31.7.04
� frente dos nossos olhos
(da Rua da Judiaria)

Um genoc�dio est� a acontecer � frente dos nossos olhos. Patrocinado pelo sil�ncio da Comunidade Internacional, que teve problemas em usar a palavra "san��es" na resolu��o do Conselho de Seguran�a da ONU.

H� muita informa��o em muitos sites e blogs.

Destaco um apelo ao envio de e-mails em massa feito pela Rua da Judiaria a ser lido sem falta aqui. Destaco ainda o portal sobre a situa��o em Darfur.

Os jogos de golf do sr. Bush

Aquando da atribui��o da Palma de Ouro de Cannes ao filme Fahrenheit 9/11 de Michael Moore escrevi aqui que o pr�mio podia premiar a interven��o pol�tica cinematogr�fica e n�o havia problema nenhum nisso.
Hoje fui ver o filme, n�o merecia a Palma de Ouro nem enquanto filme e cinema, nem enquanto document�rio; gostei verdadeiramente mais de "Bowling for Columbine" melhor constru�do e conseguido. Este soube-me a pouco.

Farehneit 9/11 tem racioc�nios facciosos e falta-lhe uma estrutura l�gica na din�mica de ideias de um filme-document�rio, tem demasiadas piadas de bolso embora tenha algumas cenas com bastante humor (veja-se a tentativa de convencer os senadores a inscreverem os seus filhos para o ex�rcito americano e a guerra no Iraque). Tem ainda algumas cenas verdadeiramente espantosas como a presid�ncia por Al Gore, ap�s ter perdido as elei��es para Bush, de um Concelho onde se apresentam sucessivos e in�meros abaixo-assinados por Afro-Americanos contra Bush e a fraude nas elei��es, recusadas por n�o haver uma �nica (e exigida) assinatura de senador ou as v�rias entrevistas feitas a soldados americanos no Iraque que contavam que v�o para os combates a ouvir m�sica ("The roof is on fire" dos Bush). N�o � um filme merecedor de Palma de Ouro mas vale a pena ver.

O p�blico aplaudiu no fim, p�blico que j� sabe ao que vai farto das asneiras do Sr. Bush e de seu estilo guerreiro colonizador; para quem ainda n�o tinha percebido percebe-se claramente toda a estupidez do Bushinho, uma pessoa est�pida como raramente e dificilmente se encontra. Como chega ele a candidato republicano? e como ganha as elei��es? e como ainda est� empatado nas sondagens com Kerry? n�o se percebe nem aqui nem l�

26.7.04
Alegria de segunda-feira
J� est� nas bancas. Num quiosque perto de si. Em Timor, na Guatemala, no Ir�o, na �ndia, numa enfermaria ou numa igreja portuguesa, a Terra da Alegria est� a�. Com pr�mios n�beis e Direitos Humanos, uma odisseia � �ndia, leituras de Jiddu Krishnamurti e medita��es que n�o se ensinam sobre o sofrimento. Por fim, um texto da minha autoria que come�ou por ser sobre a Igreja e os jovens e terminou a falar de leitura crente da realidade. Boas leituras.

PS: depois deste momento publicit�rio, deixo o aviso de que estarei fora durante uma semana.

25.7.04
The Million Faces Petition


"The Million Faces Petition" � uma campanha da Amnistia Internacional, da OXFAM e da IANSA contra a prolifera��o de armas. O objectivo � recolher um milh�o de caras (fotografias) para apresentar na confer�ncia mundial da ONU sobre armamento em 2006, exigindo medidas concretas como um tratado global sobre o com�rcio de armamento. Para "dar a cara" visitar este link ou www.controlarms.org.

"There are around 639 million small arms and light weapons in the world today. Eight million more are produced every year. Without strict control, such weapons will continue to fuel violent conflict, state repression, crime, and domestic abuse. With your help the Million Faces Petition will be the world's biggest popular movement against the misuse of arms."


23.7.04
"Tanta coisa que n�s n�o t�nhamos palavras para dizer"


Hoje acordei a ouvir o "Tejo que levas as �guas" seguido da triste not�cia: morreu Carlos Paredes. Desde 1993 que estava gravemente doente, impedido de tocar guitarra. Hoje deixou-nos definitivamente.
"Tejo que levas as �guas / correndo de par em par / Lava a cidade de m�goas / leva as m�goas para o mar"... Esperemos que as m�goas partam. Para j� o luto continua com a morte de mais um mestre.

Dele h� pouco para citar. A guitarra n�o se cita e ainda bem. Dizia em 1990, esta coisa espantosamente humilde: �As pessoas gostam de me ouvir tocar guitarra, a coisa agrada-lhes e eles aderem. N�o h� mais nada�. Mas havia mais qualquer coisa. Em Coimbra, nos anos 60, Jos� Carlos de Vasconcelos assistiu � actua��o de Paredes na festa da Tomada da Bastilha e do Dia do Estudante que recorda assim:

Enorme, desajeitado, com o seu eterno sorriso t�mido de quem pede desculpa de existir. Sentou-se, aconchegou a guitarra a si, agarrou-se � guitarra e a guitarra a ele, passaram a ser um corpo �nico, um s� tronco de m�sica e de raiva, de sonho e de melodia, de ang�stia e de esperan�a, exprimindo por sons tanta coisa que n�s n�o t�nhamos palavras para dizer.

Tanta coisa que n�s n�o temos palavras para dizer...

22.7.04
Algu�m aluga casa?
Primeiro entregam a pasta do Ambiente a um partido  que tinha no seu programa eleitoral o fim deste minist�rio.
Agora o nosso mais colegial ministro, o Arnaut, at� hoje t�o bem comportado e t�o pav�o do seu Euro, arreganha os dentes e p�e Lu�s Nobre Guedes e o seu minist�rio no olho da rua. Ser� que gritou � janela  "A� vai minist�rio!!!!!" ?

20.7.04
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
uma refer�ncia de coragem, uma mulher!
um av� admir�vel.
um professor muito grande.
um animal que esteve sempre l�.
uma poeta (era assim que ela se definia).
uma amiga de crescimento a par. 
 
as Mortes acontecem, chegam com mais ou menos aviso. aninham-se em n�s, tornam-se parte dos nossos tecidos, do nosso olhar, da nossa forma de criar gestos e de pensar a Vida.
os Mortos deixam-nos. deixam-nos porque partem. deixam-nos porque �nos deixam� um legado de mem�rias, de surpreendentes revela��es ao longo do nosso tempo que continua assim o deles. j� aqui escrevi que os meus Mortos me acompanham, fazem parte da minha hist�ria e principalmente da hist�ria que vir�, que �n�o pode ser travada�.
n�o tenho medo de pensar neles, ali�s, penso neles todos os dias e sinto-me confortada com isso. falo-lhes, partilho a Vida, as decis�es, os momentos de simples descanso num recanto onde me distraio.
temos pouco tempo para viver o luto aqui. a Vida chama-nos de imediato, os amigos e conhecidos agitam-nos para voltarmos �s actividades de sempre, agitam. todos esperam que superemos rapidamente, lidamos mal com o tempo de ficar triste.
sei que em muitas partes de �frica ainda � diferente. as pessoas juntam-se, passam oito dias juntos, h� o contador de hist�rias, h� sempre a Vida revivida, a Vida recontada, o choro, a dan�a, o ritual da luta entre a Vida e a Morte. aquela oscila��o entre o ir� e o ficar. o rir e o gritar. 
e depois, c� aparecem especialistas a explicar, e dizer que � preciso viver o luto� 
e o luto n�o � s� da Morte, pois n�o? tamb�m se vive o luto das separa��es, do amor que acaba, de esperan�as perdidas.
interessa que o ciclo continue e a n�s cabe-nos integrarmo-nos dele, deixar que aconte�a em n�s. assim a Morte a Vida ganham a dimens�o do natural.


