30.6.04
a minha buzinadela

� hora de festa, apesar da crise. Com um golo fabuloso de Maniche, daqueles que me faz pena de n�o ligar muito ao futebol, os nossos rapazes chegaram � final. Junto-me � euforia -- aqui fica a minha buzinadela:


Vamos ser campe�es!


Vamos ter elei��es!






Posta matem�tica
Este � o post n� 200. Se contarmos desde Abril d� cerca de 66,666 posts por m�s, uma m�dia de 2, 222 posts por dia, que dividido por quatro pessoas a escrever d� cerca de meia posta por dia para cada um. Bem divididinho ningu�m passa fome.

Passeio ao fim da tarde
Nas minhas andan�as pelos blogs come�o pelos que leio quase sempre que aqui venho e parto desses para ver o que me aconselham, ou pela lista de blogs ou pelos links nos posts. A praia do Ivan Nunes � um dos que habitualmente vou - (Em tempos e ainda mi�do brincava no computador do meu irm�o a enviar e-mails benfiquistas provocat�rios ao Ivan Nunes, sportinguista convicto amigo do meu irm�o, nos meus primeiros ensaios na internet. Pelos vistos continuamos os dois amantes do bom futebol tendo ele apenas o problema de lidar menos vezes com ele, devido � irracionalidade da paix�o clubist�ca a que n�o podemos nunca renunciar) - Foi no blog dele que encontrei um blog maravilhoso que, se n�o me engano, pertence ao av� dele. Um senhor de 82 anos cheio de vida, humor e que torna viciante a leitura como os bons escritores. O Buba � uma leitura que aconselho vivamente, com a maior calma do mundo que ali n�o � lugar de pressas. Fiquei com uma vontade tremenda de conversar com o senhor e de apresentar a minha Ginja ao Buba dele. In-ultra-pass�vel!

Cercado


Papel da laranja numa alimenta��o saud�vel
Os produtos hort�colas e fruta s�o os alimentos que devem ocupar o maior volume alimentar di�rio. A laranja � particularmente rica em vitamina C e em pectina, uma das frac��es da fibra vegetal, importante na regula��o dos valores de colesterol.
Assim, � aconselh�vel o consumo de pelo menos uma laranja por dia, garante do aporte da dose di�ria recomendada de vitamina C, bem como de quantidade razo�vel de um dos melhores reguladores dos valores do colesterol.


O presidente da Comiss�o Europeia � laranja. O Primeiro Ministro � laranja. O presidente da C�mara de Sintra � laranja. A Holanda � laranja. E ainda v�m com a ideia de que o "papel da laranja � fundamental numa alimenta��o saud�vel!?"
Deixem-me em paz que hoje estou azedo!!!

Os nossos pol�ticos
O que mais me impressiona e incomoda na crise pol�tica em curso foi expresso ontem por Teresa de Sousa no "P�blico":
�De repente, com a crise pol�tica aberta pela ida de Dur�o Barroso para Bruxelas, o pa�s descobriu que o velho partido do sistema � j� maioritariamente o partido de Santana Lopes. Que a mudan�a de gera��o que se est� a operar desde a sa�da de Cavaco Silva amea�a trazer com ela um outro partido. Populista, "berlusconiano" � portuguesa - sem o aparato novo-rico do "cavallieri", nem os seus meios colossais - , ainda temperado pela peso da tradi��o social-democrata e conservadora do PSD. Mas muito mais pr�ximo do PP de Paulo Portas.

Afinal, n�o est�vamos t�o longe da Europa. S� que, por c�, o populismo chegou-nos de chofre, nado e criado dentro do pr�prio sistema. Com efeitos porventura muito mais destruidores.�


29.6.04
Como � costume nele
Dando uma volta pelos blogs da esquerda parece comum a opini�o que as elei��es antecipadas s�o sem d�vida nenhuma a �nica op��o v�lida.
Confesso que a ideia me agrada porque o governo tem feito um p�ssimo trabalho; porque se a hip�tese Santana Lopes para primeiro ministro n�o � anedota o desastre � incr�vel; basicamente, porque sou de esquerda.
� realmente grave que um mau primeiro ministro portugu�s v� para Presidente da Comiss�o Europeia e � isso que assusta (mesmo que ache que o tiro lhe v� sair pela culatra)! � mais contra isso que devemos estar indignados do que a exist�ncia de elei��es antecipadas ou n�o.
N�o me parece nunca que Dur�o Barroso esteja a funcionar como traidor porque qualquer uma das op��es - aceitar ou n�o aceitar o cargo de presidente da Comiss�o Europeia - eram v�lidas, embora todos saibamos que muito jeito lhe d� esta sa�da.
Mas ser� que isso pode ser utilizado como forma de fazer oposi��o? Parece-me que a quest�o tem aparecido muito como uma quest�o de clubismo "Esquerda contra direita". E a verdade � que falamos de um governo portugu�s que foi eleito por maioria (n�o, eu n�o votei nele) e isso � democracia, por muito que nos custe. Como custar� a pessoas de direita ter um governo PS ou PCP ou BE. Estar a aproveitar esta situa��o � fazer jogo sujo.
Obviamente � preciso haver oposi��o, aten��o para o que � feito e para isso estamos atentos, mas chegar a fazer manifesta��es contra pessoas individuais parece-me demais (mesmo se anunciei aqui a manifesta��o que se repete hoje). Ainda n�o sabemos que contornos vai ter esta mudan�a, que ministros v�o mudar e quem � que de facto vai preencher o lugar de Primeiro-Ministro.
Por isso, e talvez com alguma ingenuidade minha, digo que confio no nosso Presidente da Rep�blica, Jorge Sampaio, que at� j� pediu para n�o pormos o carro � frente dos bois: n�o acredito que ele n�o esteja a pensar nisto de forma s�ria (como � costume nele), a pensar nos interesses do pa�s (como � costume nele), a analisar todas as hip�teses suas vantagens e problemas (como � costume nele), ele vai decidir bem... como � costume nele!


um jogo
Associem estas "personagens" aleatoriamente e digam-me que ideias vos v�m � cabe�a: Dur�o Barroso, Santana Lopes, Paulo Portas, Alberto Jo�o Jardim! E ent�o?

28.6.04
A um amigo




O Amor

Amo o amor que se reparte
em beijos, leito e p�o.

Amor que pode ser eterno
mas pode ser fugaz.

Amor que se quer libertar
Para seguir amando.

Amor divinizado que vem vindo
Amor divinizado que se vai.

Pablo Neruda



Quando o amor faz doer crescemos como nunca antes. S� n�o podemos deixar a que a tristeza seja demasiada, que nos deixe amargurar.
Oferta a um amigo.


fotos de Jeffrey Becom

Morra o Santana e morra o Portas
Morra o Santana e morra o Portas
maila sua risaria.
Ai governos por golpe,
que s� um ignorante engolia!
Morra o Governo e a Coliga��o
maila sua direitia.
Ai pol�tica de com�cio,
que s� um ignorante engolia!
Morra o Dur�o e o Barroso
maila sua persist�ncia.
Ai Presidentes da Comiss�o,
que s� um ignorante engolia!
Morram boys, morram girls
maila sua tacharia.
Ai pol�tica sem ideias,
que s� um ignorante engolia!
Morra o Alberto e morra o Jo�o
maila toda oligarquia.
Ai pol�tica de gravata e arroto,
que s� um ignorante engolia!
Morram chefes e assessores
maila m� fidalguia.
Ai despachos e decretos,
que s� um ignorante engolia!
Morra quem promete e assobia
maila toda a demagogia.
Ai homens de obra feita,
que s� um ignorante engolia!
Morra o T�nel do Marqu�s
maila toda obraria.
Ai bet�o e auto-estradas,
que s� um ignorante engolia!
Morra o amigo, morra o compadre
maila a compet�ncia que se perdia.
Ai cunhas e directores,
que s� um ignorante engolia!
Morra tudo, minha gente.
Vivam elei��es j� e democracia!

(adaptado de Jorge de Sena, �Morra o bispo e morra o papa�)

27.6.04
descobriram-lhe uma qualidade
"J� reparou que ele fala sem papel � frente?"

Foi o coment�rio elogioso de um vendedor da feira da ladra a Pedro Santana Lopes. Descobriu-se finalmente uma qualidade!


o cristianismo n�o � conserva
Frei Bento Domingues, no "P�blico" de hoje, a prop�sito do pre�mbulo da Constitui��o Europeia:

�A hist�ria do cristianismo est� sempre a come�ar. Tudo o que foi conseguido no passado, tudo aquilo que agora chamamos hist�ria do cristianismo, n�o � mais do que um conjunto de tentativas - algumas em falso, outras mal conseguidas - para o realizar.
A ess�ncia do cristianismo n�o � a conserva de uma heran�a, a salvaguarda de um passado: "Quem olha para tr�s depois de deitar a m�o ao arado, n�o est� apto para o Reino dos C�us", diz-nos Cristo na Missa de hoje. Os chamados "conservadores crist�os" s�o os guardas ruidosos de um t�mulo vazio.�

26.6.04
entre os quartos e as meias-finais... vai uma remodela��ozita?


(do Barnab�)

(public�mos este post de manh�, mas � melhor voltar a pux�-lo c� para cima...)

Causa Nossa (uma leitura da personagem Santana Lopes)
O Causa Nossa � um blog daqueles com qualidade devemos-ir-ver-todos-os-dias em que alguns dos melhores jornalistas nacionais se juntam para blogar. � um privil�gio para qualquer blog poder compartilhar este espa�o com eles. Realizaram na 3� feira passada uma festa do Solst�cio com alguns pr�mios atribu�dos por eles.
Passem a ler a c�bula que Vicente Jorge Silva escreveu para o pr�mio Jos� Mourinho (uma embalagem Davidoff de gel para o cabelo) ganho pelo nosso futuro Primeiro-Ministro (cruz credo!!!) Pedro Santana Lopes.
Mais dois posts que valem mesmo a pena ler: o primeiro pela intelig�ncia na leitura pol�tica de Vital Moreira e o segundo pelo humor ingl�s de Lu�s Filipe Borges. E muito fica ainda para ler: Abarque-se esta Causa como Nossa, digo eu.

nota: circula uma mensagem a convocar uma manifesta��o amanh� �s 19h em frente ao Pal�cio de Bel�m contra a "escolha" de Primeiro de Ministro sem elei��o.

Muro da Vergonha
.

Este post � para lembrar que este muro continua a crescer como prova de uma vergonha que nos cabe a todos. Entre Israel e Palestina nada melhora.

n�o te iludas...
�Caso se concretize a sa�da de Dur�o Barroso para Bruxelas (...) coloca-se a quest�o de saber que primeiro-ministro indigitar� o PSD. E se o far� com sentido de Estado, procurando escolher um estadista, ou se o far� em fun��o de c�lculos partid�rios mesquinhos. Isto �, sendo directo: se vai ou n�o indicar Santana Lopes, o primeiro vice-presidente do partido mas algu�m que, para al�m das suas capacidades de sedu��o e de ganhar elei��es, nunca provou ter grande sentido de Estado, uma vis�o para o pa�s ou sequer capacidade para se rodear de gente competente, rigorosa e com a qualidade que se exige em qualquer Governo. Sobretudo nas circunst�ncias actuais, em que qualquer Governo come�ar� sempre diminu�do politicamente.
Quer isto dizer que este � um daqueles momentos em que vamos ver se no PSD ainda resta algo do que foi um dos partidos fundadores da nossa democracia, e se esse PSD ainda tem algo a dizer e se revolta, ou se quem manda s�o as mediocridades que t�m emergido nos tempos mais recentes.�

(editorial do "P�blico" de hoje)

25.6.04
Futuros � espreita

(mais Willy Ronis)

Uma foto que tenho em Draft h� algum tempo, em que dizia na legenda "(mais Willy Ronis, hoje sinto-me assim)".
Pensei, estou a enganar o blog. Ent�o eu tenho um draft de um post em que digo "hoje" e "sinto-me" como se desse para numa "qualquer altura" publicar!? n�o faz sentido nenhum!
A verdade � que me sinto tantas vezes mi�do e gosto tanto de me sentir assim que vou-me enganando orgulhoso que sou eu quem ele fotografou na foto. Tenho alguma dificuldade em crescer e alguma vaidade nisso.

