja mais real que n�s."

Jorge Luis Borges

5.5.04
O Futuro ? VI
"Dizem sempre que o tempo muda as coisas, mas na realidade somos n�s pr�prios quem tem de as mudar"

Andy Warhol

O Futuro ? V
"Leva muito tempo tornarmo-nos jovens."

Pablo Picasso

O Futuro ? IV
"O nosso gasto mais dispendioso � o tempo"

Teofrasto, fil�sofo Grego

O Futuro ? III
"Space and time are modes by which we think, not conditions under which we live"

Albert Einstein

O Futuro ? II
"Mas o tempo linear � uma inven��o do Ocidente
O tempo n�o � linear,
� maravilhoso emaranhado onde,
a qualquer instante,
podem ser escolhidos pontos e inventadas solu��es sem come�o nem fim."

Lina Bo Bardi

da poesia
A beleza n�o est� no que dizem as palavras
Mas no que dizem sem diz�-lo
Mais desej�veis s�o os seios entrevistos
Atrav�s das madeixas do teu cabelo.

(Valdana, para uma descontente com o uso da poesia na blogosfera)

4.5.04
Da d�vida
N�o, n�o estou a ver o Porto. Estou a fazer recortes da blogosfera:

No Guia dos Perplexos, uma tirada sobre S�o Tom�, a F� e a D�vida: "tal como na Raz�o, tamb�m na F� a d�vida tem um papel determinante no caminho da Verdade e da Luz". Voltarei a isto e � pouco citada mas abismal frase do mesmo santo: "Meu Senhor e meu Deus!".

Economia no 16
O 16 � um autocarro que segue viagem at� aos arredores de Coimbra. As conversas habituais (entre os mais velhos) s�o as hortas, os coelhos, se chove, se n�o chove, ... Entre os menos velhos h� sempre o futebol e duas ou tr�s coscuvilhices em voz alta. Hoje, a prop�sito de um patr�o mau pagador, ouvi coisas como "vivemos em crise econ�mica" e "sabes, quando a crise faz das suas � assim". Melhor ainda: "o poder de compra est� muito em baixo". At� a discrep�ncia entre a inflac��o real e os respectivos �ndices veio � baila. S� faltou a crise da nova-economia, uma an�lise detalhada do impacto das taxas de juro e dos spreads no cr�dito � habita��o... Os nossos governantes apostaram no discurso economista para pintar um quadro negro do pa�s. E conseguiram chegar ao 16.

O Escorpi�o e o Elefante!
Conta a est�ria que um dia o escorpi�o queria atravessar o rio mas n�o sabia nadar... viu ao longe o elefante e perguntou-lhe se o podia ajudar a atravessar para a outra margem. O elefante desconfiado respondeu-lhe de imediato: Tu �s matreiro, quando trepares para as minhas costas vais me picar e vamos os dois ao fundo do rio. O escorpi�o convenceu-o dizendo: Confia em mim! Achas que eu iria por tamb�m a minha vida em risco...
Quando o elefante caminhava no meio do rio o escorpi�o n�o conseguiu resistir e picou-o!

Agora nas europeias a coliga��o acabou de entrar dentro de �gua!

"Invas�es B�rbaras"
"A Juventude Leonina justifica a invas�o de campo no jogo Sporting-Benfica com os �insultos e provoca��es� dos futebolistas Zahovic e Argel, quando efectuavam exerc�cios de aquecimento em frente � claque sportinguista." DN

Esta malta quando quer sabe ter gra�a...

Que Futuro ?
" A �nica coisa que vale a pena comprar � o tempo"
Lawrence Weiner - artista pl�stico

A Igreja que se cuide o Diabo veio � Terra
"Ouvir discursos sobre a bondade do matrim�nio e os malef�cios do div�rcio vindos de bocas que recusaram esse sacramento e que acham que a viol�ncia dom�stica se deve � libertinagem sexual ou � "emancipa��o da mulher",n�o bate certo".
"Proporem que as rela��es sexuais sejam umas permanentes rela��es sexuais porque usar contraceptivos � pecado, ainda por cima vindo de bocas que renunciaram �s ditas, ro�a o rid�culo."
"Gastar milh�es em mais um templo em F�tima, quando com esse dinheiro seria poss�vel recuperar todas as igrejas do continente e regi�es aut�nomas a precisar de restauro, j� sem falar de servir grupos particularmente desfavorecidos como seja as pessoas portadoras de defici�ncia profunda, � demasiada c�dencia ao "lobby".
"Negociar uma nova Concordata em total secretismo, sem ter em nenhuma conta o sentir daqueles e daquelas a quem se destina, � uma forma de desconsidera��o grave."

Ana Vicente, P�blico 3 de Maio 2004

Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
"uma comunica��o social livre e independente n�o se revela, por si s�, na multiplicidade de t�tulos, canais ou antenas, mas sim na pluralidade efectiva que eles representam. S� esta pode ser obst�culo ao controlo da comunica��o social por interesses econ�micos e pol�ticos".
Jorge Sampaio no discurso comemorativo do 25 de Abril

O Absurdo
"Licenciados Ganham Mais 80 por Cento do Que Trabalhadores com Estudos Secund�rios"
Capa do P�blico

Acabei de saber que tenho colegas de curso que est�o a pagar para estagiar nas empresas desejadas. Por sinal s�o filhos de trabalhadores com estudos secund�rios...