desnudo tumbado
nicol�s de st�el, 1952

boas vindas
Chego a casa desde o comboio passando pelas conversas de carro de que gosto. Est� preenchida de luz, bonita. Salta a cadela a cumprimentar, quer festas na barriga. Vem o sorriso e um beijo abra�ado de quem me v� chegar. Chego contente de c� chegar, mesmo se l� tamb�m gostei de estar.
� minha espera dois presentes: 1) agenda pequena e que dita organiza��o; 2) presente de anos muito atrasado, s�o poemas, doze numa caixa creme atada com uma fita, agrad�vel. Poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen pel'A Divani & Divani que "quis assinalar a data do seu anivers�rio com uma oferta muito especial. Doze poemas escolhidos da vasta obra po�tica de Sophia. Um presente para a alma, para folhear e desfrutar com todo o conforto." Assim o fiz e ofere�o tr�s:

Um rom�ntico

Pudesse eu
Pudesse eu n�o ter la�os nem limites
� vida de mil faces transbordantes
Pra poder responder aos teus convites
Suspensos na surpresa dos instantes.


Outro eterno:

Se
Se tanto me d�i que as coisas passem
� porque cada instante em mim foi vivo
Na luta por um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem


Um �ltimo pol�tico, em defesa da palavra:

Com f�ria e raiva
Com f�ria e raiva acuso o demagogo
e o seu capitalismo das palavras

Pois � preciso saber que a palavra � sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela p�s sua alma confiada

De longe muito longe desde o in�cio
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a �gua
E tudo emergiu porque ele disse

Com f�ria e raiva acuso o demagogo
Que se promove � sombra da palavra
E da palavra faz poder e jogo
E transforma as palavras em moeda
Como se fez com o trigo e com a terra

19.7.04
Tanta Elis!
N�o quero lhe falar, meu grande amor
Das coisas que aprendi nos discos
Quero lhe contar como eu vivi
E tudo que aconteceu comigo
Viver � melhor que sonhar
Eu sei que o amor � uma coisa boa
Mas tamb�m sei que qualquer canto
� menor do que a vida de qualquer pessoa
Por isso cuidado, Meu bem
H� perigo na esquina
Eles venceram
E o sinal est� fechado para n�s
Que somos jovens
Para abra�ar seu irm�o
E beijar sua menina, na rua
� que se fez o seu bra�o,
O seu l�bio e a sua voz
Voc� me pergunta pela minha paix�o
Digo que estou encantada
Com uma nova inven��o
Eu foi ficar nessa cidade
N�o vou voltar pro sert�o
Pois vejo vir vindo no vento o cheiro da nova esta��o
Eu sei de tudo na ferida viva do meu cora��o
J� faz tempo eu vi voc� na rua
Cabelo ao vento, gente jovem reunida
Na parede da mem�ria essa lembran�a
� o quadro que d�i mais
Minha dor � perceber
Que apesar de termos feito tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais
Nossos �dolos ainda s�o os mesmos
E as apar�ncias n�o enganam, n�o
Voc� diz que depois deles
N�o apareceu mais ningu�m
Voc� pode at� dizer que eu t� por fora
Ou ent�o que eu t� inventado
Mas � voc� que ama o passado
E que n�o v�
Que o novo sempre vem
Hoje eu sei que quem deu a id�ia
De uma nova consci�ncia e juventude
T� em casa guardado por Deus
Contando o vil metal
Minha dor � perceber
Que apesar de termos feito tudo que fizemos
Ainda somos os mesmos e vivemos
Como os nossos pais


(De: Belchior cantado por Elis Regina)

Fa�am assim: v�o a http://radio.terra.com.br/, metam em artista a localizar Elis Regina e oi�am no cd Perfil esta m�sica e "Romaria", "�guas de Mar�o", "Nada ser� como dantes", uff... tanta m�sica boa, tanta Elis!

Deus nos ajude...

Alegria, ecumenismo e di�logo inter-religioso
"Estou certa de que n�o existe Deus no sentido em que estou certa de que nada de real se assemelha �quilo que eu concebo quando pronuncio esse nome. Mas aquilo que eu n�o posso conceber n�o � uma ilus�o."

(Simone Weil)

Hoje o meu texto sobre a "Lettre � un Religieux" est� na Terra da Alegria. Tamb�m por l� um texto de Ant�nio Marujo sobre o di�logo inter-religioso e o Parlamento das Reli�es do Mundo que reuniu recentemente em Barcelona e do qual pouco se ouviu falar na comunica��o social lusa.

Uma grande sorte
�Se n�o disse todo o gosto que sinto na vida, toda a vontade que tenho em morder em cheio na carne, se n�o disse que a pr�pria morte e a dor n�o fizeram sen�o aumentar em mim esta ambi��o de viver, ent�o eu n�o disse nada. E nesse caso est� tudo por dizer e � uma grande sorte, porque me falta dizer tudo.�

(Albert Camus)

Dando uma vista de olhos pelo Do Absurdo � Solidariedade - a vis�o do mundo de Albet Camus escrito por H�lder Ribeiro chego a esta cita��o do optimismo dos que t�m palavras a dizer, coisas a pensar, mundos para viver.

levantar v�


Velejar sem ondas n�o tem piada nenhuma.

Mas quando h� ondas (de mar� ou simplesmente geradas pelo vento) e o barco come�a a planar sobre a �gua, perdemos a sensa��o do atrito e... quase levantamos v�o.

E vem isto a prop�sito das dez li��es de vela & vida & f� do Jos�.

18.7.04
E ainda agora come�aram...

...os dois anos com o menino Pedrito a Primeiro Ministro!

Assisti sem grande expectativa ao discurso de tomada de posse do Pedrito, pareceu-me uma composi��o do 5� ano sem erros e com alguns gaguejos. S� disse bo�alidades, nada de novo, nem rumos para o governo, falou muito em "ac��o", em "princ�pios e valores, sem definir nada, sem nada defender. Torna-se muito complicado para qualquer oposi��o acusar as ideias dele - ele n�o tem ideias!

17.7.04


Nos pr�ximos tempos o Ambiente ser�... um ambiente descontra�do.