O emigrante
N�o se percebe o que � que Dur�o Barroso (n�o) fez que merecesse o cargo de Presidente da Comiss�o Europeia, e o que � que n�s fiz�mos para merecer isto.
Ant�nio Vitorino com bom trabalho feito n�o serve para o cargo. Dur�o Barroso, ap�s umas elei��es em que os portugueses mostram que n�o � a coliga��o que queremos na Europa, com um governo que mete �gua por (quase) todos os lados (leia-se minist�rios) vai sem m�rito algum para um cargo de muita responsabilidade. Sai pela porta grande abandonando o governo c� de casa que estava cheio de problemas, a �nica explica��o � algu�m ter tido pena dele por a vida lhe estar a correr t�o mal: sempre ouvi dizer que l� fora ganha-se mais.
Chamado a aten��o para o que dizia, a verdade � que era �ptimo para Portugal, e cargo que o Dr. Dur�o Barroso n�o pode recusar, se o Presidente da Comiss�o Europeia fosse algu�m portugu�s com qualidade. O problema aqui � exactamente esse: � que Dur�o Barroso � portugu�s mas n�o tem qualidade nem para Primeiro-Ministro, nem para Presidente da Comiss�o Europeia.
Como dizia hoje repetidamente algu�m que conhe�o com voz de esc�ndalo: "est�o a tornar-nos Euroc�pticos!"

nota: e porque � que tivemos que aturar os coment�rios "inteligent�ssimos" do Dr. Dur�o � passagem �s meias-finais do Campeonato da Europa de futebol. Est� a colar-se ao sucesso, Dr. Dur�o!?

Desastre (o que vir� a seguir?)
Dur�o Barroso presidente da Comiss�o Europeia e Santana Lopes como primeiro ministro. Estou optimista: isto j� n�o pode piorar!

Adieu
Depois do fabuloso destino da selec��o de Scolari ter eliminado a Inglaterra nos p�nalties feitos � medida das m�os sem luvas (ironicamente: uma beefetada de luva branca) e p�s de Ricardo, a Fran�a tamb�m vai para casa eliminada pelos surpeendentes gregos por 1-0. Os favoritos est�o todos de partida para casa: que orgulho que assim seja em casa portuguesa.
Resta despedimo-nos deles com um abra�o amigo, um bem hajam, saudinha e obrigado por terem vindo. Boa viagem.

nota: amanh� sai o advers�rio de Portugal para as meias-finais. Ou Holanda ou Su�cia.

� Tuga com sofrimento!
Monsanto. Durante todo o jogo acalentava esperan�a: "n�o quer�amos um jogo p�ra doce n�o �? Quer�amos ganhar e passar mas com m�rito e estamos a jogar bem, vamos marcar, vamos marcar e nunca mais marc�vamos". O pessimismo vinha-me � cabe�a com a forma: "somos t�o bons em vit�rias morais que somos bem capaz de jogar o jogo todo muito bem e perder com um golo sofrido aos 3 minutos..."
O gajo tira o Figo, "ep�, n�o tires o Figo agora!" J� � a segunda v�s que o Filip�o me engana (gostei de v�-lo comovido, eu sou assim adoro estes sentimentalismos...)
(Figo fez uma birra completamente est�pida ontem de que n�o precisava, ainda por cima sendo capit�o de equipa. Foi para o balne�rio, n�o viu o resto do jogo e n�o esteve com a equipa durante os penalties).
Foi o jogo todo a sofrer, nervoseira, ansiedade, uma press�o desumana. Quando j� pens�vamos que j� t�nhamos sofrido tudo e que era merecido uma vit�ria de gola�o no prolongamento a Inglaterra empata e deu-se um sil�ncio abismal de meter medo. Lotaria dos penalties, sorte portuguesa.
No final o Fado era de alegria.

nota: o Inimigo P�blico de hoje (tamb�m) � genial.

24.6.04
Festa do Solst�cio de Ver�o (post dois em um)

(rituais dos ind�os Ayamar�s na Bol�via)

Come�ou o Ver�o h� quatro dias. Ontem tivemos a noite mais curta do ano. Hoje chove.

Ganh�mos aos Espanh�is h� cinco dias.
Hoje Portugal joga no Est�dio da luz com os ingleses.
Um equil�brio: os ingleses gostam de chuva, os portugueses de noitada. Um hipot�tico equil�brio.
Mas de uma coisa temos a certeza: "we are not going home!"

23.6.04
De Milan Kundera
Os Checos passam de fase s� com vit�rias e como protagonistas no melhor jogo do Europeu at� agora (vit�ria por 3-2 com a Holanda), hoje com a Alemanha at� pouparam alguns dos melhores jogadores: Poborsky e Nedved por exemplo.

Alemanha, It�lia e Espanha v�o para casa j�. Se Portugal ganhar � Inglaterra amanh� fica provado que os campeonatos mais medi�ticos e mais fortes vivem � base dos estrangeiros. Dos Checos, dos Portugueses, dos Brasileiros, ...

Aqui que ningu�m me ouve, tor�o um bocadinho pelos Checos!

22.6.04
C�o como n�
Todos os dias entra pelo quarto de rompante, salta para cima da cama e acorda-me com beijnhos. N�o deu conta que cresceu e que j� ocupa quase tanto espa�o da cama como eu. Teve como qualquer pequeno, e como explica o Dr. Freud, a sua fase oral em que adoptou para brinquedo as pantufas, minhas e da minha irm�. R�i-as assim como r�i com vontade: n�speras, bolas de golfe, embalagens de iogurte e os p�s da mesa da sala. R�i-as de tal maneira que por aqui o inconsciente pode deixar os sonhos descansados.
Porque n�o pode estar sempre em casa fechada como me aconselhou o Afonso dos Maias � mais viajada com 6 meses do que a minha m�e com 6 anos, dito pela pr�pria. Bairro Alto, Porto Covo, Serra de Sintra, as praias da Aguda, Pequena e Grande foram algumas das visitas.
Quando me leva � praia e me sento a descansar, o lugar preferido dela para escavar sem mais poder � debaixo das minhas pernas, escava, escava, escava at� poder ficar de cabe�a para baixo enfiada na areia e rabo para o ar.
A Ginja tem 6 meses, cadelinha filha de pastora alem� e pai inc�gnito. Termos responsabilidade por algu�m faz-nos crescer, desde o dar comida, ao educar para que ela tenha h�bitos, lev�-la ao veterin�rio e limpar os c�c�s � volta da casa � preciso cuidar. Ajuda-nos a fugir a um certo egocentrismo.
Gosto de ver crescer a cadela, sou muito pai babado. Senti-la meiga e esperta, muito independente; ouvir um qualquer elogio ao p�lo preto bonito e aos cuidados que tenho com ela fico por dentro sorridente de bem estar. Tenho gostado imenso desta rela��o, com ela sinto-me acompanhado e ao mesmo tempo com calma para o sil�ncio e o mar. Ser� que � mesmo verdade aquela ideia de os c�es � imagem dos donos? C�o como eu.

entrelinhas de uma frequ�ncia
Tr�s preciosidades da frequ�ncia do dia 21 de Junho de 2004, da disciplina de Planeamento S�cio-Econ�mico do 4� ano de Pol�tica Social do ISCSP:

"A. Diga o que pensa de duas das frases a seguir transcritas (procure para cada uma das frases n�o escrever nem menos que uma p�gina nem mais que duas): (...)"

"B.(...) uma frase de Arist�teles - a riqueza n�o � evidentemente, o bem que procuramos, pois ela � �til apenas para obter outra coisa qualquer..."

E bem simp�tico este final: "BOA SORTE (gostei de vos ter conhecido - boas f�rias)"

Deliciosas Tapas
Cheg�mos atrasados ao parque das na��es/fan zone para ver o jogo: j� n�o deixavam entrar. Impaciente, enquanto j� se ouvia o hino, que cant�mos em andamento, ia � frente tentando apressar os outros. Entr�mos num bar enorme, lugares sentados todos ocupados, muita gente j� em p�, l� nos arrum�mos a um canto. Toda a gente gritava, batia palmas, Por-Tu-Gal, Por-Tu-Gal...

Portugal estava maravilhoso: o Ronaldo deixava-os a falar grego, o Figo comandava como um general alem�o, o defesa estava intransponivelmente italiana, domin�vamos o jogo com um meio campo bem portugu�s. Muitos cruzamentos, algumas jogadas de "aaaah".

Chega o intervalo, estamos a jogar bem mas ainda n�o marc�mos: j� tantas vezes nos habitu�mos a vit�rias morais que me parecia estar mesmo a ver o filme. Ainda por cima o Scolari muda de ponta de lan�a, tira-nos o nosso melhor marcador (o Pauleta) quando precisa de marcar golos e... gooooooooolo! Nuno Gomes, ele mesmo! O meu irm�o sempre me disse: o gajo marca quando tem que ser e abre espa�os para cara�as, p�! O gajo � bom!

Tudo aos saltos com gente que nem conhecia. Tudo agarrado.
Ainda apanh�mos alguns calafrios mas a vit�ria � nossa! Sa�mos para festejar, a m�sica era brasileira (!?). Entr�mos para o carro: buzina, quatro piscas, todos sentados na janela todos de fora a agitar cachec�is. Gente por todo o lado: desde o bmw descapot�vel de cachecol, bandeira, vestido a rigor at� � lambreta de caixa aberta do senhor de bigote t-shirt do barcelona com o Figo ao peito. Cada vez que aparecia um espanhol l� vinha "lalalala, e Viva le Espa�a!", se era croata "To-Mo So-Ko-Ta!" Todos levantavam o polegar e desejavam Buena Suerte (!?).
Um mar de gente, todos eram nossos amigos, todos gritavam e riam... fiquei rouco. Venha a Inglaterra... estamos outra vez com f�lego!

21.6.04
Jos� Duarte

Hoje �s 00:30, Ana Sousa Dias conversa com Jos� Duarte. Bom ser�o.

20.6.04
A avan�ar p� ante p�

(primeira selec��o nacional, 1921)

Depois da Trag�dia Grega e da Roleta Russa imp�e-se uma Vit�ria Ib�rica. Joguem bonito e marquem muitos golos.

nota: repudiamos todas as analogias com batalhas e padeiras que batem. N�o � guerra!

