30.8.06
Férias III - da inocência
Non si può nascere ma
si può restare
innocenti.
(Cristina Campo)

O irmão Roger era um inocente. Não no sentido de não ter tido falhas. O inocente é alguém para quem as coisas têm uma evidência e uma instantaneidade que não têm para os outros. Para o inocente, a verdade é evidente; não depende de argumentações. Ele como que a «vê» e tem dificuldade em aperceber-se de que outras pessoas têm um acesso mais laborioso a ela. O que diz parece-lhe simples e claro e admira-se que haja pessoas para quem não seja assim. Compreendemos facilmente que frequentemente se encontra desarmado ou se sente vulnerável. Porém, em geral a sua inocência não tem nada de ingénuo. Para ele, o real não tem a mesma opacidade que para os outros. Ele «vê através».

(irmão François, de Taizé)

29.8.06
Férias II - "Levada do Castelejo"
Amo os que atravessam os campos
desamparados
mais do que se pode

Amo as suas verdades:
algum ânimo, vitórias inúteis
um sentido impróprio para a inocência
nada ou quase nada diferente
do perigo

ninguém soube ao certo donde vinham
para encontrar uma vida
ou coisa mais pura ainda

entregues como este verão já no fim
às folhas secas
que voam

(José Tolentino Mendonça)

28.8.06
Férias I - "Moradas Provisórias"
Passava aí as férias
debruçado sobre o mar
pensava se haveria no mundo
caminhos que nos conduzam

nao chegava a conclusão
ou nem dava por ela
hesitante nessas moradas
de regra tão imprecisas

existe um momento
pouco importa qual
em que se reúnem ao acaso
diante de nós
todas as condições de uma vida
desesperada

(José Tolentino Mendonça)

gente às voltas
Regressado de férias, volto ao trabalho. E encontro as histórias de gente com os mesmos tiques de há umas semanas. Encontro alguém no messenger que me conta uma história mirabolante de como a sua vida mudou de um momento para o outro. Actualizo a lista dos aniverários no meio das arrumações pós-férias e lembro gente e gente e a muitas voltas que deram. Uns já viveram muito, outros ainda mal conhecem o mundo. De alguns nem sei -- mea culpa -- para onde se voltam agora. Alguns nomes já me são quase estranhos, mas não consigo deixar de os registar naquela lista de aniversários. Provavelmente não lhes darei os parabéns (que antipatia a minha), mas guardo registo de qualquer forma. Dêem as voltas que derem, volto sempre a encontrá-los por aqui... e pode ser que voltemos a falar para contarmos histórias mirabolantes.

24.8.06
temos pena
Este blog esteve tremendamente chato durante as férias...

3.8.06
Maniqueísmos em guerra
Vicente Jorge Silva disse o que precisava de ser dito sobre os maniqueísmos em que caem os nossos intelectuais (e não só eles...) a discutir a guerra entre Israel e o Hezbollah.



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