o grito dos velhos
Dois velhos judeus, sentados num banco de jardim... Poderiam ser o palha�o rico e o palha�o pobre, ou Arlequim e Pierrot, ou Vladimir e Estragon � espera de Godot... Mas, sem deixarem de ser um pouco de cada um destes pares de personagens, Nat e Midge s�o, sobretudo, Dom Quixote e Sancho Pan�a, nas suas tens�es, na sua complementaridade, no seu jogo perante o mundo, nas contradi��es de que se faz o seu e o nosso carrocel da vida.�
� assim que nos s�o apresentados os dois velhos que conversam no banco de jardim do Central Park por Jo�o Maria Andr�, encenador dos Bonifrates que levam � cena "Eu n�o sou o Rappaport" de Herb Gardner.
Podia contar-vos o que faziam estes dois velhos antes da reforma que os p�s naquele jardim. Mas de pouco valeria. Como diz Nat, "passei toda a vida a ser a mesma pessoa, porque n�o hei-de ser outras cem agora!?". E ao longo da pe�a ele � mesmo outras cem personagens, consoante a necessidade da conversa, consoante a necessidade de aldrabar o interlocutor, consoante as voltas que sejam precisas para tornar mais humanas as vidas que passam pelo parque. Diz-nos este D. Quixote a conversas tantas: "a gente serve-se da personalidade que d� mais jeito na ocasi�o".
Conto-vos apenas uma das cenas, em que Nat d� a volta a Danford, um jovem presidente do seu condom�nio, que pretende despedir (e despejar) Midge. Diz ele para Danford:
Desculpe, os projectores est�o virados para si porque t�m mesmo que estar. � que voc� � invulgarmente vulgar, e h� tantos como voc� hoje em dia. Voc�s coleccionam mob�lia antiga, carros antigos, quadros antigos, tudo o que � antigo e velho menos gente velha. Os velhos s�o m�s recorda��es, falam de mais. Mesmo calados, dizem demais, parecem-se com o futuro e disso n�o querem voc�s saber. Mas quem � esta gente, estes velhadas, esta ra�a estranha, n�o t�m nada a ver comigo, metam-nos ao p� dos da sua laia, num edif�cio, numa cidade, metam-nos num s�tio qualquer. (inclina-se para Danford) Seus idiotas, voc�s n�o sabem? Um dia, tamb�m voc�s se v�o juntar a esta tribo esquisita. Sim, Sr. Presidente, voc� vai mesmo envelhecer; lemanto muito ter que lhe dar a not�cia. E se agora tem medo, quando chegar a altura vai ter � terror.
O problema n�o � a vida ser muito curta, � ela ser muito longa; por isso � melhor ter-se uma pol�tica. Aqui estamos n�s. Olhe bem. N�s somos o cartaz de an�ncio das "pr�ximas atrac��es". E enquanto voc�s tiverem medo disto, h�o-de ter medo de n�s, h�o-de querer esconder-nos ou obrigar a que nos escondamos de voc�s. Voc�s s�o perigosos.
(agarra-lhe o bra�o com veem�ncia) Estupores t�o tolos! N�o percebem? Os velhos s�o sobreviventes, h� qualquer coisa que eles sabem, n�o olhem para eles como gente que se deixou ficar at� tarde s� para vos estragar a festa. Os velhos, os muito velhos, s�o aut�nticos milagres como o s�o os rec�m nascidos; a beira do fim � t�o preciosa como a beira do princ�pio.
Do que voc�s gostavam era que o Carter [Midge] fosse simp�tico e querido e estivesse caladinho e que se pusesse a andar. Mas n�o p�e. N�o p�e, que eu n�o deixo. Digam-lhe que � lento ou que � est�pido - pronto - mas se lhe dizem que � in�til, isso j� � pecado, um pecado contra a vida, � fazer um aborto pelo outro lado.

Eternamente
"(...) E de novo acredito que nada do que � importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros.
Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. N�o perdi nada, apenas a ilus�o de que tudo podia ser meu para sempre" 
 
(escrito por Miguel Sousa Tavares. Recebido por e-mail de uma AMIGA minha desde sempre)

Muitas vezes me custa a ideia de que n�o posso guardar o tempo, par�-lo; que gostava de poder ter guardadas aquelas conversas em a�dio, os passeios com os meus av�s em v�deo, as imagens s� minhas em foto, os sons da chuva a cair virados m�sica em cd ou o abra�o de uma despedida na mem�ria. Um arquivo da minha vida, dos que a percorrem, das palavras, dos momentos. Olho para livros que adoro e penso que devia t�-los sublinhado, aquelas frases, aquele poema, aquela ideia; devia ter comprado os v�deos dos filmes que mais fascinaram. Ter tudo guardado onde pudesse s� espreitar de vez em quando, onde me pudesse alegrar quando estivesse mais triste.
Mas... penso triste e depois contente... as recorda��es n�o somos n�s que a escolhemos, a nossa mem�ria selectiva n�o somos n�s que coordenamos, ela muda e ganha novas cargas com o tempo... ent�o, ter o meu arquivo seria estar fora da vida, seria n�o viver mas reviver, seria estar indispon�vel para novas esquinas, seria algo indiz�vel e inexistente; ou n�o!?
Acreditar que "n�o perdi nada", que est� tudo em mim s� que n�o � "meu" � uma resposta do Miguel Sousa Tavares que sossega essa �nsia.
Seguindo o racioc�nio deixo uma letra que a Maria Rita (lembrei-me dela ao ler pela primeira vez hoje de manh� a nova BOA companhia na blogosfera) canta maravilhosamente:


Encontros e Despedidas

Mande not�cias do mundo de l�
Diz quem fica
Me d� um abra�o
Venha me apertar
T� chegando

Coisa que gosto � poder partir
Sem ter planos
Melhor ainda � poder voltar
Quando quero

Todos os dias � um vai e vem
A vida se repete na esta��o
Tem gente que chega pra ficar
Tem gente que vai pra nunca mais
Tem gente que vem e quer voltar
Tem gente que vai e quer ficar
Tem gente que veio s� olhar
Tem gente a sorrir e a chorar

� assim, chegar e partir
S�o s� dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
� o mesmo trem da partida

A plataforma dessa esta��o
� a vida desse meu lugar
� a vida desse meu lugar
� a vida ....

� tamb�m despedida
A plataforma dessa esta��o
� a vida desse meu lugar
� a vida desse meu lugar
� a vida...

(Milton Nascimento / Fernando Brant)

"Mudar a vida" (2)
«De todos os lados nos vem o convite à estabilidade, à segurança, ao já conhecido, aos terrenos firmes, ao ideal entrevisto. Por todos os meios nos atrai e nos paralisa o mito do eterno retorno. Transformações à nossa volta? Sem dúvida, desde que elas nos conduzam ao eu ideal que imaginámos, à imagem de nós próprios que, ao longo dos anos, cuidadosamente formámos.
Deixamos assim de longe a única via pela qual horizontes novos se podem rasgar: aquela em que escolhemos percorrer o próprio trilho da mudança. E quando digo que escolhemos percorrer esse trilho, não estou a imaginar um caminho linearmente percorrido sem perigos nem desvios. Pelo contrário, no caminho da mudança, seremos ossos encharcados debaixo da chuva, seremos gestos descontrolados nas areias movediças, seremos passos indecisos a contornar rochas de granito.
Quantas vezes falámos de mudança de estruturas e de instituições, opondo essa mudança, numa espécie de antinomia inevitável, à mudança de mentalidades que queríamos ter visto operar, pela obra mágica do nosso verbo e das nossas incitações, para concluirmos (pacificante conforto!) que nada se podia fazer sem que se mudassem as estruturas. Quando finalmente as estruturas nos vieram parar às mãos verificámos que não eramos senão aprendizes de feiticeiro: não as soubemos desmantelar porque não conhecíamos as engrenagens escondidas; não as pudemos reorganizar porque não tinhamos alternativa viável a opor à sua gigantesca irracionalidade; não as pudemos deixar cair como mero anacronismo da história, porque não tinhamos delineado o projecto das estruturas novas que as substituiriam, superando-as e anulando-as. E quando reconhecemos que o aparelho institucional se agitou, tremeu, mas permaneceu inalterável nos seus vícios, na sua burocracia e na sua inutilidade, dissemos então que o que importa é mudar as mentalidades!
Passageiras são as estruturas, plasmáveis as mentalidades. Por entre o feito mecanicista de umas nas outras (mentalidades obscurecidas por estruturas aniquilosadas; estruturas inoperantes por mentalidades embrutecidas) brota a esperança duma outra relação, que não é senão o dinamismo da própria vida.
Por isso, a grande empresa não é o plano pensado e repensado, a estrutura gigantesca que, com os seus tentáculos, tudo vai abafar, nem a mentalidade renovada, adaptada, ajustada, conformada. A grande empresa é mudar a vida.
»

(Editorial da Maria de Lourdes Pintasilgo no primeiro número do boletim do Graal - Mudar a vida -, lido no jantar de fim de ano da Comunidade de Acolhimento João XXIII para fazer memória de todos os que nos antecederam neste modo de estar em Igreja.)

a imagem do governo
 
Digam l� se a pr�pria imagem n�o � meio sinistra?