19.6.04
Geni e o zepelim
(Chico para a Adelaide Seabra, recordando a aula em que nos contou a hist�ria da Geni...)

De tudo que � nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela j� foi namorada
O seu corpo � dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
� de quem n�o tem mais nada
D�-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atr�s do tanque, no mato
� a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E tamb�m vai ami�de
Co'os velhinhos sem sa�de
E as vi�vas sem porvir
Ela � um po�o de bondade
E � por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela � feita pra apanhar
Ela � boa de cuspir
Ela d� pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edif�cios
Abriu dois mil orif�cios
Com dois mil canh�es assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar gel�ia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de id�ia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniquidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela famosa dama
- Esta noite me servir
Essa dama era Geni
Mas n�o pode ser Geni
Ela � feita pra apanhar
Ela � boa de cuspir
Ela d� pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
T�o coitad e t�o singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro t�o vistoso
T�o temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela
- e isso era segredo dela
Tamb�m tinha seus caprichos
E a deitar com homem t�o nobre
T�o cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua m�o
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milh�o
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Voc� pode nos salvar
Voc� vai nos redimir
Voc� d� pra qualquer um
Bendita Geni

Foram tantos os pedidos
T�o sinceros t�o sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem d�-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
At� ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou at� sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
N�o deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela � feita pra apanhar
Ela � boa de cuspir
Ela d� pra qualquer um
Maldita Geni

Partido Alto
Diz que deu, diz que d�
Diz que Deus dar�
N�o vou duvidar, � nega
E se Deus n�o d�
Como � que vai ficar, � nega
Diz que Deus diz que d�
E se Deus negar, � nega
Eu vou me indignar e chega
Deus dar�, Deus dar�

Deus � um cara gozador, adora brincadeira
Pois pra me jogar no mundo, tinha o mundo inteiro
Mas achou muito engra�ado me botar cabreiro
Na barriga da mis�ria nasci batuqueiro (brasileiro)*
Eu sou do Rio de Janeiro

Jesus Cristo inda me paga, um dia inda me explica
Como � que p�s no mundo esta pobre coisica (pouca tititica)*
Vou correr o mundo afora, dar um canjica
Que � pra ver se algu�m se embala ao ronco da cu�ca
E aquele abra�o pra quem fica

Deus me fez um cara fraco, desdentado e feio
Pele e osso simplesmente, quase sem recheio
Mas se algu�m me desafia e bota a m�e no meio
Dou pernada a tr�s por quatro e nem me despenteio
Que eu j� t� de saco cheio

Deus me deu m�o de veludo pra fazer car�cia
Deus me deu muitas saudades e muita pregui�a
Deus me deu pernas compridas e muita mal�cia
Pra correr atr�s de bola e fugir da pol�cia
Um dia ainda sou not�cia


* termos originais vetados pela censura

(Chico Buarque, 1972)

O que ser�? (� flor da pele)

O que ser� que me d�
Que me bole por dentro, ser� que me d�
Que brota � flor da pele, ser� que me d�
E que me sobe �s faces e me faz corar
E que me salta aos olhos a me atrai�oar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que n�o tem mais jeito de dissimular
E que nem � direito ningu�m recusar
E que me faz mendigo, me faz suplicar
O que n�o tem medida, nem nunca ter�
O que n�o tem rem�dio, nem nunca ter�
O que n�o tem receita

O que ser� que ser�
Que d� dentro da gente e que n�o devia
Que desacata a gente, que � revelia
Que � feito uma aguardente que n�o sacia
Que � feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos v�o conciliar
Nem todos os ung�entos v�o aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, ser� que ser�
O que n�o tem descanso, nem nunca ter�
O que n�o tem cansa�o, nem nunca ter�
O que n�o tem limite

O que ser� que me d�
Que me queima por dentro, ser� que me d�
Que me perturba o sono, ser� que me d�
Que todos os tremores me v�m agitar
Que todos os ardores me v�m ati�ar
Que todos os suores me v�m encharcar
Que todos os meus nervos est�o a rogar
Que todos os meus �rg�os est�o a clamar
E uma afli��o medonha me faz implorar
O que n�o tem vergonha, nem nunca ter�
O que n�o tem governo, nem nunca ter�
O que n�o tem ju�zo


(Chico Buarque, 1976)

Tanto Mar
Sei que est�s em festa, p�
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo pra mim

Eu queria estar na festa, p�
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que h� l�guas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei tamb�m que � preciso, p�
Navegar, navegar

L� faz primavera, p�
C� estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim


(Chico Buarque, 1975)

19 de Junho de 1944
Desde pequeno que fui sendo privilegiado pelo bom gosto das pessoas c� de casa. Sem ter nem certeza nem lembran�a de qualquer g�nero, consigo arriscar que quando era pequeno a voz dele j� me acalmava.

De h� uns anos para c� e depois daquela puberdade de muito rap e m�sica da moda, fui revolvendo os gostos dos outros, tentando perceber porque � que alguns m�sicos eram t�o importantes no bom gosto de quem gostava. Ele � preferido e uma heran�a boa.
Agora que j� tenho os cd's como meus, que tomo a iniciativa de lhe ir pedindo para tocar e cantar para mim vou percebendo que ele � bom amigo, grande companhia e que continua a acalmar-me na sua voz terna.

Faz hoje 60 anos desde que nasceu. Francisco Buarque de Hollanda. Homens como este vale bem a pena festejar o anivers�rio e todas as m�sicas e letras em que c� andou, que continue a fazer muitas com a grandeza a que nos habituou.




ps: e a blogosfera festeja: uma, duas, tr�s, quatro, v�rias vezes.

18.6.04
Poder!
Dur�o Contactado para Suceder a Romano Prodi. Dedico a ele e ao P. Portas.

Aconselho a ouvirem, depois da p�gina principal, o n�mero tr�s do album Resistir � Vencer:
PODER
(Jos� M�rio Branco)

Um her�i
� mesura
Da sua estatura
Vai sempre � procura
Ond�inda ningu�m foi

Um her�i
N�o descuta
Um ou outro d�i-d�i
Uma dura aventura
N�o mata mas m�i

Caso venha a ser preciso
Arriscar qualquer coisinha
Na opera��o
Um her�i no seu ju�zo
Leva sempre uma pilinha
Em cada m�o

Com cobertura da institui��o
Mais aquilo do Deus-P�tria-Canh�o
Um her�i nunca se corta
Meio olho-vivo, meio m�o-morta
A porta
N�o importa (ao refr�o)

Um her�i
Fa�anhudo
� de tudo capaz
Faz ao peixe mi�do
O que mais ningu�m faz

Um her�i
Catrap�s
Salta dos quadradinhos
Puxa os cordelinhos
E eles v�m atr�s

Com algum equipamento
Assegura a quadradura
Da opera��o
E o simb�lico instrumento
� uma armadura dura
Em cada m�o

Um her�i � o garante, o bast�o
Dessa coisa do Deus-P�tria-Canh�o
Nunca teme, nunca se corta
Come peixinhos da horta
Mulher morta
N�o aborta (refr�o)

Refr�o

Poder
Quem o tem, tem ascendente
Poder
Quem o tem, faz-se valente
Bem usado
Mal usado
O poder � prepotente

Assim
Diz o povo ami�de
Assim
Her�i era toda a gente
Mais val� rico e com sa�de
Do que pobre e doente

ida ao s�t�


"Aqui est�o as m�os.
N�o lhes toquem: s�o amor e bondade.
Mais ainda: cheiram a madressilva.
S�o o primeiro homem, a primeira mulher.
E amanhece." (Eug�nio de Andrade)

"� preciso acreditar na vida para abrir com as m�os nuas as paredes do espa�o.
Cada palavra fraterna acrescenta ao h�mus os ramos do cora��o"


SMS nas minhas "mensagens recebidas" de telem�vel (a primeira de 18 de fereveiro de 2002; a segunda de 12 de mar�o de 2003) e resolvi partilhar convosco porque s�o bonitas.

16.6.04
a Terra e quem a cultiva
Mais uma edi��o sobriamente alegre da Terra da Alegria. Com agradecimentos, vinho, pancadaria, globaliza��o, antropologia da religi�o, direito internacional e a import�ncia de contar hist�rias.

Recorto um trecho do Timshel, de novo sobre as certezas e d�vidas:
�(...)n�o admiro particularmente a viv�ncia religiosa baseada em muitas certezas, seja em que religi�o for, em especial na minha, o catolicismo. Para al�m do amor julgo n�o serem necess�rias muito mais certezas. Quanto mais certezas, maiores s�o as possibilidades de autoritarismo e susceptibilidade. E o autoritarismo e a susceptibilidade est�o nos ant�podas do amor. E � por isso que o amor tem que ver com humor.�







PS: quanto ao desafio que me colocam, talvez o aproveite para escrever um post sobre a "Carta a um Homem Religioso" da Simone Weil... Abra�os!

o voto e a bota
Sem surpresas, o nosso apelo ao voto caiu em saco roto. Os 195 milh�es de europeus que se abstiveram ainda n�o l�em o nosso blog...
O Z� Maria exprimiu a sua revolta com a elevada absten��o. J� o director do "P�blico" explicou que a absten��o n�o o preocupava muito: "Uma absten��o elevada nas elei��es n�o ser� sinal de fraqueza da democracia, mas tamb�m n�o impedir� que se fa�am leituras pol�ticas do resultado eleitoral". Ainda estamos � espera das leituras pol�ticas. Sobre as fraquezas e for�as da democracia, falemos um pouco mais.
A nossa forma de viver a democracia � um pouco caricata. Um amigo meu diz que todos ser�amos �ptimos chefes de estado, mas nenhum de n�s gosta de ser administrador do seu condom�nio... Esta contradi��o exprime bem a forma como encaramos o poder: falamos mal dos pol�ticos todos e arranjamos alibis para n�o fazer aquilo que est� ao nosso alcance.
Apesar disso, n�o sinto que se possa falar propriamente de crise da democracia � conta da absten��o nas europeias. Crise no sentido de vivermos um momento perigoso ou decisivo para o regime democr�tico. Gostei da met�fora do pano cr�: "como pano-cru / eu ainda estou por acabar". H� muito para melhorar na nossa organiza��o democr�tica e na forma como educamos para a participa��o. E h� muitas transforma��es a acontecer na maneira como os cidad�os se relacionam com o sistema pol�tico (a que espero voltar brevemente).
E para acabar digo s� que � preciso continuar a cultivar a "insensata humildade de votar" de que falava o M�rio Mesquita:
Com a humildade de quem sabe que o seu grau de decis�o corresponde a uma �nfima parcela do todo nacional ou gra�as � m�gica ilus�o de participar, vou invariavelmente depositar o boletim na urna. Mesmo quando n�o tenho especial motiva��o para escolher entre o Sousa, o Silva ou o Santos, exer�o o direito ao voto. Prefiro cultivar essa "insensatez" ou essa "magia", a delegar as decis�es numa elite iluminada, conservadora ou revolucion�ria, moderada ou fundamentalista.

Democracia, pol�tica e... futebol
O �ltimo post do Z� Maria deu azo a coment�rios interessantes. Acho que o da Joana Vasconcelos merece ser publicado aqui:
O coment�rio que fiz n�o � anti-futebol, nem um manifesto contra a componente emocional que esse desporto encerra. Muito menos � um coment�rio "in", de um intelectual encerrado numa torre de marfim que olha com desd�m para a plebe tingida das cores nacionais. � simplesmente uma express�o de revolta face � centralidade que o futebol assume na vida dos portugueses (assim como noutros pa�ses) em detrimento de outras componentes - como a pol�tica.
Conheces pessoas que gostam de futebol e participam em v�rias iniciativas sociais, pol�ticas, etc... Eu tamb�m conhe�o, e tamb�m vi o jogo, e gosto de ver futebol. N�o � isso que, para mim,est� em causa. O que me intriga � a intensidade com que se vivem fen�menos que objectivamente n�o resolvem os principais problemas deste pa�s - n�o retendo estes problemas sequer um d�cimo da aten��o que o futebol suscita. Precisamos mesmo de melhorar muito quanto a isto.

Leia-se ainda o palombella com um coment�rio �s bandeirinhas j� aqui referidas pela In�s.

Por agora falei de futebol, ainda que n�o pela minha voz. A parte sobre democracia fica para daqui a bocado, motivada pelas queixas-se do Z� Maria sobre a absten��o nas europeias.

