30.4.06
Lojas
Uma tarde nas minhas lojas preferidas:

1º aquelas que são muito velhas e têm soluções para tudo o que se estraga;
2º sapateiro;
3º loja de ferragens.

primeiro
Uma loja de couros e tintas para couros, anilhas, fivelas, fechos, tudo.
Os sapatos eram brancos e tinham uma fivela estragada. Pedi uma que fosse parecida, dourada.
- Sabe, é para o teatro, não precisa de ficar impecável.
- Aqui está a fivela, mas a nossa máquina não coloca fivelas destas. Vá ao sapateiro por cima da farmácia Nazaré, são os mais rápidos.

segundo
Segui pelas escadas muito velhas, daquelas que nos desequilibram... e a loja maravilhou-me, um expositor de sapatos já arranjados, com as etiquetas dos seus proprietários. Outro expositor com todos os tipos de saltos. E eu que não gosto de saltos achei aquilo muito bonito, só saltos, sem sapatos. E depois as tintas, os antiderrapantes, a simpatia da senhora ao balcão. A alegria não era de surpresa, já vi muitas vezes, mas gosto sempre.
- Quer para quando?
- Para quando for possível. Se fosse para esta tarde, melhor.
- Para hoje?? Hum... vou ver.
E voltou e disse que fosse dar as minhas voltas, em dez minutos estaria pronto.

último
- Boa tarde, tem fitas adesivas coloridas?
- Não, menina, não temos.
- É que, às vezes, existem com cores...
- Quer dizer, não temos "é como quem diz" temos aqui estas duas.
- Tem azul? É essa mesmo, levo.

Os sapatos eram brancos mas eu queria-os azuis sem os pintar.

Em todas as lojas entrei pensado, "como sobrevivem estas lojas?"... "as pessoas são mesmo burras de não virem aqui". Em nenhuma das lojas paguei. Não sei se por ser demasiado simples, se por saberem que tinham ali cliente!
Quando for grande quero uma loja destas, apetece sempre comprar tudo... e fico desolada de não conseguir inventar sempre como usar...

26.4.06
Canto Moço
Somos filhos da madrugada
Pelas praias do mar nos vamos
À procura de quem nos traga
Verde oliva de flôr no ramo
Navegamos de vaga em vaga
Não soubemos de dor nem mágoa
Pelas praias do mar nos vamos
À procura da manhã clara

Lá do cimo duma montanha
Acendemos uma fogueira
Para não se apagar a chama
Que dá vida na noita inteira
Mensageira pomba chamada
Companheira da madrugada
Quando a noite vier que venha
Lá do cimo duma montanha


Onde o vento cortou amarras
Largaremos pela noite fora
Onde há sempre uma boa estrela
Noite e dia ao romper da aurora
Vira a proa minha galera
Que a vitória já não espera
Fresca brisa, moira encantada
Vira a proa da minha barca

(Zeca Afonso)

Há alguns anos o meu pai escreveu sobre este texto do seu amigo, o escritor. Fascinou-me o texto que os dois foram compondo e aprendi um pouco do tal 25 de abril de 1974. Fascina-me até te-lo conhecido mesmo (o autor qual deus) embora realmente nunca o tenha feito: numa conversa ou algo maior. O texto entusiasma-me sempre pela novidade constante e por parecer que se pode sempre escrever utopias (e acreditar nelas) por cima dele.

Hoje, por cá, resolvemos visitar um restaurante portugues e lá cantámos o Zeca a voz alta, comemorámos no meio da Alemanha (haverá melhor espaco para o fazer!?). Voltámos para casa de bicicleta e livres, sentindo a sardinha e a super bock de forma oposta à palavra "estrangeiro". Há certas coisas que se sentem mais forte fora que dentro, engracado, nao é?

Dizem-me de Portugal: 25 de Abril sempre e que nunca seja necessário haver um de novo!

SEMPRE!
uma_imagem_gira

porque é preciso fazer este "SEMPRE!"

diálogo
- Tenho saudades de minha casa, lá na Itália.
- Também eu gostava de ter um lugarzinho meu, onde pudesse chegar e me aconchegar.
- Não tem, Ana?
- Não tenho? Não temos, todas nós, as mulheres.
- Como não?
- Vocês, homens, vêm para casa. Nós somos a casa.