3.5.04
da ci�ncia em Portugal II
Acabo de conversar com o meu eventual futuro orientador de projecto de licenciatura. N�o sendo o projecto de licenciatura nada de extraordin�rio, a discuss�o de temas, enquadramento, eventual financiamento e outras coisas mais levou a alguns "desabafos" quanto � vida de investigador por estas bandas. N�o � simp�tico o quadro. O moral percebe-se bem depois de ouvir isto (cito de cabe�a): "neste momento a �nica coisa que podemos fazer � n�o baixar os bra�os, mesmo sabendo que estamos a regredir e que quem vier a seguir a n�s ter� que voltar a construir o que se perdeu".

O Barnab� Man'Andr�
Hoje aparecemos no Barnab�! � provavelmente o Blog mais importante de momento na cena Blogu�stica nacional... s�o servi�o p�blico da melhor qualidade. Tenho acompanhado o blog que eles t�m desde o inic�o e � muito devido aos barnab�s que aceitei com tanto entusiasmo a ideia do Z� Filipe de criar um blog. � que para mim a imagem de blog est� muito associada ao que eles t�m sido.



(proponho um brinde com eles!)

Obrigado pela refer�ncia ao meu mano Andr� Barnab�, envio-lhe daqui um abra�o bem apertado

ps: durante uma semana a equipa de Bloggers fica reduzida a metade, � que eu e a in�s vamos passar uma semana a Londres. Voltamos no pr�ximo domingo.

2.5.04
Europa sorri


Com um dia de atraso, aqui se apresentam as boas vindas aos novos-velhos-europeus. J� somos 25 pa�ses, 455 milh�es de pessoas e falamos 20 l�nguas diferentes. Faltam mais ou menos 350 milh�es de pessoas, 20 pa�ses e (pelo menos) mais duas dezenas de l�nguas. O resgate de Europa avan�a. E Europa sorri.

(imagem de Aleksander Ivanov)

"She Is Black !..."


Capa do caderno de hoje da colec��o Tachen do Jornal P�blico

�Passava-se a coisa na Am�rica. Por artes que a f�bula explicava mas eu j� n�o consigo reproduzir, nem interessa ao caso, algu�m tinha tido o privil�gio de ir at� ao c�u, para conhecer Deus pessoalmente. Quer dizer, de perto, ao vivo, face a face - "pessoalmente" talvez n�o seja a palavra mais adequada na circunst�ncia...
Quando essa pessoa estava prestes a regressar do c�u, amigas e amigos esperavam-na com enorme ansiedade, curios�ssimos sobre o que teria para contar. Como seria, ent�o, aquilo "l� por cima", o c�u? E "Ele", sobretudo "Ele", como seria, qual o seu aspecto, agora que finalmente algu�m "O" pudera ver?
Chegado � terra, o viajante foi assaltado pela multid�o: "E ent�o?... Ent�o?... Como � que Deus �?..." A resposta veio simples, directa e surpreendente: "She is black !..."
Num �pice, ca�am por terra as imagens seculares, estereotipadas, indiscut�veis, de um Deus homem, branco, decerto velhinho e com barbas de av�, as imagens que nos acompanham desde o catecismo e que povoam toda a iconografia crist�. Afinal, "Ele" n�o era um "Ele", mas um "Ela" (e por que n�o?...). Mais: nem sequer era branco, como n�s (os brancos) sempre nos habitu�mos a imaginar, mas negro (e por que n�o?...).�
Joaquim Fidalgo



HaloScan.com

presentes
A Velhice IX
A Velhice VIII
Menino Jesus
abrir aspas seguran�a fechar aspas
Se at� d� gosto cantar, se toda a terra sorri
Dei-te a liberdade de seres quem queiras
diz-nos respeito a todos
Rescaldo do Congresso do PSD
Desabafo
Almod�var - La Mala Educaci�
Aten��o!!
O sistema
Boa Sorte!
the world says no to Bush II
Gestos Simples
the world says no to Bush
porque estais a olhar para o c�u?
Uma boa surpresa
TGB
a festa cigana
Parab�ns Michael
�-nos preciso olhar
Glamour contra as adversidades
Humor contra as adversidades
Amor contra as adversidades
um par de sapatos levantando o p�
� Val�ria e ao Andr�
um timing maravilhoso
quem se Queima?
a assinatura da Concordata
Da Teresa
Vasquinho o escritor...
"N�o sei onde vou estar amanh�
A Cidade e os Outros... III
Levanta-te e Ri (Parte I)
Festival de Cinema de Cannes, 2004
O meu Benfica ganhou a Ta�a!
A Cidade e os Outros... II
A Cidade e os Outros... I
a 13 de de Maio
Mais uma "Terra da Alegria"
A bestializa��
um balan�ar
O Sonho
Parabens Dal�...
Londres � contraste quatro
Londres � contraste tr�
Londres - contraste dois
Londres - um contraste
Assim vai o Governo...
A Velhice... VII
A pax americana
A Velhice... VI
Salazar gear
A Velhice... V
A Velhice... IV
A Velhice... III
A Velhice... II
A Velhice... I
A queima
Esquerdas, direitas e religi�
Noite de serenata
O Futuro ? X
O Futuro ? IX
O Futuro ? VIII
A Pintura...
O Futuro ? VII
O Futuro ? VI
O Futuro ? V
O Futuro ? IV
O Futuro ? III
O Futuro ? II
da poesia
Da d�vida
Economia no 16
O Escorpi�o e o Elefante!
"Invas�es B�rbaras"
Que Futuro ?
A Igreja que se cuide o Diabo veio � Terra
Dia Mundial da Liberdade de Imprensa
O Absurdo
da ci�ncia em Portugal II
O Barnab� Man'Andr�
Europa sorri
"She Is Black !..."

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