14.6.04
adenda ao post anterior
Pano Cru

Ouve, meu amigo
p�e a m�quina a gravar
queria s� explicar aqui
que eu sou como o pano-cru
como pano-cru
eu ainda estou por acabar
e como o linho vem da terra
assim viemos eu e tu
e como tu eu fa�o e amo
e luto e dou
e como tu eu estou
entre aquilo que j� fiz
e aquilo que eu fizer
eu sou de pano-cru


(S�rgio Godinho in Pano Cru)

Pano Cru
Os n�veis de absten��o assustadores por toda a Europa devem dar que pensar. N�o podem ser utilizados para escamotear resultados e vontades de quem votou, mas s�o preocupantes e devem promover uma reflex�o s�ria que permita compreender porque n�o votam os europeus (n�o sentem que haja um projecto v�lido? a Uni�o Europeia n�o lhes pertence? acham que o voto n�o serve de nada? n�o percebem como funciona a democracia? ser� a absten��o uma forma de protesto ou para isso serve o voto branco?).

Perguntam-me "para qu� ir votar?" Tento responder como posso mas a verdade � que sinto que o sentido de voto s� conseguir� empolgar as pessoas, faz�-las sentir agentes no processo quando houver uma democracia que funcione bem. A nossa democracia n�o funciona bem: as cunhas andam na boca do mundo, h� carreirismo pol�tico que come�a nas associa��es de estudantes passando pelas J's, h� um partido com 8% dos votos e que tem tr�s ministros no governo, e n�o h� tempo para que as coisas possam ser pensadas, se criem projectos porque h� timings (quando n�o outros, eleitorais).
As pessoas v�em nos pol�ticos e nos seus "escand�los" gente que est�o l� para rapar o tacho. N�o sei at� que ponto poderei estar convicto se a minha resposta for: "sei que a maioria dos pol�ticos n�o � assim, s�o pessoas s�rias."

Ontem, numa discuss�o de amigos � volta desta quest�o, fal�vamos da cren�a nas novas gera��es que a� v�m em termos de futuros activistas pol�ticos e de cidad�os que fa�am mais exerc�cio da sua cidadania. Gostaria de saber em percentagem se quem mais vira as costas �s elei��es s�o pessoas de gera��es mais novas ou mais velhas. Gostava de saber se est� a haver (e de que maneira) uma mudan�a: estamos a ensinar os nossos filhos para a cidadania ou para uma competitividade do "lixa-o para n�o seres lixado". Cada vez mais me conven�o que a forma como estamos a "educar" enquanto sociedade n�o � a melhor.

Em rela��o � democracia e participa��o vieram-me � baila dois coment�rios da Joana a um post meu sobre o Portugal-Gr�cia. Aproveito para lhe responder que concordo inteiramente com o que ela diz, mas volto a dizer: s� n�o me revolta uma paix�o de bandeirinhas e jogos de futebol porque n�o me parece que futebol e pol�tica possam ser encarados como um mesmo fen�meno. N�o s�o extremos de uma mesma quest�o. Temos que saber funcionar em democracia e exercer a nossa cidadania; e ainda assim gostar de futebol e v�-lo com emo��o.

O que revolta � as pessoas n�o participarem, n�o se interessarem (conhe�o pessoas que me dizem que "n�o gostam de pol�tica" e n�o percebo o que querem dizer com aquilo, a pol�tica na sua pr�pria defini��o implica as pessoas) mas n�o quero comparar esse alheamento com o gosto por uma arte de que gosto mesmo (� assistir aos �ltimos vinte minutos do Inglaterra-Fran�a de ontem para compreender a magia).

O post � longo e se calhar mistura demasiados factores, esquecendo-se doutros. N�o posso aument�-lo, n�o posso cort�-lo mas gostava de conversar sobre isto.

Ser� que as pessoas sentem que a Democracia que temos � representativa? Ser� que sabem exercer os direitos democr�tico-c�vicos e s�o ensinados a faz�-lo nas diferentes escalas, nas associa��es? Ser� que faltam formas de exercer essa Democracia?

.
(A dan�a, Henri Matisse)

Poesia
"Quando perguntaram a Ho Chi Minh como ele, em regime prisional, tinha produzido t�o belos poemas de amor, ele respondeu: �Desvalorizei as paredes�. A estrat�gia da poesia ser�, afinal, sempre essa: a de desqualificar o escuro."

Mia Couto

Oh! Liberdade!
Se eu pudesse
pelas frias manh�s
acordar tiritando
fustigado pela ventania
que me abre a cortina do c�u
e ver, do cimo dos meus montes,
o quadro roxo
de um perturbado nascer do sol
a leste de Timor

Se eu pudesse
pelos t�rridos s�is
cavalgar embevecido
de encontro a mim mesmo
e sentir o cheiro dos animais
bebendo das nascentes
que murmurariam no ar
lendas de Timor

Se eu pudesse
pelas tardes de calma
sentir o cansa�o
da natureza sensual
espregui�ando-se no seu suor
e ouvir contar as canseiras
sob os risos
das crian�as nuas e descal�as
de todo o Timor

Se eu pudesse
ao entardecer das ondas
caminhar pela areia
entregue a mim mesmo
no enlevo molhado da brisa
e tocar a imensid�o do mar
num sopro da alma
que permita meditar o futuro
da ilha de Timor

Se eu pudesse
ao cantar dos grilos
falar para a lua
pelas janelas da noite
e contar-lhe romances do povo
a uni�o inviol�vel dos corpos
para criar filhos
e ensinar-lhes a crescer e a amar
a P�tria Timor

Xanana Gusm�o
Cipinang, 8 de Outubro de 1995

Para n�o esquecer Timor. Que � feito de Timor? Amigos chegam de l� e lamentam n�o obrigarem os volunt�rios a aprender Tetum, dizem que assim o seu trabalho rende 10% do que poderia render. Outros dizem que a pobreza � muita, o trabalho por fazer � muito, que continuam a esconder-se amea�as pelas sombras.
Para n�o esquecer os que ali morreram, para n�o esquecer as mulheres que criam filhos de militares indon�sios, para n�o esquecer que ali o grito liberdade continua vibrante.
Para lembrar todos os presos injustamente neste mundo, os que est�o presos pelas causas de povos, da gente que sofre e continua a sofrer.
As pris�es n�o s�o lugar para pessoas.

13.6.04
N�o se desculpem � amigos!
A direita levou uma co�a como nunca tinha levado. A esquerda est� Toda contente. A direita parece com mau perder, dizem que isto s�o elei��es europeias, que n�o podemos confudi-las com uma avalia��o ao governo.

Senhores Coliga��o, deixem-se de tretas: ou querem ver que a representa��o de Portugal na Uni�o Europeia n�o tem nada que ver com o que o nosso governo c� anda a fazer.
Um exemplo que qualquer um de voc�s senhores For�a Portugal reconhece bem: o d�ficit dos 3% alarmantes que obrigou toda a gente a apertar a bolsa. Essa fronteira � uma directiva da Uni�o Europeia, querem melhor prova de que a nossa vida c� governada por vossas excel�ncias e os deputados eleitos para a Uni�o Europeia se interligam?
Acham que os portugueses que foram votar n�o sabiam que aquela coliga��o em que n�o votaram era a coliga��o do governo, a do Iraque e do desemprego!? Admitam l� a monumental derrota e comecem a pensar em governar para onde os portugueses querem!

Um ri-se e outro fica de trombas
Deu-me um gozo imenso ver o Miguel Portas a gargalhar quando da explos�o de apoiantes do Bloco come�ou a gritar: "Bloco no governo e Miguel no Parlamento!" N�o estamos muito habituados a pol�ticos �s gargalhadas, estava contente de comover.

J� o irm�o n�o deve estar muito contente... � que se continua a concluir que a coliga��o n�o funciona volta l� para baixo para a zona dos pequenos. Ainda me dava mais gozo ver a cara desse Portas agora!

a n�o-pol�tica
"Dado o n�vel da absten��o n�o � poss�vel tirar ilac��es desta vota��o".
(Pedro Mota Soares, da coliga��o PSD-PP �s Europeias, ainda antes de serem conhecidos os resultados definitivos da vota��o)

...ent�o... Parem a contagem! Mant�m-se os mesmo eurodeputados do �ltimo mandato, n�o?

Rescaldo (cima baixo) III
Sardinhas assadas cheiram pelo ar, sangria fresquinha e ginja com elas. Manjericos com quadras que n�o se podem cheirar.
M�sica: grupos de gente a cantar na rua acompanhados por palmas ("l� vai lisboa com seu arquinho e bal�o (...)", "cheira bem, cheira a Lisboa"), m�sica popular (mais na tv, parece que at� houve umas marchas...), alguma jamb�zada,... samba e... trance.

Miradouros cheios a olhar para o Tejo enevoado.
Pessoas muitas de toda a esp�cie, muitos bastante alegres (arranjaram ginja mais barata!), muitos a gritar por "por-tu-gal" com cachec�is e tudo, alguns estrangeiros observadores, tudo para cima e para baixo, ruelas, escadinhas, largos, sentar na mesa, cima baixo, Alfama, Castelo, S�o Vicente, Bica, cima baixo cima baixo. Uff...

O Padroeiro de Lisboa d� que falar: "Santo Ant�nio � nosso e h� foguetes pelo ar!"

Rescaldo (telegr�fico) II. stop.
Ach�vamos que os Gregos vinham � defesa e eles marcaram mais golos que n�s. stop. Os portugueses estavam nervosos. stop. o Paulo Ferreira fez uma assist�nca para um grego. stop. Esse grego chutou e o Ricardo deu um pato. stop. A esperan�a vinda de Manchester fez um penalty mas redimiu-se com uma cabe�ada formid�vel. stop. O Rui Costa e o Figo est�o velhos. stop. O Ricardo Carvalho, o Deco e o Cristiano Ronaldo t�m que jogar de in�cio contra os russos. stop.

Somos ou 8 ou 80. stop. Os portugueses estavam contentes e cheios de esperan�a antes do jogo. stop. Depois do jogo pass�mos a achar que n�o vamos a lado nenhum. stop. E and�mos a organizar esta merda para os c... que v�m de fora levarem a ta�a e fazerem a festa. stop. Continuamos hospitaleiros. stop.

Balde de �gua fria: congela ou sobressalta?

(coment�rios sobre bola ouvidos ontem pela minha curiosidade em discuss�es depois do jogo, daqui, por a�, at� �s ruas de Santo Ant�nio)

Rescaldo I - Super Bock Super Rock
Come�ou espectacularmente: conseguimos estacionar perto do recinto e fintar os seguran�as entrando com duas garrafas de Ginjinha do Rossio.

Os Pixies deram um concerto espectacular, prometi a mim mesmo comprar o �ltimo cd deles - Wave of Mutilation - que a Y diz que � uma esp�cie de Best Of (embora n�o seja muito apologistas destas "escolhas"). Se algu�m aconselhar algum melhor, levante o bra�o. Nunca tinha assistido a um grupo com uma mulher baixista: estranho n�o �?

O Lenny Kravitz � baixista, n�o sabia. Ele � dengoso, cheio de truques "I love you" mas d� um concerto animado a que ningu�m fica indiferente (as meninas adoram). Gosto de artistas que interagem, mesmo que neste caso a participa��o tenha sido � base de clich�s.

Vergonha: Massive Attack passou-me ao lado. Entre confus�es t�picas de combina��es trocadas com amigos e filas para tudo e mais alguma coisa, quase que n�o dei por eles.

Fat Boy Slim foi o �ltimo, de saltar aos pulos, mas eu j� estava estafado. Quantas aos grupos mais pequenos, destaco os Loosers onde toca o amigo Z� Miguel; n�o vi mais nada porque entre concertos grandes precisamos de pausas para descanso

Conclus�o: n�o foram os concertos da minha vida, Pixies destacou-se e o pessoal estava bem disposto, em boa onda de festival. As filas eram enormes...

Um fim de semana grande
A dona da padaria aqui da rua estava l� na mesa de voto da escola prim�ria do mucifal onde fui votar. Perguntei-lhe como iam as coisas e se havia muita gente a votar. "N�o h� muita gente, mas as pessoas que aqui votam � tudo gente nova e que acorda tarde, portanto esperamos que venha mais gente mais tarde" "pois �, e ontem houve santo ant�nio foi tudo para a cowboyada", respondi eu.