(extracto de um diálogo entre o italiano e Deusqueira)

Encontrei este diálogo há muito tempo atrás e dedico-o a todas as mulheres que por toda história fizeram das casas lugares onde nos sentimos bem. (desta vez, só às mulheres)

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22.4.06
a força de trabalhar a aventura
Apetece-me escrever sobre ele.
Sobre o tempo todo que levou a ver-nos crescer. A primeira frase que me lembro de nos dizer bem alto, e eu do alto dos meus 11 anos (a mais nova dos mais novos) ouvi: “máxima liberdade, máxima responsabilidade”. Naqueles dias, ali sozinhos, na serra da estrela éramos livres. E ele deixava-nos sozinhos mostrando a sua confiança (certamente sentia medo, mas escolhia confiar e nós sabíamos).
E depois muitas horas, muitas horas no enjoo daqueles cigarros muito seguidos, mas na alegria de sermos amigos, de ele nunca nos levar a lado nenhum, ia connosco.
E muitas discussões, muitos projectos, muito para fazer, muito a querer.
E as gargalhadas? Ele tem a gargalhada mais feliz deste mundo. Tosse a seguir porque o pulmão não perdoa, e ri mais um pouco.
Absoluta coerência. Absoluta exigência também. “eu quero ver se quando fores médica também vais ser assim!!!!”. Estava furioso! E mostrava-me sem dó. Fazendo-nos lembrar de quem somos e no que acreditamos. Acreditamos? Defendemos? Temos de o testemunhar sem desculpas, sem distracções, com infinita paixão.
Ontem a mãe dele, mãe de único filho, morreu. E, sendo ele como é sempre, falou do seu pai que lhe deixou o testemunho de ser uma figura pública, sobre a qual todos têm opinião (boa ou má, acrescentou). Da mãe recebeu o testemunho da “paciência da esperança”. E esta frase é toda ele. Guardei-a mais uma vez. Agradeceu mais dois dons que recebeu daquela mulher que o embalou vida fora dizendo-lhe “estás à vontade filho, mais vale ser um bom homem que um mau padre” e calou. Como sempre breve. Seguro. Coerente. Amigo.
Digam o que disserem há poucas coisas mais arrepiantes que uma igreja toda a cantar por alguém que parte, por alguém que fica.


"... A vida significa tudo o que sempre foi.
O fio não está cortado.
Porque estarei fora do vosso pensamento,
Simplesmente porque não me vedes?
Não estou longe,
Só estou do outro lado do caminho."


Charles PÉGUY

(parte de um texto lido, todo o texto vale a pena)

19.4.06
não desfolhes em vão este malmequer que bem-te-quer
Talvez pelas vezes que oiço “eu não quero filmes que me deixem triste”.
As mais variadas pessoas.
Neste tempo penso que devo saber das coisas, chateia-me o cor-de-rosa que as pessoas têm a mania de pôr das coisas, como se fosse tudo bonito. Perco a paciência. As coisas bonitas são para ver, apreciar… ouvir falar delas enjoa, estraga.
Mas também me chateia a alienação de quem prefere a diversão, “entretém-te filho, entretém-te!” e então os filmes são de acção, os concertos são para curtir bem bebidos, os problemas sérios são os nossos.
Há também quem se descanse arranjando explicações para o que acontece de mal culpando qualquer coisa que não a si. Refilam muito estes. Tornam-se azedos.
Outros suspiram tristes mas afastam tais ideias, “uma pessoa não anda aqui para sofrer, não é?”.
Pode-se também rir de tudo, brincar com tudo…
Pronto. Eu prefiro saber. Se um filme como “o pesadelo de Darwin” me mudar, muito bem; se duas aulas sobre maus-tratos em crianças me dilacerarem por dentro mas me fizerem estar muito mais atenta, se saber de vidas corajosas me traz esperança, se a verdade me tornar mais lutadora algo se terá ganho. Não perco o gosto pelas coisas boas, antes pelo contrário! Só não quero viver numa alcofa apalermadamente feliz.

Ps- título: josé mário branco, FMI, pois.

temas curiosos
Para quem acha que a engenharia só trata de temas esquisitos e chatos, apresento o nome do projecto em que estou a trabalhar actualmente:

Transparent Ring Interconnection Using Multiwavelength PHotonic Switches (TRIUMPH)

Em Português fica qualquer coisa como:

Interconexão Transparente de Anéis Usando Comutadores Fotónicos Multi-Comprimento de Onda

Digam lá que não dá quase um verso!?