16.7.04
Mudar a Vida
«Na genealogia da democracia portuguesa há famílias várias. Os 'católicos progressistas' são uma dessas famílias. Deve-se-lhe a coragem de ter rompido com um dos pilares socialmente mais enraizados do salazarismo: a identificação entre missão da Igreja e defesa do regime. E de ter aberto janelas de diálogo com o mundo da modernidade e do pluralismo que não se revia no conservadorismo bafiento e repressivo que reinava no país.
Como em todas as famílias, os nomes são muitos e as gerações são diversas. Mas Maria de Lourdes Pintasilgo é inquestionavelmente a referência maior de todo esse universo. Não se fará seriamente registo histórico da mudança de mentalidades no Portugal do século XX sem colocar Maria de Lourdes Pintasilgo no centro dessa dinâmica de transformação cívica e cultural. Creio que, acima de tudo, ela encarnou o próprio arrojo do fenómeno nuclear da sua geração de católicos: o Concílio Vaticano II. Na esteira dessa escola de formação intelectual que foi a Acção Católica, Maria de Lourdes Pintasilgo deu corpo a uma articulação exigente e criativa entre o 'ver' (a leitura aberta e rigorosa da realidade), o 'julgar' (a centralidade da ética e a densificação dos seus critérios de juízo) e o 'agir' (a transformação social como teste último da condição crente). Maria de Lourdes expressou essa articulação de forma ímpar, fazendo da sua vida uma plataforma de fecundação recíproca do saber e da emoção; da ciência, da arte, da religião, da política e da poesia; do global e do doméstico. E sempre, mas sempre, sonhando 'coisas que nunca foram' (como lembrou há dias o Adelino Gomes) e acolhendo, entusiasmada, 'caminhos que não são os tradicionais� (como ela própria sublinhou na sua última presença pública, no frustrado conselho a Jorge Sampaio sobre a crise política em que o país foi atolado).
O Portugal rasteirinho nunca lhe perdoou a ousadia de entrar no 'mundo deles', de denunciar por inteiro a indissociabilidade entre as expressões públicas do poder e a sua manifestação patriarcal e sexista. Esse Portugal da conservação dos interesses e do assobio para o ar nunca lhe desculpou a desfaçatez de trazer poesia para o debate político ou de introduzir linguagem e agendas inexplicavelmente refrescantes "que as Nações Unidas ou a UNESCO conheciam hé muito mas que, em Portugal, eram ainda matérias tabu" para a nossa reflexão política. Esse Portugal de senhoritos que se põem em bicos de pés para serem serventuários do império na Europa nunca lhe reconheceu a grandeza de um notável curriculum internacional, onde pontuam a coordenação da Comissão Mundial sobre População e Qualidade de Vida, a presidência do Comité de Sábios "Para uma Europa dos Direitos Cívicos e Sociais", ou a qualidade de membro do Clube de Roma.
A essa estratégia de esquecimento a que foi votada, Maria de Lourdes Pintasilgo respondeu com uma insistência tenaz no anúncio da ética do cuidado como sustentáculo da governabilidade e da dignidade no século que agora entra. No relatório "Cuidar o Futuro", referência imprescindível para uma reflexão política e moral em tempo de globalização, Maria de Lourdes Pintasilgo recordava a lição de Gandhi, para quem a política não era mais que um gesto amoroso para com o povo. Ela sabia do que falava, ou não tivesse o seu "governo dos 100 dias" abraçado por inteiro a universalização da segurança social como direito básico num país com tantos pobres. Apontava, pois, a uma mudança radical: "enquanto a hipertrofia do mercado tem absolutizado a melhoria das condições materiais da existência e o contínuo aumento da produção e tem reforçado continuamente a concentração sobre o 'eu', a recentragem da política sobre a ética do cuidado dará densidade a uma dinâmica de comunicação e de parceria em vista de alguns objectivos indeclináveis: acabar com a pobreza, restringir o desperdício de recursos, promover a qualidade de vida dos outros".
Como mulher, como cidadã, como intelectual, esteve sempre incomodamente para além dos cânones. Por isso, para ela "a grande empresa não é o plano pensado e repensado, a estrutura gigantesca que, com os seus tentáculos, tudo vai abafar, nem a mentalidade renovada, adaptada, ajustada, conformada. A grande empresa é mudar a vida". Lembrava ela de Sophia, um dia antes de morrer, que a poeta não quisera menos do que "um país liberto, uma vida limpa, um tempo justo". Escreveu, sem o adivinhar, o mais apropriado dos epitáfios para si própria.
»

(texto publicado no Diário de Coimbra de 15 de Julho pelo Professor José Manuel Pureza)

Liberta��o intestinal


O an�ncio de novos ministros sucedem-se: os treinos de caretas que tive em pequeno j� n�o me s�o suficientes.
Assim, junto o �til ao agrad�vel: j� fazia falta um Calvin bem colorido aqui no Blog...

15.7.04
Os Sonhadores


"A petition is a poem
and a poem is a petition"
Georges Fontaine, 1966


Algumas imagens:

Matthew acorda aflito para mijar a meio da noite na casa desconhecida dos amigos irm�os Isabelle e Th�o, procura por entre as muitas divis�es e corredores estreitos (uma casa de meandros) a casa de banho t�o desejada, encontra-a, abre a torneira do lavat�rio e come�a o al�vio.
Imagem de �gua e mijo a misturar-se e uma escova de dentes (a de Th�o) que cai no l�quido.

Matthew e Isabelle fazem amor no ch�o da cozinha enquanto Th�o faz ovos estrelados. Matthew n�o sabia que Isabelle era virgem e agarra-se a ela com intensa paix�o.

Banana vinda do lixo. Matthew tira a casca, retira um peda�o pequeno de cima e espeta o dedo por cima separando a banana em tr�s partes perfeitas enquanto os outros o observam e depois comem.

Banho conjunto dos tr�s. Um espelho tripartido em que vemos a imagem de cada um deles. Uma c�mara de filmar improvisada com um buraco na espuma.

Remontam � inf�ncia com uma surpresa criada por Isabelle: uma tenda em que adormecem os tr�s n�s com velas acesas ao fundo. Acordam com uma pedra que partindo o vidro entra pela sala dentro - � o Maio de 68!

Cenas de filmes antigos ao longo do filme que imaginamos serem os filmes preferidos da vida de Bertolucci e que ficamos com vontade de ver.

14.7.04
A Arte II
"Bag�o F�lix vai transitar do Minist�rio da Seguran�a Social e do Trabalho para o Minist�rio das Finan�as"
Jornal P�blico 15 de Julho

Nem o Dal� se lembraria de pintar tal quadro!
Ser� que o Santana estar� a pensar retirar o Museu do Design do seu querido CCB e criar o Museu do Surrealismo?
Vai no bom caminho... j� faz escola!