Isto � muita coisa ao mesmo tempo pra n�s juventude: ele � futebol, ele � religi�o, ele � pol�tica, ele � rock, ele � estudo... venham os rescaldos.

Apela-se ao voto!
.
7-12-1974,Martins, in A Bola, n. 4364, p. 1

12.6.04
Vimo-nos Gregos...
"(...) Ai Portugal, Portugal!
Do que � que est�s � espera!?
Tens um p� numa galera
E o outro no fundo do mar...

Ai Portugal, Portugal!
Enquanto ficares � espera
ningu�m te pode ajudar!(...)"

Nem Sim�o, nem Pauleta... Karagounis e Bassinas!
Temos um jeit�o para estas desilus�es!

Hoje, nem a filosofia lhes vale!
Estou como o Rui: Portugal precisava de tanta coisa e esteve a gastar dinheiro em est�dios de futebol (nem para outras modalidades foram preparados, pois n�o? - pelo menos o Altletismo parece-me esquecido), os est�dios s�o demasiados e demasiado grandes para o pequeno pa�s, alguns deles s� v�o assistir a dois jogos do Europeu e que durante as �pocas das equipas s� enchem quando recebem o Benfica, etc., etc. com tudo o mais que j� se tem dito sobre o assunto. � uma loucura (a)pol�tica num Portugal sem condi��es!
Que como a In�s diz tem o cond�o de as estradas serem arranjadas, as zonas em constru��o serem tapadas, tudo limpo e arranjado para estrangeiro ver!

Loucura que s� se podia fazer num pa�s que gosta muito de futebol, em que as pessoas se juntam � volta das equipas e da selec��o, em que as discuss�es s�o calorosas quando se diz mal de um craque advers�rio, em que as colec��es de cromos, o subutteo, as caricas ou os paus* (e agora os fifas e os championship managers) s�o indispens�veis a um desenvolvimento s�o e equilibrado; em que todos p�em bandeiras nacionais (a pedido do seleccionador) na janela para animar a Nossa Equipa e os nossos craques (esses sem d�vidas os melhores do mundo!). Eu gosto desta gente, deste povo, de sermos apaixonados pelo futebol! Gosto mesmo!

E eu? Eu n�o vou perder um jogo de Portugal que seja e as notas das frequ�ncias v�o ser imagem espelhada de minutos de estudo perdidos para ver a Inglaterra, a Fran�a, a Holanda e a Espanha... pelo menos. Estou a ficar nervos�ssimo, vou j�, j�, j� assistir � sess�o de inaugura��o.
Agora � que � altura para dizer: FOR�A PORTUGAL! Hoje nem a filosofia lhes vale!

A minha aposta: 2-0 para Portugal com golos do Pauleta e do Sim�o.


*O jogo de paus � uma esp�cie de subutteo aqui do meu grupo de amigos com o requinte de ter jogadores feitos por n�s em madeira, com equipamentos que s�o fitas isolantes coloridas e n�meros vindos das k7's v�deo. Os jogos s�o jogados em carpetes-relvado e balizas de ferro soldadas. A equipa melhor que tive foi o Barcelona quando o Figo (uma velocidade estonteante e um pontap� letal, das escolas z� maria e envernizado com verniz para as unhas roubado � m�e) l� jogava e o Stoitchkov, o Ronaldo, o Guardiola, o Couto, o Ba�a, o De La Pena, o Sergi,... T�nhamos campeonatos que demoravam semanas, meses, tudo muito organizado com ta�a no fim, t�nhamos transac��es e jogadores que morriam queimados se algu�m perdia um jogo importante! Tenho saudades...

11.6.04
Gra�a Morais e o ser leve e forte
�Penso no corpo como ele � forte e leve quando amamos.�

nos cadernos de Cabo Verde, intitulados Aqui voltei � minha Inf�ncia.



Maria IV, 2002
carv�o, pastel e sangu�nea sobre papel, 18,2 x 25,6 cm

Gra�a Morais e a morte
"Quando as coisas me correm bem digo-lhe sempre, conto-lhe sempre. Choro muito por ele, continuo a faz�-lo. O tempo ajuda, mas n�o cura, nunca cura."

Aqui Gra�a fala do irm�o que morreu de cancro.
Diz-me muito esta forma de continuar a viver com os mortos.

Gra�a Morais e o tempo
"Tenho uma necessidade t�o grande de pintar, as exposi��es chateiam-me porque me impedem de o fazer. Gosto de acordar bem disposta, de me meter no carro e de ir para o meu atelier, � disso que gosto verdadeiramente. Quando come�o a pintar nunca sei para onde � que o quadro vai, o quadro a partir de certo momento manda em mim, sinto que n�o o controlo... � a� que as coisas come�am a surgir. Chego a estar para aqui horas esquecidas, depois volto � realidade e percebo que tenho de descansar, mas na manh� seguinte j� tenho outra vez saudades dele. Preciso muito de pintar, nos bons e sobretudo nos maus momentos, nos momentos em que o Mundo parece desabar em cima de mim. � aqui que posso entrar no meu tempo certo, o tempo da minha pintura. Aqui domino, l� fora as coisas s�o mais dif�ceis, a vida � dif�cil de gerir, muitas vezes � est�pida e chata. O tempo nada tem a ver com o tempo da minha pintura".



A Idade da Terra VII, 2002
tinta da China e s�pia sobre tela, 97 x 130 cm

Gra�a Morais e as origens
�Acho que se nunca tivesse tido uma inf�ncia como a que tive naquela regi�o nunca pintava o que estou a pintar. Esta pintura n�o � feita de recorda��es imediatas da inf�ncia, mas o que me leva a faz�-la � essa viv�ncia de inf�ncia, a mem�ria de um lugar a que eu preciso de voltar ciclicamente para ver como est� aquilo, o que mudou, como est�o as pessoas...�

Gra�a Morais


Maria, 1996
pastel, colagem/tela, 200 x 144 cms

Pelas ruas e avenidas
O pa�s inteiro se enche de verde e vermelho.
Cores de esperan�a e de mar. Cores de for�a, coragem e alegria.
Vive-se o patriotismo e quem n�o tem bandeira come�a a sentir-se mal. A oferecerem bandeiras a cada esquina quem n�o tem � mesmo porque n�o acredita!!
Eu �n�o vou muito � bola� (express�o muito ajustada nestes dias) com estas demonstra��es. Gosto de Portugal e, ainda que tenha os seus defeitos, eu gosto! Vivo esse meu gosto de outras formas.
Mas tenho estado atenta� e desculpem, mas patriotismo assim n�o � um pouco distorcido?


estranheza recorrente...

os nomes ausentes




(Pedro Cabrita Reis, Absent Names, foto: PCR Studio/T�nia Sim�es)

epit�fio
"Quem tem medo das tempestades acaba a rastejar".

Hor�cio

Morreu Lino de Carvalho (1946 - 2004)


Um dos mais respeitados deputados do Partido Comunista durante 17 anos, vice-presidente da Assembleia da Rep�blica. Morreu vit�ma de cancro com 58 anos. Acaba "uma vida em nome de causas", sendo conhecido anti-fascista, activista nas lutas estudantis, lutador pela democracia e pelos direitos do povo. Pessoa que lutava pelo aquilo acreditava. Protagonista na concretiza��o da reforma agr�ria: "Reforma Agr�ria - da Utopia � Realidade" foi o seu �ltimo testemunho escrito.

Morreu Ray Charles (1930 - 2004)


Seguem-se os grammies ganhos por este artista ao longo de mais de 30 anos de carreira, com os anos, o pr�mio, de que m�sica ou alb�m.

1960: Best Vocal Performance Single or Track - Male: Georgia On My Mind
1960: Best Vocal Performance Album - Male: Genius of Ray Charles
1960: Best Performance by a POP Single Artist: Georgia On My Mind
1960: Best Rhythm & Blues Performance: Let The Good Times Roll
1961: Best Rhythm & Blues Recording: Hit The Road Jack
1962: Best Rhythm & Blues Recording: I Can't Stop Loving You
1963: Best Rhythm & Blues Recording: Busted
1966: Best Rhythm & Blues Recording: Crying Time
1966: Best Rhythm & Blues Solo Vocal Performance - Male or Female: Crying Time
1975: Best Rhythm & Blues Vocal Performance - Male: Living for the City
1990: Best Rhythm & Blues Performance by a Duo or Group with Vocal: I'll Be Good To You
1993: Best Rhythm & Blues Vocal Performance - Male: A Song For You

A melhor homenagem � sua vida � saber que a sua obra musical n�o morrer�: homem nascido "num sul segregacionista" morrendo em Beverly Hills, fez f� a um "sonho americano" t�o poucas vezes cumprido. Todos reconhecemos facilmente os seus �culos escuros e sorriso largo enquanto cantava ao piano, imagem de marca deste homem que amava o que fazia.

Hoje bebo Super Rock
Pixies


Massive Attack


Lenny Kravitz


Fat Boy Slim


10.6.04
Dia de Portugal
O Portugal futuro

O portugal futuro � um pa�s
aonde o puro p�ssaro � poss�vel
e sobre o leito negro do asfalto da estrada
as profundas crian�as desenhar�o a giz
esse peixe da inf�ncia que vem na enxurrada
e me parece que se chama s�vel
Mas desenhem elas o que desenharem
� essa a forma do meu pa�s
e chamem elas o que lhe chamarem
portugal ser� e l� serei feliz
Poder� ser pequeno como este
ter a oeste o mar e a espanha a leste
tudo nele ser� novo desde os ramos � raiz
A sombra dos pl�tanos as crian�as dan�ar�o
e na avenida que houver � beira-mar
pode o tempo mudar ser� ver�o
Gostaria de ouvir as horas do rel�gio da matriz
mas isso era o passado e podia ser duro
edificar sobre ele o portugal futuro


(Ruy Belo in Homem de Palavra[s], 1969)

9.6.04
Uma explica��
N�o tenho nada contra "os jornalistas", mas tenho coisas a criticar nos "maus jornalistas": confesso que a� "os jornalistas" ganham costas largas porque os trato na generalidade (mea culpa). A verdade � que se diz muitas vezes mal de "os pol�ticos" e muitas vezes os "maus jornalistas" s�o bem piores que os "maus pol�ticos".

"No curto espa�o de tempo" (repito) em que estive a ver as not�cias sobre a morte do Professor Sousa Franco estava a haver mau jornalismo: porque se questionava amigos pol�ticos (Dr. M�rio Soares, Dra. Maria de Bel�m e Dr. Dias Loureiro) do Professor Sousa Franco sobre a poss�vel mudan�a no sentido de voto dos portugueses no pr�ximo domingo. Qualquer um deles respondeu que n�o era altura para se falar nisso (e pelo que a In�s diz, o Dr. Guterres tamb�m assim o fez). Acho que faz parte da �tica jornal�stica n�o fazer aquele tipo de quest�o a amigos naquela altura (exactamente pela "emotividade"); deixar passar algum tempo para porem essas quest�es e especula��es.

Talvez tenha escrito a quente, e portanto sem pormenorizar quando tinha sido e em que circust�ncias (mea culpa II). Passei o dia fora e s� soube agora que aquele sururu que vi de manh� se passara devido aos diferendos entre Narciso Miranda e Manuel Seabra, ambos do PS. Desliguei logo a televis�o porque me pareceu absurdo naquela altura dar aquela din�mica � not�cia, ainda acho!

As imagens d�o azo facilmente a interpreta��es diferentes: as imagens que vi mostravam o Dr Sousa Franco a receber beijos e a amparar-se em Narciso Miranda. Estava claramente cansado e tamb�m estaria (mas eu n�o sabia pelo que vi) a sentir "o agastamento pelo que estava a viver (empurr�es, insultos, agress�es)".