18.4.06
Treinar a atenção II














Sem autorização coloco aqui esta foto.
Atrevo-me a dizer que se engana quem pensa que qualquer pessoa daria conta do que ali estava. Coisas bonitas como esta, oportunidades únicas, passam despercebidas a quem tem a mania de ter pressa.

14.4.06
Uma caixa preta
Entrar num paralelepípedo todo preto. Uma porta pequena a meio. O espaço quase todo para nós, um de cada vez, dois focos apontados a uma cadeira. Castanha. Velha. Que range. Vazio. 10 pares de olhos à espera. Dois pares correspondem às duas única bocas que falarão. Não os conheço quase.
A proposta: esvaziar completamente a cabeça, leva-la a zero, responder a todas as proposta que nos fizerem. E o espaço é todo nosso e o tempo nunca foi, até ali, menor que 40 minutos.
Mas a cabeça entra sempre… e tudo o que lá tem dentro. Mas aquelas duas bocas tratam de a esvaziar, de nos desatinar, de nos provocar à exaustão, ao desespero… ao grito ou à dança e música mais desvairada. Trinta por uma linha.
Sejam honestos. Dizem vezes sem conta. Sem caretas! Sem teatro! Sem plano! Sem rede! Sem tempo para pensar… é Agora!!! Faz! Não penses, não penses! Não expliques, faz! Honesto!
E a cabeça esvazia mesmo e já só respondemos ao corpo e toda e qualquer ideia que nos surja na cabeça, antes de se formar, já está em acção. E já não sentimos o medo do ridículo, já não sentimos as dores musculares de todos estes dias. Todas as propostas têm de ter resposta.
O palhaço tem de despir tudo para poder estar apenas com o público. Sem tanta inteligência ou artimanhas, responder ao corpo e ao público.
No final, ao passar novamente na pequena porta, o formador gritou-me muito contente: “és uma mulher de explosões Inês!!”… e senti-me séria, por instantes depois do riso, o meu trabalho de anos ali desmoronou. Voltei a sentir-me bem, só não sei como descobriram por onde me pegar... talvez nos tenhamos surpreendido todos. Voltei, sem vontade a comentários e ninguém os fez nessa altura. Delicioso alívio apenas.

13.4.06
Treinar a atenção














Olhando com atenção, nota-se que os pretos são as sombras e os brancos é que são os camelos verdadeiros.
A foto foi tirada de cima...
(clicar em cima da imagem para a ver maior)

11.4.06
Crossroads ou do inesperado
Continuo o regresso à escrita com algumas reflexões a partir do Band of Brothers. Desta vez estamos no episódio 5, "Crossroads". A "Easy Company" está nos Países Baixos e o tenente Winters acaba de ser promovido a Capitão. O episódio é o flashback do próprio Winters a escrever as suas duas páginas de relatório sobre um contra-ataque feito pela Easy.

A história começa numa noite em que uma patrulha americana foi ferida por granadas alemãs. Winters sai com a companhia, reconhecem e eliminam uma metralhadora pesada inimiga. Retiram para uns campos mais afastados onde passam a noite de vigia ao relento. No dia seguinte percebem que estão no meio de vários diques por onde os alemães poderiam rodeá-los e atacá-los facilmente. Winters decide atacar de novo o local da metralhadora, sem saber exactamente o que irá encontrar. Lança uma granada de fumo e começa a correr deixando ordens à companhia para o seguir assim que haja fumo. Só que o fumo demora e Winters vai sozinho 50 metros à frente da companhia. Quando chega ao local descobre uma companhia inteira de SS ainda a dormir. Apanhados desprevenidos os alemães são um alvo fácil para os homens da Easy que entretanto chegam. A operação é um sucesso completo com apenas uma baixa contra o desmantelamento de uma companhia inteira.



À parte o lado bélico da história, o que mais marca neste episódio é a capacidade de Winters de lidar com o inesperado. Quando percebe que estão encurralados decide atacar, sem saber o que encontraria. Poderia ter retirado. Acaba por correr sozinho em direcção ao desconhecido, à frente do fumo vermelho. O episódio começa precisamente com a corrida de Winters e com o encontro com um jovem SS sonolento.
Correr para o abismo do desconhecido e encontrar o inesperado. Guardo na memória aqueles dois minutos de corrida que abrem o episódio. Aqueles dois longos minutos.