Pintasilgo
Nuns mais do que noutros, h� em todos n�s um conjunto de gestos, de inflex�es, de pausas, de olhares, de sorrisos, de formas de alisar os cabelos, de maneiras de estar e agir que criam uma atmosfera, um modo de cortar a neblina, de avan�ar por entre os corpos e as vozes. Algo de indefin�vel, marca e tatuagem, cor da pr�pria respira��o - uma cifra pessoal que tra�a o lugar do indecifr�vel. � isso que n�o se repete. � isso que desaparece definitivamente quando algu�m morre. � isso que vai migrar para uma esp�cie de mundo imaterial onde se acumulam n�o propriamente os corpos, nem sequer as almas, mas esses n�s enigm�ticos onde tudo se une, se acorda e desacorda, ao longo de um destino corporal e metaf�sico.

Maria de Lourdes Pintasilgo acreditava em Deus. Nela esta convic��o tinha uma energia esplendorosa, porque atravessava o deserto de todas as d�vidas. Muitas vezes, em debates no Graal, vi-a conceder quase tudo o que era a argumenta��o contr�ria, mas nunca vacilava na derradeira certeza: Deus existe como o indiz�vel que �, anterior a tudo o que se possa dizer sobre o que existe e n�o existe. E neste plano a sua f� era uma verdadeira fortaleza - inexpugn�vel. E fazia parte dessa cifra individual que se enrola pacientemente em torno de um nome.

Maria de Lourdes Pintasilgo acreditava na pol�tica. Facto tanto mais espantoso quanto vivemos tempos em que � moda dizer-se que n�o se acredita nem na pol�tica nem nos pol�ticos, porque s�o todos uns corruptos, que s� pensam nos seus interesses. Ela n�o ignorava que em parte isso � verdade (basta ler os jornais, e o que c� chega � uma estreita fatia da realidade), mas tinha a convic��o inabal�vel de que existe um grupo de pessoas generosas que s�o movidas pela ideia de tornar o mundo melhor. E que isso passa por cuidar do outro - numa acep��o extremamente rica da palavra "cuidado" -, quer aquele que est� ao nosso lado, quer aquele que vive nos mundos esquecidos do que outrora se chamava o Terceiro Mundo (e para os quais ela chamou obstinadamente a aten��o).

Maria de Lourdes Pintasilgo acreditava na poesia e no pensamento. Ler, reflectir, eram para ela elevadas actividades que levavam cada um ao limite de si pr�prio e permitiam o encontro improv�vel em que a comunidade se sustenta. No vel�rio na Bas�lica da Estrela eram muitos os que vinham dizer tudo o que deviam �quela mulher. Nada em especial, a n�o ser a esperan�a. Nada de concreto, a n�o ser a dignidade. Mas sobretudo um modo de estar, de falar, de erguer a voz da indigna��o, de expandir a c�lera em rela��o � mis�ria do mundo. Que de repente desaparecia - para onde foi?

Maria de Lourdes Pintasilgo dizia-me por vezes que acreditar no poss�vel n�o � nada que mere�a registo - s� vale a pena acreditar que o imposs�vel � poss�vel. Se isso lhe dava um toque de idealismo que nada tinha a ver com o pragmatismo dos tecnocr�ticos, podemos dizer que � verdade. Era tamb�m o que nos trazia uma imagem exemplar em que a vida e a justi�a tinham sempre raz�o. Por isso ela continuar� a exigir de n�s pr�prios que sejamos capazes de ir t�o longe (se poss�vel...) como ela foi - e para sempre continuar� a ir.

(Eduardo Prado de Coelho no P�blico de ontem)

Antes o po�o da morte que tal sorte...
Sa�do da Festa do Meco �s 11 horas da manh� (e ainda alguns dj's punham som) peguei no carro em busca de uma bomba de gasolina. Azar dos diabos: a bomba que encontrei tinha aberto h� dois/tr�s dias e o casal de meia-idade que l� trabalhava era um desastre - n�o percebiam nada do sistema, discutiam um com o outro, tentavam, erravam, recome�avam... s� vendo! Estive cerca de um quarto de hora para p�r dez euros de gasolina 95 sem chumbo sempre a rir-mo-nos b�bados de cansa�o, eu e a rapariga (tamb�m vinda do festival e por sinal muito bonita!) que se seguia a mim na fila. Estas situa��es acontecem sempre que temos uma directa em cima, n�o �

Mudemos de Assunto
"Andas a� a partir cora��es
como quem parte um baralho de cartas
cartas de amor
escrevi-te eu tantas
�s tantas, aos poucos
eu fui percebendo
�s tantas eu l� fui tacteando
�s cegas eu l� fui conseguindo
�s cegas eu l� fui abrindo os olhos

E nos teus olhos como espelhos partidos
quis inventar uma outra narrativa
at� que um ai me chegou aos ouvidos
e era s� eu a vogar � deriva
e um animal sempre foge do fogo
e mal eu gritei: fogo!
mal eu gritei: �gua!
que morro de sede
achei-me encostado � parede
gritando: Livrai-me da sede!
e o mar inteiro entrou na minha casa

E nos teus olhos inundados do mar
eu naveguei contra minha vontade
mas deixa l�, que este barco a viajar
h�-de chegar � gare da sua cidade
e ao desembarque a terra ser� mais firme
h� quem afirme
h� quem assegure
que � depois da vida
que a gente encontra a paz prometida
por mim marquei-lhe encontro na vida
marquei-lhe encontro ao fim da tempestade

Da tempestade, o que se teve em comum
� aquilo que nos separa depois
e os barcos passam a ser um e um
onde uma vez quiseram quase ser dois
e a tempestade deixa o mar encrespado
por isso cuidado
mesmo muito cuidado
que � fr�gil o pano
que enfuna as velas do desengano
que nos empurra em novo oceano
fr�gil e resistente ao mesmo tempo

Mas isto � um canto
e n�o um lamento
j� disse o que sinto
agora fa�amos o ponto
e mudemos de assunto
sim?"

(Letra e m�sica de S�rgio Godinho )


Sexta feira passada houve concerto gr�tis do S�rginho no Monsanto (Lisboa em festa). � incr�vel como j� tendo ouvido vezes sem conta aquelas letras continuam a maravilhar-nos e a trazer-nos pequenas descobertas e pormenores deliciosos.
Este "Mudemos de Assunto" no �lbum Campolide era cantado uma primeira vez muito lento e triste e uma segunda muito r�pido e animado ganhando a mesma letra duas dimens�es opostas; com o Cd Irm�o do Meio vem o brinde de ele cant�-la acompanhado pelo Jorge Palma (dois preferidos juntos). Na 6� passada l� esteve tamb�m convidado o Jorginho, mais o Caman� (que voz bonita) e o David Fonseca.
A vista magn�fica de Monsanto sobre o Tejo e os amantes de S�rgio Godinho (algu�m que eu conhe�a que goste de SG est� logo a ganhar pontos...) tornaram o ambiente muito confort�vel.

"h� quem afirme
h� quem assegure
que � depois da vida
que a gente encontra a paz prometida
por mim marquei-lhe encontro na vida" (um sublinhado meu)

Nota: apesar de me apetecer mudar de assunto devo dizer � Clara e � Joana Lu�sa que o S�rgio Godinho dedicou o "bem vindo Sr. Presidente" ao Presidente Jorge Sampaio (no dia em que ele tomou posi��o).

11.7.04
morrem os mestres...
Coimbra, 16 de Junho.