Isto tudo porque uma explica��o ao coment�rio do Marujo se justificava.

quanto vale uma not�cia!?

Morreu o Professor Sousa Franco, em campanha e de ataque card�aco.

As televis�es mostram sucessivamente (e cansativamente) as mesmas imagens de Sousa Franco hoje em Matosinhos esfor�ando-se por mostrar simpatia a toda a gente mas com um profundo cansa�o imposs�vel de esconder. As perguntas dos jornalistas (tanto na RTP, como na Sic e na Sic not�cias) no curto espa�o de tempo em que estive com a televis�o ligada, queriam todas saber se esta morte iria alterar o sentido de voto dos portugueses. A classe jornal�stica n�o tem escr�pulos!? Shame on you.

Paz � sua alma, professor Sousa Franco.

ps: h� sempre um excessivo esgotar destas mortes, lembro-me por exemplo da morte do F�her. Sede de m�rbido!?

8.6.04
Falando da vida
As pessoas l� v�o falando da vida, falam da vida na paragem, na rua, falam da vida enquanto comem, enquanto dan�am e enquanto n�o fazem nada.
As pessoas movimentam-se na cidade. O dia todo, mais ou menos felizes, elas movimentam-se e falam da vida. �� assim a vida�, �� sorte!�, �C� andamos�.
E algumas s�o gargalhadas de frescura nestes dias quentes, cantam e desarmam o pior dos humores. Um piscar de olho c�mplice onde a cumplicidade � apenas um instante.
Outras. Falam. Falam tanto. Descrevem todo o seu dia, todo o seu tempo, tudo com fastio, tudo com um massacre dengoso dos dias que passam e n�o perdoam. Parecem querer convencer o mundo de que a sua vida � a mais sofridamente criada.
H� as que falam das rugas, sim que a vida traz as rugas. Linhas que se tra�am. Falam do fugir da velhice, dos filhos que desnaturadamente seguem o seu caminho.
Outras h� que se proclamam vencedoras, por elas tudo � conquistado e vencido. Sente-se a tristeza de quem conquista coisas que n�o quer de facto.
H� quem se deixe dormir. Na moleza do dia para qu� conversar?

Eu hoje estou bem disposta e nada o faria prever! Deixo-vos esta letra em homenagem a toda a gente que refila mesmo sem raz�o!


A galinha d' Angola
Vinicius de Moraes / Toquinho

Coitada, coitadinha
Da galinha-d'Angola
N�o anda ultimamente
Regulando da bola

Ela vende confus�o
E compra briga
Gosta muito de fofoca
E adora intriga
Fala tanto
Que parece que engoliu uma matraca
E vive reclamando
Que est� fraca

Tou fraca! Tou fraca!
Tou fraca! Tou fraca! Tou fraca!

Coitada, coitadinha
Da galinha-d'Angola
N�o anda ultimamente
Regulando da bola

Come tanto
At� ter dor de barriga
Ela � uma bagunceira
De uma figa
Quando choca, cocoroca
Come milho e come caca
E vive reclamando
Que est� fraca

Tou fraca! Tou fraca! Tou fraca!

um ministro 24 sobre 24 horas
Fic�mos recentemente a saber que o nosso ministro da sa�de � um homem dedicado � profiss�o. Trabalha, como os m�dicos homens, 24 sobre 24 horas. N�o come, n�o dorme e mais importante, n�o cuida da casa e n�o tem vida familiar. Um bom ministro da sa�de trabalha, pelo menos, tanto como os m�dicos homens!

Se n�o fosse ministro, riamo-nos das alarvidades machistas e mis�ginas. Como � ministro exigimos mais. Exigimos que se retrate e explique o que raio lhe vai pela cabe�a. Ou que se demita. Por isso mesmo espalhamos um abaixo assinado que tem andado a circular por e-mail. Para assinar basta enviar um e-mail para mulheresmedicina@sapo.pt dizendo: �Subscrevo o texto - "Mulheres em Medicina sim, retrocessos n�o", que tem como primeira signat�ria Ad�lia Pinh�o�.

7.6.04
Faltam 5 dias...
...para as elei��es europeias!

Nada de novo: debates com poucas ideias; absten��o com n�veis vergonhosos - dia 13 de Junho vai mesmo tudo para a praia. (leia-se o post Ver�o Quente de Miguel Vale de Almeida). PSD e PS cada vez mais se assemelham e n�o � nas qualidades; com o PSD a ter a desvantagem de andar com o PP atrelado.
A CDU tem uma l�der que trabalha muito num partido desgastado, sem din�mica em que as directivas da Uni�o Europeia nunca assentaram bem.
O CDS-PP � de longe quem tem perdido mais votos, talvez como resultado do trabalho dos tr�s ministros que tem no governo; as diferen�as face ao colega de coliga��o "for�a portugal" na leitura europeia t�m tentado ser escamoteadas sem sucesso.
O Bloco de Esquerda tem sido quem tem ganho mais votos. Fala-se numa ultrapassagem � CDU e ao CDS-PP, e Miguel Portas j� ousa falar em um... dois eurodeputados.

Isto numa altura em que a Uni�o Europeia est� com quest�es importantes em cima da mesa: a Constitui��o Europeia, as quest�es do terrorismo, os resqu�cios do Iraque, a possibilidade de cria��o de uma for�a armada europeia, dez pa�ses entrados de fresco.

Pacheco Pereira, eurodeputado, tem dois post's sobre as acusa��es de desinteresse geral face �s elei��es - quando � que os senhores jornalistas autorizam que a campanha eleitoral seja sobre qualquer coisa que n�o seja os "insultos"? - que aconselho a ler .

Portugal na Europa? �� mais bolas!�

(dis)paridade
A pol�tica de quotas vem de novo � baila enquanto solu��o. Desta vez relativamente ao curso de medicina, o nosso curso mais medi�tico; antes, por causa do n�mero de mulheres no parlamento. S�o discuss�es bem diferentes com propostas de solu��o iguais.

47 deputadas em 230 deputados. A pol�tica de quotas para a Assembleia da Rep�blica seria uma forma de encurtar a diferen�a face ao g�nero feminino; um salto para que o equil�brio que se vem tentando (?) em todos os sectores da nossa sociedade (embora os lugares de topo continuem a ser fechados numa sociedade de cultura patriarcal e machista) se fa�a sentir no principal �rg�o legistlativo do Estado Portugu�s. Zona onde o exemplo contra a discrimina��o deve ser evidente! Seria uma pol�tica que incidiria sobre os partidos pol�ticos, onde a carreira ainda � feita pelos/entre homens, e que obrigaria esses partidos a apresentar um n�mero mais nivelado entre homens e mulheres nas suas candidaturas.

N�o podemos, obviamente, comparar a situa��o anterior com a pol�mica que se criou na �ltima semana acerca de quotas para homens no curso de medicina.
Foi atrav�s de uma afirma��o de Ant�nio Sousa Pereira, m�dico e presidente do conselho directivo do Instituto de Ci�ncias Biom�dicas Abel Salazar (ICBAS) no Porto, que foi taxativo ao dizer que caso a situa��o actual n�o se altere "ter�o de ser criadas quotas para os homens nestas faculdades", que a discuss�o despoletou.

Germano de Sousa, o Baston�rio da Ordem dos M�dicos, conseguiu ao n�vel do abstracto mostrar um politicamente correcto de elogiar. Quando a quest�o passou para o n�vel do concreto Germano de Sousa trouxe at� um novo dado � quest�o: "a maternidade afasta as mulheres do servi�o e tira-lhes alguma da capacidade de doa��o � profiss�o" insinuando assim que as mulheres m�dicas nunca ter�o uma presta��o com o mesmo n�vel dos m�dicos homens.

Lu�s Filipe Pereira, ministro da Sa�de, n�o descartou a hip�tese de serem criadas quotas masculinas para contrabalan�ar o peso das mulheres na �rea m�dica, e disse mais: "as mulheres est�o menos dispon�veis para uma profiss�o que requer 24/24 horas, porque t�m as responsabilidades dom�sticas e familiares."

Um grupo de M�dicas e Feministas vieram a p�blico afirmar a sua �bvia recusa desta posi��o do ministro da Sa�de exigindo que ele se retracte ou se demita. Eu j� assinei a peti��o que criaram (mulheresmedicina@sapo.pt).

� caso para dizer-se que agora que o conceito de Paridade conv�m, aparece a disfar�ar um desejo de poder t�o machista!!!

6.6.04
"eu mesmo escolhi o meu destino"
Querida m�e: De todas as pessoas que conhe�o a m�e � a que vai sentir mais, por isso os meus �ltimos pensamentos s�o para si.
N�o culpe mais ningu�m pela minha morte, eu mesmo escolhi o meu destino.
N�o sei que escrever-lhe porque, apesar de ter ideias claras, n�o encontro palavras certas. Assumi o meu lugar no Ex�rcito de Liberata��o e morro quando a luz da vit�ria j� come�a a brilhar. Vou ser fuzilado daqui a pouco com 23 outros camaradas.
Quando terminar a guerra deve exigir o seu direito a uma pens�o.
Eles entregar-lhe-�o as minhas coisas na pris�o, mas fiquei com o colete do pai, porque n�o quero que o frio me fa�a tremer.
Mais uma vez lhe digo adeus. Coragem!
O seu filho,
Spartaco

(Spartaco Fontanot, metal�rgico, 22 anos, membro do grupo resistente franc�s de Misak Manouchian, Paris 1944)

H� 60 anos morriam nas praias da Normandia muitos outros que escolheram o seu pr�prio destino, marcando t�o indelevelmente o nosso. Resta-nos agradecer-lhes, fazer mem�ria e escutar o Jorge de Sena: "o mesmo mundo que criemos / nos cumpre t�-lo com cuidado, como coisa / que n�o � nossa, que nos � cedida / para a guardarmos respeitosamente / em mem�ria do sangue que nos corre nas veias, / da nossa carne que foi outra, do amor que / outros n�o amaram porque lho roubaram."

�frica
"�ramos mais de 20, entre passes e senhas, naquela paragem batida pela chuva. Segunda-feira, 8.30h.
O sil�ncio falava t�o alto que se ouvia o respirar e o respirar via-se, branco de vapor gelado.
O autocarro n�o vinha e o sil�ncio engrossava. O Pecado Original revelava-se em todas as bocas fechadas. Por causa desse Pecado long�nquo � que n�s ali est�vamos. Se n�o fosse esse Pecado que "outros" cometeram n�s estar�amos onde, verdadeiramente, quer�amos estar: na cama, no quentinho, longe da condena��o do trabalho. Ningu�m dizia nada mas todos est�vamos a rogar pragas ao pai Ad�o e � m�e Eva.
Por fim, l� veio o 7. T�o cheio, mas t�o cheio que parecia n�o caber nem mais um ai. Ficou provado, como sempre fica, que o Portugu�s � el�stico e o seu corpo tem uma massa inversamente proporcional ao n�mero de pessoas concentradas numa determinada �rea.
L� entr�mos todos, l� coubemos todos. Como nunca, eu que nem sou dos mais pequenos, me senti submerso, rodeado, cercado, prensado, inamov�vel.
Avaliei a situa��o mas n�o tive tempo para me afligir. Por sobre o meu ombro esquerdo poisou um redondo, enorme, firm�ssimo e macio. Mas t�o grande e poderoso que o seu doce peso e o seu agrad�vel quentinho se transmitiram ao meu ombro e, pouco a pouco, se fez a calma no meu ser.
Atr�s de mim, alt�ssima, grandiosa, com enorme majestade, uma negra apoiava o seu seio no meu ombro.
Mais uma vez, como tantas vezes no passado, a Grande M�e �frica veio em aux�lio da velha Europa."