9.4.06
Por isso...
Há uns tempos apareceu uma senhora no hospital que estava constipada e o problema dela era o medo de pegar a gripe às suas queridas galinhas.

Eu pensei, quando nos contaram esta história, "por isso é que o mundo não se vira".
Cresci a ouvir esta frase, muitas vezes, a propósito de muitas coisas, do que eu gostava, do que os outros faziam... sempre pela mesma voz, sempre com entoação semelhante. Agora sou eu que a digo. Penso nela. Acho que é uma boa forma de ir sentido cá dentro o respeito e a "graça" de quem é diferente.

6.4.06
ecos das IX Jornadas de Universitários Católicos
A Igreja face à mudança
(Frei Bento Domingues, OP)

«1.Decorrem, em Leiria, as Jornadas de Universitários Católicos (17-19 de Março) com o tema Redescobrir a cidadania - contributos para a mudança. No seio dessa vasta problemática, coube-me participar num debate mais circunscrito, precisamente, sobre A Igreja face à mudança: desafios para o dia de hoje.
Sei que há pessoas para quem não vale a pena gastar tempo com desafios perdidos à partida: a Igreja é, por natureza, conservadora, imobilista. Dizem que está blindada com dogmas, doutrinas, estruturas e costumes contra a mudança. Está sempre a repetir que tem de guardar o "depósito da fé", de manter a tradição e os rituais que a transmitem. Dá a imagem de uma indústria de conservas.
Não faltam exemplos. Na Igreja católica romana, a ordenação de homens casados está proibida. Alguns até sabem que é uma decisão disciplinar sem qualquer base bíblica ou dogmática: os apóstolos eram casados, nas Igrejas de rito oriental, ligadas a Roma, há padres casados, a disciplina do celibato é tardia e pode ser alterada. O celibato opcional é um belo carisma que se dá mal com o regime de imposição. Mas os anos passam e esta reivindicação, de tão repetida e sem sucesso, acaba por adormecer cansada.
A ordenação de mulheres, celibatárias ou casadas, continua um assunto mal arrumado. Também não é por razões de tipo dogmático que se recusa esta hipótese. É, no entanto, uma posição "irreformável", categoria teológica da preferência do cardeal Ratzinger...
Diz-se que as mulheres não estavam na Última Ceia. É mais fácil encontrar argumentos em favor da sua participação do que da sua ausência. Não se tratava, afinal, de uma ceia pascal, isto é, de uma ceia de tipo familiar? O destaque dado, nas narrativas evangélicas, aos Doze Apóstolos obedece a outra lógica. Aliás, se esse argumento fosse tomado a sério, as mulheres também não poderiam ir à missa! Creio, por isso, que o cardeal Ratzinger fez bem em retirar do campo dogmático a impossibilidade da ordenação das mulheres para ficar, apenas, numa posição "irreformável". No estado actual das mentalidades eclesiásticas, não se vê bem como poderia dizer outra coisa.
Fala-se da democratização da Igreja. O prof. Ratzinger, enquanto jovem teólogo, não era nada alérgico à ideia. Depois, esqueceu-se. Não deve haver muita gente que gostasse de ver a Igreja transformada no que são hoje as democracias. Elas também precisam de uma profunda mudança para serem democráticas. A Igreja está mal quando é menos do que uma democracia. Tem de ser muito mais. Pertence-lhe, por natureza, ser um sinal e um instrumento de fraternidade no mundo.
Nos anos 60, o Vaticano II convidou a Igreja a repensar todas as questões relacionadas com a sexualidade e contracepção. A Humanae Vitae de Paulo VI, árvore de maus frutos, tinha carácter provisório. Passou a doutrina intocável, sabendo-se que o não é. Resultado: a Igreja institucional ficou sem grande autoridade para se pronunciar sobre estes temas. As controversas posições no campo da bioética precisam de mais investigação.