Sobretudo n�o desesperar. N�o ca�r no �dio, nem na
ren�ncia. Ser homem no meio de carneiros, ter l�gica
no meio de sofismas, amar o povo no meio da ret�rica.



Miguel Torga, do Di�rio IV, � mem�ria de Maria de Lurdes Pintassilgo.

10.7.04
Mulher das Cidades Futuras
Eu estava a reler no diario digital estas palavras:
"Estamos perante a maior crise desde o dia 25 de Abril. S�o 30 anos e esses 30 anos colocam-nos neste momento perante uma crise em que somos todos poucos para dar um pouquinho daquilo que podemos imaginar que ser� necess�rio", declarou Lourdes Pintasilgo.

Desci um pouco na p�gina e apareceu a not�cia da morte dela. N�o quis acreditar, corri � televis�o e logo foi confirmado.
A tristeza � imensa. Que as suas �ltimas declara��es nos sirvam para sermos menos agastados e mais lutadores!
Desenganem-se os pessimistas do presente, esta � a mais preciosa perda na nossa democracia! Um enorme exemplo.

Morreu Maria de Lourdes Pintasilgo (1930-2004)


"�s vezes as coisas dentro de n�s

O que nos chama para dentro de n�s mesmos
� uma vaga de luz, um pavio, uma sombra incerta.
Qualquer coisa que nos muda a escala do olhar
e nos torna piedosos, como quem j� tem f�.
N�s que tivemos a vagarosa alegria repartida
pelo movimento, pela forma, pelo nome,
voltamos ao zero irradiante, ao ver
o que foi grande, o que foi pequeno, ali�s
o que n�o tem tamanho, mas est� agora
engradecido dentro do novo olhar."

(de Fiama Hasse Pais Brand�o para M� de Lourdes Pintasilgo)

Uma mulher que sempre admirei profundamente, que guardou sempre dentro dela uma curiosidade pela vida e pelos outros. Fico muito triste pela sua morte mas muito feliz pela vida que teve: algu�m assim � raro! Mulher de causas, Mulher Mulher, "Mulher das cidades futuras", uma Pessoa que pensava por ela mesma e que empolgava.

9.7.04
Arte
"A actual maioria garantiu-me poder constitiuir um novo Governo"
palavras do Presidente da Rep�blica h� minutos.

afinal Dal� est� vivo...
nunca esmore�as surrealismo!

Eles n�o sabem que o sonho � uma constante da vida

Uma leitora ass�dua do nosso blog apelidou-nos de "rom�nticos". Ela tem raz�o. Temos gosto pelo romance (embora tenha descortinado a provoca��o latente - ut�picos, l�ricos). Com o nome "Enchamos tudo de futuros", em que penso de cada vez que vou escrever, quem n�o o seria!?
� que os futuros cheios s�o exactamente a ideia de projecto, de cria��o, de sermos "sujeitos da nossa hist�ria" (como diz a Dr� Maria de Lourde Pintassilgo) e o romance encaixa-se aqui na perfei��o. A velha discuss�o entre realistas e ut�picos... uns acreditam na realidade que lhes d�o, outros que a realidade pode ir sendo mudada, cada dia um bocadinho melhor.

A identidade da "leitora ass�dua" ser� escondida de todos a equipa t�cnica pertencente a este blog por motivos de seguran�a.
Qualquer coment�rio contr�rio ao que aqui foi escrito por quem quer que seja pertencente a este blog implica �bvia recrimina��o verbal e fis�ca.

Fado da tristeza
N�o cantes alegrias a fingir
Se alguma dor existir
A roer dentro da toca
Deixa a tristeza sair
Pois s� se aprende a sorrir
Com a verdade na boca

Quem canta uma alegria que n�o tem
N�o conta nada a ningu�m
Fala verdade a mentir
Cada alegria que inventas
Mata a verdade que tentas
Pois � tentar a fingir

N�o cantes alegrias de encomenda
Que a vida n�o se remenda
Com morte que n�o morreu
Canta da cabe�a aos p�s
Canta com aquilo que �s
S� podes dar o que � teu"

(Jos� M�rio Branco in Ser Solid�rio)

Volta e meia vem-me esta m�sica � cabe�a. N�o entendo o t�tulo que tem (fado da tristeza) parece-me que fala muito mais da alegria e sua genuinidade do que de tristeza. Fala de verdade e mentira e de como lidamos com as nossas ang�stias: talvez sem fingimento mas h� um esfor�o necess�rio para estarmos atentos para a alegria, um empurr�ozinho na nossa predisposi��o.
Sinto-me muitas vezes a fingir alegria, a esfor�ar-me por passar alegria... �s vezes sinto at� que me � exigido pelos outros: contar hist�rias com piada, estar bem disposto e sempre dispon�vel; j� se espera isso de mim. �s vezes chateia-me, outra vezes sinto que � um elogio. Gosto de andar contente.

8.7.04
Procura-se Blogger
O nosso Pedro Novo desapareceu sem deixar rasto. Desde o dia 6 de Junho por volta da uma hora e quarenta e quatro minutos da madrugada que, ap�s ter escrito um post testemunho da obra de Robert Capa aproveitando os 60 anos sobre o desembarque na Normandia em 1944, os futuros e os tempos do Pedro s�o desconhecidos. Esperemos que n�o tenha levado demasiado a peito a frase de Capa: "Se as fotografias n�o s�o suficientemente boas, � porque n�o se est� suficientemente perto". Quem tiver not�cias dele pedimos o favor de nos avisar urgentemente e apelar ao bom senso (imagem de marca) dele e � volta para junto de quem sempre t�o bem dele cuidou e estimou. Abatidos com este abandono sofremos cada dia mais pela falta de pistas do seu paradeiro.

nota: negamos e repudiamos veemente as not�cias vindas a p�blico que afirmam que o "Enchamos tudo de futuros" est� a preparar nos meandros e corredores escuros do jogo pol�tico uma indigita��o de Pedro Novo para novo chefe do governo. Para al�m de infudadas, consideramos ainda estas not�cias como uma valente difama��o ao respeito que sempre fizemos por merecer. A liga��o a "pessoas" do n�vel do Sr. Dur�o Barroso, Sr. Paulo Portas, Sr. Pedro Santana Lopes e Sr. Alberto Jo�o Jardim repugna-nos.

7.7.04
Podres poderes

"eu quero aproximar o meu cantar vagabundo
daqueles que velam pela alegria do mundo."
(Caetano Veloso)

Diz-me uma amiga que cada post que eu ponha no blog tem que ter uma proposta, deve dar que pensar. Essa minha amiga que � bastante exigente comigo obriga-me sempre a estes exerc�cios de pensar para que serve viver, torna-me a vida mais dif�cil mas muito mais interessante. Ela � a minha cr�tica n� 1 que n�o posso desiludir (por falar em cr�tica faz-nos falta os coment�rios da nossa ilustre comentadora de servi�o - Clara Belo - onde andar� ela?). Tenho pelo menos tr�s drafts e mais alguns projectos de draft em que o sentido � s� partilhar m�sicas com letras de que gosto. Este � um deles.
Ap�s o tal exerc�cio a que a minha amiga me obrigou disse para comigo: hoje entro de f�rias, fiz a minha �ltima frequ�ncia: "Desenvolvimento Comunit�rio". O paralelismo destes versos do Caetano (quem gosta dele trata assim como amigo de longa data) com o nome da m�sica (podres poderes) diz-me muito sobre Desenvolvimento Comunit�rio e passos na hist�rias que nos faltam dar. Alegria e pessoas que cantem fazem falta. Poder�o eles ser sin�nimo de desenvolvimento? Acredito que sim, mesmo que como a Lhasa eu acredite numa vida (m�sica?) em que n�o tenhamos apenas luz. Faz sentido para voc�s?
Agora tenho que encontrar uma explica��o para cada um dos outros textos que quero partilhar convosco para que a minha quota parte de blog n�o seja um placard de afixar "coisas" mas implique alguma "reflex�o".