Donde veio este curt�ssimo conto escrito por J.P. existem muitos mais. Todos eles de linguagem simples, cheios de humor subtil e descrevendo com caricaturas preciosas e inteligentes de quem observa um dia-a-dia portugu�s no autocarro 7. J.P. foi uma bel�ssima prenda na minha vida, pessoa que a engrandece dando-lhe leveza. Vou tentando recolher devagarinho os ensinamentos exemplares que me vai passando no seu jeito pr�prio de viver. Um obrigado a ele pela ced�ncia deste texto.

6 de Junho de 1944
.

Robert Capa
Dia D, 1944
Impress�o a gelatina e brometo de prata
22,7X34,1 cm

Gruber collection

Ainda a fotografia se passeava pelas impress�es a brometo de prata, e j� se tornava num dos mais importantes documentos representativos da express�o da guerra. E � aqui que Robert Capa adquire um papel preponderante na hist�ria da fotografia. A sua coragem na procura do retrato real nos mais dificeis cen�rios de guerra valeu-lhe o reconhecimento, principalmente depois das fotografias da guerra civil espanhola terem circulado pelos mais conhecidos jornais europeus.( ver a "Morte de um realista espanhol" - a mais pol�mica de todas).
Acaba por adquirir o gosto pelas reportagens de guerra e viaja por v�rios conflitos (China, It�lia, Fran�a, Israel, entre outros).
As mais famosas fotografias de Capa s�o do desembarque na Normandia em 1944.Onde exp�e claramente a sua investiga��o, no revelar dos limites da actua��o do ser humano entre o "desejo de viver" e a "�nsia de se autodestruir".
Capa acabaria por falecer um ano depois, a uma semana do 1� anivers�rio do dia D,fatalmente ferido na guerra do Vietname.
Ironicas foram as suas palavras:
"Se as fotografias n�o s�o suficientemente boas, � porque n�o se est� suficientemente perto"

Acabando por se tornar no mais consagrado rep�rter de guerra do s�culo passado. A sua obra jamais poder� ser esquecida como um dos mais profundos manifestos contra a guerra.

Aqui fica o meu.

3.6.04
a prenda
Sem dispensar a outra prenda, aqui fica um peda�o da "Chanson de la Plus Haute Tour", de Rimbaud. Para algu�m que sabe que a vida s� vale a pena se a soubermos perder por delicadeza!


Oisive jeunesse
� tout asservie;
Par d�licatesse
J' ai perdu ma vie.

Ah! Que le temps vienne
O� les coeurs s'�prennent.





"dar outro destino � aus�ncia de amor"
A �ltima Terra da Alegria traz-nos muitas e boas leituras. N�o vou fazer a recens�o completa, ainda que vontade n�o faltasse.
O Miguel escreve sobre "a interrup��o volunt�ria do di�logo", a prop�sito do n�odebate que foram as �ltimas discuss�es sobre a interrup��o volunt�ria da gravidez. Pedro Strecht foi um dos que recusou a dicotomia do "tudo ou nada", num texto fabuloso chamado "dar outro destino � aus�ncia de amor" que acaba assim:

�Acordaremos para formar sociedades melhores quando soubermos dar ao mal-estar, � solid�o, � tristeza, enfim, numa s� frase, � aus�ncia de amor, um outro destino. Quando estivermos mais aptos a apoiar e a integrar do que a isolar ou excluir. Mais � vontade para compreender do que para punir. Mais activos em tudo aquilo que simboliza vida, sendo que vida n�o � apenas a aus�ncia de uma morte f�sica, porque h� mortes ps�quicas que n�o se contabilizam. Todos unidos em torno dos fr�geis, dos que se sentem t�o mal que preferem o horror de mais um sofrimento a seguir em frente, quando seguir n�o significa nada de bom para quem fica, pois muitas vezes, quando h� um aborto, n�o morre apenas um futuro ser. Morrem quase sempre dois, por vezes tr�s, pois quem fica n�o fica mais igual. E isto n�o � uma ou outra lei que muda.�

ainda sobre o horizonte do infinito e o abandono de Deus
O Timshel comentou o meu post sobre "o horizonte do infinito", colocando "muitas d�vidas sobre o Deus do longo prazo". Entretanto apareceu um post do Manuel sobre os s�tios bonitos onde alguns v�em Deus e que simultaneamente lembram sofrimento a outros, que nunca ver�o Deus ali. Atr�s disto vieram interessantes coment�rios de v�rias gentes. O Timshel criou o conceito da "quasi-omn(im)pot�ncia de Deus". O Jos� explica que "o princ�pio da incerteza de Heisenberg tem um significado profundamente teol�gico". E remata a discuss�o sobre o sofrimento:
�Deus criou-nos como filhos para vivermos em liberdade e n�o numa redoma como mascotes. Aceitando isto podemos talvez perceber que o sofrimento n�o � um castigo nem a prova duma aus�ncia, podemos talvez perceber que o sofrimento deve ser uma oportunidade de ter consci�ncia da precaridade da nossa exist�ncia terrena, uma oportunidade de, tendo maior consci�ncia da nossa condi��o humana, nos aproximarmos de Deus. Seguramente que esta consci�ncia nos eleva e alivia o sofrimento. Mas em caso algum diminui a nossa responsabilidade de aliviar o sofrimento do pr�ximo.�

Retomemos o Jo�o Bernard da Costa, agora sobre o grito de Jesus na Cruz: "Pai, Pai, porque me abandonaste?": "No imediato da agonia e da morte, o Filho do Homem, que Ele tamb�m era, deixou de ver o tempo todo (ou s� viu outro tempo todo, o nosso). E sentiu o terr�vel abandono de Deus, a terr�vel solid�o de Deus."
Recordo uma interven��o do Edgar Silva, numa Sess�o de Estudos do MCE em que nos falava do abandono de Deus:
�N�s estamos, consciente ou n�o, muito influenciados por uma vis�o da hist�ria que ainda � a vis�o do milagre. Uma vis�o da vida em que o mundo e a hist�ria ainda dependem muito de Deus, da possibilidade de Deus intervir, acontecer e fazer. E estamos ainda a sofrer as dificuldades de aceitar um dos elementos fundamentais da nossa experi�ncia crist�, que � a ideia de que a hist�ria est� nas nossas m�os, depende fundamentalemente de n�s. Deus abandonou-nos irremediavelmente e este abandono faz com que a constru��o da hist�ria, a constru��o da vida, a transforma��o dos acontecimentos, dependa apenas de n�s e do nosso agir (...). Essa � talvez a grande novidade de Jesus Cristo: Ele vem desdivinizar a hist�ria, vem profanizar os acontecimentos, deixando-os nas nossas m�os. (...) Eu acho que s� mesmo Deus poderia confiar assim, com esta imensid�o na liberdade humana.�

Onde fica o tal "horizonte do infinito" depois disto tudo? O agir crist�o tem um objectivo claro: construir a Terra da Alegria, transfigurar a cidade, torn�-la uma cidade nova onde todos tenham vez e voz. E esse agir transformador s� � poss�vel porque existe um horizonte ut�pico de esperan�a - os Futuros que nos espreitam. � a isto que se chama, na linguagem teol�gica, o Reino de Deus. Que paradoxalmente n�o � deste mundo, mas aqui come�a. Como paradoxalmente o Deus omnipotente insite em respeitar a nossa liberdade. Paradoxos e paradoxos. Como Deus ser amor e ser terr�vel. Como o princ�pio da incerteza. Como come�ar a falar de sofrimento e acabar em esperan�a. Como algu�m ter morrido e ressuscitado.

2.6.04
Trap�zio (enquanto se l� o Salto Mortal)
Contamos segundos
Instantes escassos
Ca�mos mil vezes
Seguidas de abra�os.
A dan�a � divina
Ela vive no ar
Ela voa sem asas
N�o quer aterrar.

� bom
Arriscar o salto e Planar,
Sentir de novo emo��o...

� t�o bom
Saber que a morte � falhar
Voar de encontro � tua m�o.

Aqui, no trap�zio
A rede � distante
O meu horizonte
� um bra�o errante.
Despimos as horas
Perdidos no espa�o,
Entre o rugir de um le�o
E o choro de um palha�o.

� bom
Arriscar o salto e Planar,
Sentir de novo emo��o...

� t�o bom
Saber que a morte � falhar
Voar de encontro � tua m�o

(Jorge Palma)

Um presente

(para o Pedro Novo de Willy Ronis)

O homem que veio da Terra dos Sonhos
Dele ou se gosta muito ou n�o se gosta nada (fala-se dele com desd�m como se fosse de um tempo passado, um bebedola, algu�m que tocou no metro - porque quem � bom n�o toca no metro).

Eu incluo-me no primeiro grupo: fui conhecendo, olhando as letras, escutando as m�sicas, trocando esse gosto com outros que o admiram, assisti a alguns concertos e tornei-me um publicit�rio convicto da obra deste homem. Enjoa-me quem diz mal da forma dele cantar, escrever, tocar: s� se n�o conhecem bem � que podem dizer coisas destas, sinto-me ofendido!

� daqueles m�sicos que criam empatia entre f�s: conhecer algu�m que gosta de Jorge Palma � � partida aumentar a curiosidade para essa pessoa, "ele gosta de Jorge Palma? tenho que falar com ele, � de certeza uma pessoa interessante, que belo gosto!"

Escreve letras maravilhosas (Can��o de Lisboa, D�-me Lume, Deixa-me Rir, Essa mi�da, Fr�gil, Jeremias: o fora da lei, Minha Senhora da Solid�o, O lado errado da noite, O meu Amor existe, Estrela do mar, Picado pelas abelhas, e tantas mais) e � um excelente m�sico: quem nunca assistiu ao show de piano que se sinta invejoso de mim.

Ele n�o � pessoa de grande marketing � sua volta (pelo menos, no sentido normalmente usado da palavra); cultiva uma faceta de homem da noite, que gosta de uns copos (tentou v�rias vezes a desintoxica��o que s� agora parece estar a ter bons resultados), que j� experimentou drogas, com a imagem de marca ser o ar de concerto de blus�o de cabedal ou t-shirt desarranjada e um sorriso de satisfa��o envergonhada.

As letras dele transmitem experi�ncia de vida, a dele!? S�o letras que t�m tristeza e melancolia, desgostos de amor, interven��o pol�tica e algum lirismo como o mais comum dos mortais; falam de pessoas humanas, que sentem, que sofrem, que choram, que s�o pessoas. Ironiza com a vida, muitas vezes amargurado outras tantas em tom de brinde.
N�o � menino bem comportado, nem populista; mas tem um charme imenso.

Li uma crit�ca no P�blico quando sa�u o �ltimo cd que passo a citar: "Jorge Palma n�o foge das palavras e vai ao cerne do seu assunto preferido: a liberdade enquanto utopia de um humanismo exacerbado, capaz de celebrar a vida ao mesmo tempo que assume a pose do resistente".

procurar o horizonte do infinito
Remexi a colec��o da "Folha de Liga��o", mas n�o apareceu o texto que o Pedro me tinha pedido. Apareceu outra coisa, entre os recorte de jornais. Jo�o B�rnard da Costa, citando Odon Von Horvath, sobre uma outra provoca��o do tal fulano que nos disse para aprendermos a desaprender - procurar o horizonte do infinito:

�Diz o padre: "Deus vai por todos os caminhos". Objecta o professor: "Como � que Deus pode passar pelo caminho em que vivem estas crian�as miser�veis, v�-las e n�o as ajudar?" "Ele calou-se. Bebeu do seu vinho a lentos goles meditativos. Depois olhou-me de novo: 'Deus � o que h� de mais terr�vel no mundo'". O professor ficou t�o estupefacto que nem acreditou no que tinha ouvido. (...)
Os acontecimentos s�o-nos incompreens�veis porque queremos julg�-los imediatamente, antes de lhes conhecermos todos os prolongamentos e consequ�ncias. Mas para Deus n�o h� o "imediatamente" (...). H� o tempo todo, todo o passado, todo o presente, todo o futuro. E � isso que � terr�vel. "O mais terr�vel do mundo".�


("P�blico", 23/09/2002)

1.6.04
Algumas d�vidas minhas...
A respeito de uma frase minha no fim de um post meu do dia 28 de Maio acerca do novo filme do Almod�var: "De qualquer maneira, um homossexual n�o tem que pedir autoriza��o a uma sociedade heterossexualizada para existir, nem desculpa se chocou algu�m, pois n�o?" comentou uma amiga minha que eu falava como algu�m que diz de um mi�do com muito mau aspecto "coitadinho, ele n�o tem culpa de ter nascido".