2. Por estas e outras razões, há católicos que desejam um novo concílio ecuménico. O Vaticano II (1962-65), através dos movimentos - bíblico, litúrgico, teológico, pastoral, operário, ecuménico, missionário, social, de renovação da arte sacra, etc. -, foi preparado, no meio de muitas condenações e sofrimentos, e acabou por ser convocado pelo gesto profético de João XXIII. Constituiu urna mudança cultural, teológica e pastoral fantástica. Nenhuma instituição religiosa ou política foi tão longe sem se destruir.
Lembremos que começou a descentrar a Igreja para Jesus de Nazaré - na sua prática, mensagem e presença, testemunhadas no Novo Testamento -, para as outras Igrejas cristãs (diálogo ecuménico ), para as religiões não cristãs (diálogo inter-religioso) e para o mundo contemporâneo a compreender e a evangelizar em diálogo.
Mas o Vaticano II era, apenas, um programa. A sua realização foi, como não podia deixar de ser, muito controversa. Entretanto, o mundo não parou à espera da Igreja. Os termos da relação com as outras Igrejas cristãs, religiões e mundo contemporâneo já não são os mesmos de há 40 anos.
Como sintetizou Atiselmo Borges: "O novo paradigma é pós-industrial, pois caminhamos cada vez mais para uma sociedade do conhecimento, da informação, da comunicação e da prestação de serviços. Isto implica, por exemplo, um novo conceito de trabalho. Também se torna claro que o trabalho será cada vez mais um bem escasso, que precisa de ser partilhado, com todas as consequências. Torna-se igualmente urgente apostar na cultura, no quadro de um diálogo verdadeiramente multicultural. Não basta incidir na tecnologia, esquecendo a formação cultural, artística, também para que as pessoas possam viver em realização humana autêntica, plena. O novo paradigma é inevitavelmente pós- patriarcal. A emancipação feminina é uma das maiores revoluções da segunda metade do século XX, cujas consequências, na família, na compreensão da sexualidade, na relação entre os sexos, na sociedade em geral, incluindo a economia, estão ainda em curso." (1)

3. Importa, por estas e outras razões, começar já a preparar um novo concílio ecuménico. E não há que ter medo das mudanças (2). A autêntica tradição da Igreja é uma tradição de inovação. Os textos do Novo Testamento não podem ser mais claros: "Ninguém faz remendo de pano novo em roupa velha; porque a peça nova repuxa o vestido velho e o rasgão aumenta. Ninguém põe vinho novo em odres velhos; caso contrário, o vinho estoura os odres e tanto o vinho como os odres ficam inutilizados. Mas vinho novo em odres novos!" (Mc 2, 21-22).
Jesus surge em luta contra todas as instituições religiosas, sociais, económicas e políticas que oprimem o ser humano: "O sábado é para o homem e não o homem para o sábado." Não aceita nada como fatal. Nem a morte. Difundiu um espírito que "faz novas todas as coisas" (Ap 21, 5).
Mas não há, aqui, o elogio da mudança pela mudança: "Para melhor, está bem, está bem / para pior já basta assim"...
»

egoisticamente
«Uma revista como a Egoísta começa por se ver antes de se ler. Só depois se percebe que ver é começar a ler e que ler é continuar a ver. "Plaisir de yeux", como diziam em Marrocos aqueles que nos pretendiam atrair para as suas lojas.»
(Eduardo Prado Coelho, "Público" de hoje)

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3.4.06
O pesadelo de Darwin
Não tenho palavras para este filme.
Saí da sala sem saber se chorar ou se vomitar.
Cá fora recebeu-me uma noite estupidamente quente e enfureci-me desta alcofa onde vivo, parecia aquelas mães idiotas a consolar os meninos mimados e a inventar desculpas para aquilo que ele viu e o pode afectar… tive vontade de lhe gritar! E eu que achava que sabia alguma coisa do mundo… um murro no estômago! Enjoada. Enojada. Digo baixinho e com raiva: "mudará isto quem serás, inês?"

fim-de-semana
Disseram-nos que teríamos 3 dias a caminhar.
A mochila devia ser pequena e iria sempre connosco.
O destino não nos seria revelado. Apenas o início.
Dois a dois preparámos momentos de paragem… e eu consegui partilhar a Rita, o Fernão Capelo Gaivota e a Sophia com aqueles de quem muito pouco sabia mas com quem irei para África.
Decidi deixar o telemóvel em casa (e não uso relógio). Segui pelo Gerês por subidas e descidas (muito alto e muito baixo, visto daqui para ali e de lá para cá), por correntes de água, por correntes de frio e por muitas horas em que sabíamos apenas ter de andar… conversar… pensar. Senti-me sempre contente por nunca saber para onde íamos.
A mochila não pesou demasiado. Os pés, o corpo e o sono acusam o cansaço. O final revelou-se em fabulosas quedas de água. Tudo está bem e questiono apenas porque, de há uns anos para cá, quem me conhece me descreve sempre da mesma forma.



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