6.7.04
"(nomade) - un art de vivre"
"Tu tens a sombra e a luz e eu penso que a m�sica �
a combina��o das duas. Apenas luz n�o tem sentido para mim.
Mas se for apenas sombra � demasiado escuro, n�o
consegues ver nada. Precisas de luz e sombra, precisas do
contraste de tristeza e esperan�a, amor e raiva. � isso que faz
com que a minha m�sica seja dram�tica, bonita. Esse conflito
est� sempre presente na minha vida."


Lhasa de Sela, Fevereiro de 1998



�La Llorona�, �lbum lan�ado em Fevereiro de 1997 e que conhece um �xito retumbante. Atribu�da � mitologia azteca, a figura de La Llorona seduz os homens aos primeiros acordes de uma can��o triste, para os beijar e tranformar em pedra. Evocando uma certa nostalgia, o album destilava o perfume do M�xico e as cores da m�sica cigana, plena de sensualidade e poderosas instrumenta��es.
Eu tenho este cd e aconselho!

Depois de uma viagem pelo mundo do novo circo, com a fam�lia e amigos, partilhando autocaravanas, montando e desmontando tendas e cen�rios. Agora apresenta:
�The Living Road�

Lisboa, F�rum Lisboa: 7 Julho > 22h
Coimbra, TAGV: 8 Julho > 21h30

5.7.04
Poema
A minha vida � o mar o Abril a rua
O meu interior � uma aten��o voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espa�o e no tempo a sua escrita

N�o trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrar�

N�o tenho explica��es
Olho e confronto
E por m�todo � nu meu pensamento

A terra o sol o vento o mar
S�o a minha biografia e s�o meu rosto

Por isso n�o me pe�am cart�o de identidade
Pois nenhum outro sen�o o mundo tenho
N�o me pe�am opini�es nem entrevistas
N�o me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento

E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada

Sophia de Mello Breyner Andresen







e hoje h� Terra da Alegria, onde escrevo sobre o "Jogo e o �cio". Tamb�m podia chamar-se "O meu interior � uma aten��o voltada para fora".




A final perdemos...
...quando pens�vamos que �amos ganhar.

Agora ficamos com algumas certezas:
- que o Mundial em 2006 � nosso e que s� temos que melhorar os c�nticos.
- que o crime do futebol defensivo compensa mas os Gregos s�o piores que n�s. Assim como os Espanh�is e os Russos (justos 3� e 4� lugares), os Ingleses e os Holandeses.
- que somos capazes de organizar eventos grandiosos como qualquer pa�s daqueles ricos e enormes.
- que a bandeira nacional � um excelente recurso para uma �poca de moda, esta��o Primavera/Ver�o.

J� o disse mas repito: gosto deste povo e deste pa�s com todos os seus defeitos (adoro os seus defeitos - at� a inevitabilidade do fado) e o nosso futebol � bem bonito. Merec�amos melhor, uma final com os Checos! Desde ontem depois do final do jogo que toda a gente, que oi�o falar sobre o jogo, encontra formas positivas de olhar para o resultado, n�o sei se � portugu�s se humano, mas � uma vit�ria. As pessoas j� tinham ideias preparadas para festejar e vieram para a rua na mesma, afinal ainda tinham raz�es para festejar; achei curioso durante o Europeu uma participa��o diferente na maneira de olhar pelo sexo feminino e o crescente interesse por pessoas que nunca se interessaram por futebol.

4.7.04
In Abrupto
ICONOLOGIA DA FUTEBOL�NDIA
(Subs�dios para um livro da Taschen)

1) A gravata da sorte do Primeiro-ministro.
2) O balne�rio como local onde se aprisionam os dem�nios do azar.
3) As meninas a cantarem o �Com uma for�a� transformado em �come-me � for�a�.
4) Uma portuguesa segura uma est�tua de N. S. de F�tima com um cachecol da selec��o.
5) A bandeira com os pagodes chineses.

(Continua)

Ser� demais pedir a ta�a?
"Est� tudo pronto? D�-lhe g�s!/ Tr�s, dois, um, vai arrancar./ uma esp�cie de hino em vers�o popular/ sem coisas de m�o no peito e ar pesado/ 2004 o campeonato vai mudar o nosso fado/ do coitado, do conformado, do comido/ Porque � que o pa�s se queixa do que podia ter sido?/ Mas nunca �. E a culpa nunca � nossa / � do �rbitro, � do campo, � de quem nos deu uma co�a./ Chega! Queremos mais, � um murro na mesa. / Um grito do Ipiranga em vers�o portuguesa. / Porque at� hoje, quase marc�mos, quase ganh�mos, quase fizemos� / Mas porqu� quase? �Passemos � pr�xima fase.
Refr�o: Marca mais! / Corre mais! / Menos ais, menos ais, menos ais!/ Quero muito mais! / Joga mais / Sua mais / Menos ais, menos ais, menos ais!/ Quero muito mais!
O conceito � muito simples: n�o desistir./ Mas ser� que � chato aquilo que acabamos de pedir?/ � chato agora, acreditem no que digo: / n�s jogamos em casa e contamos com o Figo,/ o Rui Costa, o Deco, o Sim�o e com o Pauleta./ Raz�es para querermos mais que um lugar que n�o comprometa./ Ser� demais pedir a ta�a? / Nada que um adepto com orgulho n�o fa�a./ Bonito, bonito, � dar o litro,/ n�o p�r as culpas no gajo do apito./ V� l� gritar, noventa minutos, cento e vinte, o que for/ do princ�pio ao fim, por favor. / Vamos l� people, afinem-me essa voz/ No fim, s� ganha um� e temos que ser n�s.
Refr�o: Marca mais! / Corre mais! / Menos ais, menos ais, menos ais!/ Quero muito mais! / Joga mais / Sua mais / Menos ais, menos ais, menos ais!/ Quero muito mais!
Nem custa tanto assim imaginar a vit�ria/ no fundo, � s� uma soma de momentos de gl�ria. / Era bonito� Um abra�o aqui, um abra�o ali�/ Abra�o toda a gente, abra�o quem nunca vi. / Vamos l� transformar isto numa grande festa / Sem press�o, Selec��o, �s a esperan�a que nos resta/ Por isso, escuta: n�o te esque�as que a sorte protege os filhos da luta./ N�o levem a mal a exig�ncia / Mas para empates e derrotas j� n�o h� paci�ncia./ Queremos mais, muito mais, menos ais / Scolari, j� vimos aquilo que �c� � capais�./ C� � sabe que para ganhar � preciso ter f�. / E a bola no p�. Yo !!! / �querem mais? / Ent�o �baza� l� vamos l� outra vez / Quem n�o salta agora aqui n�o � portugu�s / Sempre com o desejo de cantar na final / �levantai hoje de novo o esplendor de Portugal�. / tudo a postos... / Vamos ter f� uma vez na vida / e acabar o europeu de cabe�a e de ta�a erguida. / Se temos saudade, temos vontade, temos sa�de, temos atitude / Se temos tudo, de que � que o portugu�s se queixa? / �Era esta a vossa deixa.
Refr�o: Marca mais! / Corre mais! / Menos ais, menos ais, menos ais! / Quero muito mais! / Joga mais / Sua mais / Menos ais, menos ais, menos ais! / Quero muito mais!�

(o verdadeiro rap-hino do Euro 2004 vic�o cantarolado de dia de jogo! Bem melhor que a "comum�for�a" da Nelly Furtado...)