N�o era isso que eu queria dizer. O que eu queria demonstrar � que falamos muitas vezes em homossexualidade com cuidado, com medo de p�r o p� na po�a, somos "o politicamente correcto". N�o se pode atacar um homossexual por nada do que ele fa�a face ao sexo porque estamos a discriminar.

H� uma discrimina��o que pode ser muitas vezes positiva, mas que n�o invalida que existam muitas vezes atitudes dos homossexuais que merecem de facto rep�dio: usar o sexo de maneira pornogr�fica n�o � uma boa maneira de ver o sexo para mim.

N�o digo com isto que vejo sempre o sexo com amor acarretado... mas um filme que faz do sexo uma maneira de gerar pol�mica e chocar quem o vai ver, n�o me parece que seja um filme que ajude � luta dos homossexuais por direitos iguais e inclus�o. E uma pessoa como o Almod�var deveria perceber isso, afinal tenta-se a inclus�o mas estamos num tempo em que estamos a tentar, ora ele sabe que o que vai provocar aquele filme � indigna��o e n�o compreens�o. O "pois n�o?" final da minha frase pretendia, neste sentido, funcionar apenas como provoca��o.

"Salto Mortal" � um livro que li e de que gosto imenso, foi escrito por Marion Zimmler Bradley. A hist�ria passa-se entre dois trapezistas voadores de um circo que se apaixonam, se amam. Fala do amor deles e do trap�zio como arte. � uma hist�ria muito bonita que me fez compreender melhor o Amor entre homossexuais. Esse livro parece-me uma �ptima maneira de repudiar os preconceitos de hetero e homo sexuais; o filme do Almod�var, a meu ver, faz exactamente o contr�rio.

Pe�o desculpa se pare�o t�o rid�culo quanto um preconceituoso a tentar ser despreconceituado.

"E beijava a fonte fria a todo o travo"
Os 3 textos anteriores de Pico della Mirandola, Jos� Afonso e Alberto Caeiro que partilhei convosco eram uma prepara��o deste post:

"tudo o quanto penso, tudo o quanto sou
� grande, � imenso, � tudo o que dou
e ao d�-lo recebo e fico maior
do que sou quando me nego"
(S�o dias que passam, H�lder Ribeiro)

Tinha 18/19 anos e pouco sabia das maneiras diferentes de viver e pensar, estava confinado a um lugar muito bonito com Mar e Serra onde vivia e vivo: Colares, Sintra onde "a cultura � s� paisagem".

Entrei nessa altura, desafiado pela minha irm�, para fazer o CIFA (curso intensivo de forma��o de animadores) na aldeia do Talasnal na serra da Lous� (merece uma visita para quem n�o conhece). Sem saber bem para o que ia. Come�ava assim para mim o Mocamfe.
Cresci imenso com ele. Fez-me pensar, gostar de pensar; ensinou-me a responsabilizar-me pelas coisas, pelos outros, pelos futuros; tornou-me exigente. Deu-me gosto em fazer coisas com/para os outros. Cozinhar, montar tendas, dar banhos, dormir pouco mas "porque os mi�dos est�o � espera de um amanh� grandioso"; ganhei consci�ncia pol�tica.

Continuo com ele porque tenho a certeza que � algo raro, que vale muito a pena, e como agradecimento ao privil�gio que tive que quero que os outros tamb�m o possam ter.

Continuo com ele porque h� partilha de ideias e vontades, porque l� entendo outros ritmos/tempos/espa�os, e porque, nas palavras de Jo�o Keating, h� "(...) espa�o para as pessoas se aperceberem o quanto ficam diferentes quando est�o t�o pr�ximas de outras(...)"

O que � que o Mocamfe tem para dar? "(...) talvez n�o seja muito importante sermos bons actores, bons m�sicos, bons encenadores, bons escritores e poetas, e por a� fora, o que importa � que as pessoas se descubram a si pr�prias ao representar, ao tocar e cantar, ao escrever e recitar (...)"

� s� um movimento de campos de f�rias.
Ou talvez n�o.

Aprender a desaprender
Aprendei antes mais:
- Que n�o h� nada a aprender. N�o vos atarefeis, portanto, em tirar notas, em consultar bibliografia, em acumular saber. Quanto menos souberdes, mais sabereis. Quanto mais souberdes, menos sabereis.
- Que h� duas esp�cies de regras: as que limitam e atrofiam e as que indicam as condi��es necess�rias para fazer boa viagem (como, por exemplo, n�o carregar demais o saco, n�o partir antes do tempo, consultar o c�u para saber que tempo far�, escolher com cuidado os companheiros de percurso). Rejeitai as primeiras, mesmo que vos sejam apresentadas como absolutas. Segui as segundas, mesmo que vos digam que s�o relativas.

Aprendei que nenhuma regra produz a verdade, que o horizonte permanece sempre horizonte (mesmo que mude de cor ao longo do caminho), que n�o � bom para o homem estar s�.

Aprendei a respirar, a comer, a dormir, a falar e a calar-vos. Aprendei a ler. Aprendei a servir-vos bem dos vossos olhos, dos vossos ouvidos e das vossas m�os. Aprendei a aguentar-vos de p�. Aprendei o que � a alma � sem risos nem tro�as ignorantes!

Aprendei, pois a desaprender: � isso, sem d�vida, o mais dif�cil.

N�o tenhais pressa, tomai todo o tempo de que precisardes: de nada vos serve correr. Mas avan�ai sem demora: o tempo � curto e a urg�ncia urge.

E se n�o chegardes ao fim, n�o vos desencorajeis: �s vezes chega-se ao cimo atrav�s de atalhos, atinge-se a meta quando se pensa que se est� ainda nos primeiros passos.

De resto, o que fizerdes de melhor, f�-lo-eis, talvez, com o pior de v�s mesmos.


Maurice BELLET, Le lieu du combat, Descl�e, Paris, 1976


Gosto de recordar este texto. tenho-o lido em v�rias alturas desde o ano em que um amigo mais velho nos provocou com ele. Engra�ado como ganha sentido nas diferentes fases da minha vida. Amanh� tenho a primeira frequ�ncia da �poca. Para quem n�o sabe estudo o apelidado "curso dos marr�es" e sou incapaz de decorar.


Luis Gonzalez Palma
The Critical Gaze, 1998

O Futuro? XII


Quem �s? 52 anos passados...

Fotografia Henri Cartier-Bresson, 1952

o tempo... V


Com que Voz

Com que voz chorarei meu triste fado,
que em t�o dura paix�o me sepultou.
Que mor n�o seja a dor que me deixou
o tempo, de meu bem desenganado.

Mas chorar n�o estima neste estado
aonde suspirar nunca aproveitou.
Triste quero viver, poi se mudou
em tisteza a alegria do passado.

Assim a vida passo descontente,
ao som nesta pris�o do grilh�o duro
que lastima ao p� que a sofre e sente.

De tanto mal, a causa � amor puro,
devido a quem de mim tenho ausente,
por quem a vida e bens dele aventuro.

M�sica de Oulman
Poema de Cam�es
Voz de Am�lia

Lagrimas Nossas
Assim � o nosso fado... o dicion�rio da Saudade!

Fotografia de Henri Cartir-Bresson, 1965

o tempo... IV


" O tempo da vida ser� inven��o cont�nua, aprendizagem perp�tua, emerg�ncia ininterrupta de novidade, por vezes, segundo parece, com fases de regress�o intempestivas. O que tem esse tempo de comum com os tiquetaques repetitivos e isolados que constituem o tempo mon�tono dos f�sicos?"

�tienne Klein

Fotografia de Robert Doisneau
Pra�a de Vert-Galant, 1950

o tempo... III


" Sinto-me mal... com o meu tempo!"

Paul Val�ry, L'�d�e Fixe
Fotografia
Robert Doisneau
O prisioneiro Barbaro e a deusa Venus, jardins de Versalhes
1966

o tempo... II


"a minha vida ia-se, mas eu ignorava por onde."

Samuel Beckett, Molloy
Fotografia de Robert Doisneau

o tempo...
"Ai, ai, ai, ai!
Vou chegar atrasado!"


O coelhino dos olhos cor-de-rosa em
Alice no Pa�s das Maravilhas

O Futuro? XI


"Um minuto pesado de t�dio parece mais intermin�vel do que uma volta do rel�gio. Uma vida trepidante impede, pelo contr�rio, que se perceba o tempo passar. O tempo, tal como o experimentamos, raramente se encontra em harmonia com a cad�ncia mon�tona e invar�vel dos p�ndulos.� por isso que usamos rel�gio."

�tienne Klein
Fotografia de Robert Doisneau

"onde est�o os profetas" ?
.



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presentes
a minha buzinadela
Posta matem�tica
Passeio ao fim da tarde
Cercado
Os nossos pol�ticos
Como � costume nele
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A um amigo
Morra o Santana e morra o Portas
descobriram-lhe uma qualidade
o cristianismo n�o � conserva
entre os quartos e as meias-finais... vai uma remodela��ozita?
Causa Nossa (uma leitura da personagem Santana Lopes)
Muro da Vergonha
n�o te iludas...
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O emigrante
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Festa do Solst�cio de Ver�o (post dois em um)
De Milan Kundera
C�o como n�
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Deliciosas Tapas
Jos� Duarte
A avan�ar p� ante p�
Geni e o zepelim
Partido Alto
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Tanto Mar
19 de Junho de 1944
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Pano Cru
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N�o se desculpem � amigos!
Um ri-se e outro fica de trombas
a n�o-pol�tica
Rescaldo (cima baixo) III
Rescaldo (telegr�fico) II. stop.
Rescaldo I - Super Bock Super Rock
Um fim de semana grande
Apela-se ao voto!
Vimo-nos Gregos...
Hoje, nem a filosofia lhes vale!
Gra�a Morais e o ser leve e forte
Gra�a Morais e a morte
Gra�a Morais e o tempo
Gra�a Morais e as origens
Pelas ruas e avenidas
os nomes ausentes
epit�fio
Morreu Lino de Carvalho (1946 - 2004)
Morreu Ray Charles (1930 - 2004)
Hoje bebo Super Rock
Dia de Portugal
Uma explica��
quanto vale uma not�cia!?
Falando da vida
um ministro 24 sobre 24 horas
Faltam 5 dias...
(dis)paridade
"eu mesmo escolhi o meu destino"
�frica
6 de Junho de 1944
a prenda
"dar outro destino � aus�ncia de amor"
ainda sobre o horizonte do infinito e o abandono de Deus
Trap�zio (enquanto se l� o Salto Mortal)
Um presente
O homem que veio da Terra dos Sonhos
procurar o horizonte do infinito
Algumas d�vidas minhas...
"E beijava a fonte fria a todo o travo"
Aprender a desaprender
O Futuro? XII
o tempo... V
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o tempo... III
o tempo... II
o tempo...
O Futuro? XI
"onde est�o os profetas" ?

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