(� dia de final, vamos a eles!)

3.7.04
Sabe-se l�
"Ningu�m sabe, quando nasce
Pr� que nasce uma pessoa."


(Silva Tavares/Frederico Val�rio cantados por Am�lia)

2.7.04
"e talvez seja isso que ela me ensina agora."
Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuar� o jardim, o c�u e o mar,
E como hoje igualmente h�o de bailar
as quatro esta��es � minha porta.

Outros em Abril passar�o no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haver� longos poentes sobre o mar,
Outros amar�o as coisas que eu amei.

Ser� o mesmo brilho, a mesma festa,
Ser� o mesmo jardim � minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu n�o estivesse morta.



Sophia de Mello Breyner Andresen, no poema citado pelo Jo�o B�rnad da Costa, hoje, no dia de que ela fala.

"E calma subirei at� �s fontes"


Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.

Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.



sophia de mello breyner andresen
1919 - 2004

Peixaria Portuguesa
- Olhe Freguesa, Cherne j� n�o tenho. Tenho aqui � um Carapau de corrida que est� muito mas muito fresquinho!!!

A sorte e a moda.
A gravata do Exmo. Dur�o e o vestido da nossa Primeira Dama Maria Jos� Ritta (acho fin�ssimo este duplo t) foram factor decisivo na cabe�ada do Cristiano Ronaldo e, ainda mais seguramente, no gola�o do Manniche (duplo n). Portugueses para o jogo da final todos de bandeira, vestidos com as cores nacionais e gravata igual � do Barroso; Portuguesas, todas de bandeira e vestido igual ao da nossa Primeira Dama (decote � escolha). Os Gregos s�o um povo muito demod�.
A boa organiza��o v�-se nestes pequenos pormenores.

Entretiveram-me estupidamente
N�o se percebe para que � que houve tanto jogo pelo meio. Sinto-me defraudado: se era para acabar como tinha come�ado podiam ter feito o Euro com apenas um est�dio.

bola parada
Sa�dos do Monsanto e acabados de chegar ao Saldanha na carrinha caixa-aberta que nos levou em apitos, berros e cachec�is ao vento algu�m se lembrou que t�nhamos uma bola de volley azul super homem no carro - bola para os nossos p�s!
Resolvemos no impulso festivo ir do Saldanha ao Marqu�s de Pombal pelo meio da estrada a fintar carros e motos, um sem n�mero de gente jogou connosco, para tr�s para a frente, a correr, a passar, a fintar carros e pessoas. Todos com o s�mbolo da festa: a bola.
Chegados ao Marqu�s come�ou uma brincadeira de forma natural que demorou uma boa meia hora: pontap� na bola para o ar, tentativas de a agarrar, e quem agarrasse enviava novo pontap� para o c�u, e assim sucessivamente. Holandeses e Portugueses no jogo do pontap� para o ar. A bola estava no seu auge: era centro das aten��es.
Mais tarde e numa fase de melhor futebol a bola subiu, subiu e em vez de cair no meio das pessoas, como de costume, teimou em ficar farta de pontap�s na pala por cima do cinema S�o Jorge. E l� deve estar agora... � espera de uma bola parada do Deco!

Um neg�cio fabuloso
Ontem, durante os festejos ap�s a vit�ria portuguesa propus a um holand�s trocar o meu cachecol Portugal-Sagres, oferecido durante o Mundial 2002, pelo dele Holland ainda com etiqueta do pre�o. Fiquei muito contente com o neg�cio mas principalmente pelo belo sorriso e passou-bem trocado entre n�s: fica-me como uma imagem do Euro 2004.

1.7.04
Preta
Deixem-me apenas dizer que para mim dizer "preta" j� foi ofensivo, mas j� n�o � assim, digo-o com carinho como a m�sica do Caetano "anda ver aquele preto de que voc� gosta". A av� de Caetano referia-se ao seu amigo G. Gil.

A Herm�nia � africana, tenho pena de n�o saber de que pa�s, mas ainda n�o nos aproximamos o suficiente para sabermos coisas simples uma da outra. Sinto que ser� devagar.
A Herm�nia trabalha, estuda medicina, e cria uma sobrinha que de outra forma estaria entregue a uma institui��o.
No dia em que a conheci espantei-me com a sua beleza. Uma preta de cabelo muito comprido, discreta, com olhar meigo, com andar paciente.
Costumam dizer que eu sou calma, mas a falar com Herm�nia sinto-me um furac�o. Ela fala pausada, na sua voz aveludada, n�o responde ao que eu digo, ouve e fala de outra coisa. Olha-me com aten��o, mas o ritmo � outro, a forma de conversa � outra. Percebo com ela que na mesma l�ngua a comunica��o pode ser totalmente diferente.
Nessa primeira conversa percebi que Herm�nia gosta de aprender, gosta de ler os livros e n�o as sebentas (gostei da parecen�a) mas preocupei-me com aquele balan�o desapressado. Ela tamb�m mostra apreens�o. Quer muito acabar o curso. Precisa. Fico triste deste curso valorizar t�o pouco quem quer perceber, quem gosta de aprofundar e precisa de tempo para isso. Mostro-lhe as aulas impressas de apresenta��es em Power Point e ela mostra-se incr�dula. Eu tamb�m acho que aulas em Power Point s�o do pior. Aparece tudo feito, n�o se segue racioc�nio, n�o se explica com o mesmo cuidado.
Mais umas semanas e combin�mos encontrar-nos para lhe dar a segunda parte da mat�ria de Farmacologia (uma daquelas cadeiras que tem muito que perceber mas que s� nos pedem, sistematicamente, o nome dos f�rmacos). Aconteceu-me o azar de ter de ir a oral e em vez de lhe dar um dossier tive de lhe pedir o que ela andava a estudar.
A Herm�nia, no seu tom quente, deu-me a confian�a que mais ningu�m deu. Uma ou duas frases, com uma convic��o suave. Tudo ia correr bem. Ia com certeza.
A Herm�nia dar� uma boa m�dica. Muito melhor que qualquer um de n�s.



Sister and Brother Walking Quietly

as alegrias da Terra
S� hoje li as �ltimas edi��es da Terra da Alegria. Ficam alguns recortes:

Na edi��o extra, a convidada Marvi conta-nos impressionantes "Hist�rias de vida e alegria, nesta terra": "Pensei que o que faz�amos n�o era por ela, mas por n�s, porque toda a humanidade se degrada quando ao nosso lado um ser humano vive na degrada��o". Um texto a n�o perder!

Ainda na mesma edi��o, o Filipe Alves fala da Igreja e dos jovens: "a Igreja � mal vista entre os estudantes universit�rios. A maioria destes n�o compreende a verdadeira ess�ncia do cristianismo". Para que n�o falhe, voltarei a este assunto.

Na edi��o de quarta, o Carlos Cunha volta � f� e � pol�tica, o Jos� recupera a "caridade" depois de abolida a "caridadezinha" e o Miguel relembra as discuss�es (e a falta delas) sobre a Moral Sexual, 11 anos depois do pol�mico documento do MCE.



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