24.9.07
Que queres ser quando fores grande?

A pergunta quase que nasce connosco, e os passos que vamos dando são seguidos com muita atenção. Formamos um carácter, tomamos decisões, construímos gostos.
Fazemos de tudo para escolher bem a formação que precisamos para chegar à nossa profissão ideal. Depois acabam os estudos e começamos a busca de emprego.
Percebemos, alguns de nós, que afinal não era assim tão fácil, ou então que a profissão que pensávamos perfeita não era tão assim. Às vezes até chegamos à conclusão de que para chegar a ela vamos ter de passar por tantas outras para continuar a nossa formação rumo à satisfação profissional.
Mas não está a satisfação profissional fácil de atingir?
Já é a segunda vez que estou no desemprego à procura de trabalho. Muitas ideias fervilham na cabeça, tento definir aquilo que quero aqui e agora. Cada dia fico mais ansiosa de ainda não ter enviado todos os currículos que queria. Será que vou saber escolher de pois de tanto pensar no que queria?
Tenho a sensação que o melhor é estudar o que se gosta e olhar cada trabalho como uma contribuição para a nossa felicidade mas também para a felicidade global. Nunca se acomodar a um emprego de que não gostamos e continuar a procurar um que nos satisfaça cada vez mais.
Percebemos que o “ser quando fores grande” pode-se resumir a alguns valores e objectivos mas raramente numa profissão definida.


21.9.07
maldita mão esquerda
Com algum esforço ele lá conseguiu, acanhadamente, dizer João e um perceptível tchau! O sorriso abriu-se em todos os que o rodeavam e a satisfação contagiou-se. Encontrar a tua língua desenferrujada foi extraordinário! Não foi preciso a oralidade para nos entendermos, pois a tua tabela das letras também transmite a tua perspicácia, as ironias e os sarcasmos! Depois da tua visita, enquanto regressava a casa lembrei-me de uma estoria do Lewis Carroll. O tal que escreveu a Alice no País das Maravilhas.
Num outro livro, A Alice do outro lado do Espelho, existe um dialogo entre a Alice e o Humpty Dumpty mais ou menos assim…

Humpty Dumpty: - O que contam são as palavras.
Alice: - Como assim?
Humpty Dumpty: - Quem manda nas palavras é quem manda!

Pois bem! O Zé ja manda nas palavras… agora só falta mandar naquela maldita mão esquerda para poder coçar as ideias que lhe correm na cabeça.

18.9.07
IMAGO
O Fundão vai receber mais uma vez o Festival de Cinema e Video Jovem do Fundão de 29 de Setembro a 8 de Outubro na Moagem - Cidade do Engenho e das Artes.
"A cidade do Fundão é anualmente o palco privilegiado para um evento assente num conceito único e original entre os certames que, em Portugal, se dedicam à promoção do cinema em formato curto. "

Não pretendo aqui fazer publicidade nem ao Festival nem ao Fundão, pois eles não precisam.
Mas revelar alguns segredos do Cartaz...
Pois bem! Foi com surpresa que vi o novo cartaz do Imago, pois o rapaz do cartaz é um grande amigo meu (Rui) que tem uma deficiêcia de atraso mental educável. É uma figura "sui generis" no panorama fundanesse. Trabalha no Jornal do Fundão onde escreve pequenas noticias desportivas.
Aqui ficam algumas histórias muito engraçadas...


Certo dia assistia a um jogo de futsal e o Rui chegou... e eu perguntei-lhe:
- Então Rui estás cá hoje?
Ele respondeu:
- Não vim a pé!

Com os meus 15/16 anos organizei alguns torneios de futsal numa aldeia perto do Fundão (Aldeia de Joanes), onde em alguns casos consegui ter mais de dez equipas de diferentes localidades do concelho. No entanto era apenas um torneio de "putos". O Rui falou comigo, pois queria fazer uma pequena noticia no Jornal do Fundão sobre os resultados do torneio. Apesar de achar impossível, acedi. O jornal saiu e na pagina de desporto lá estava, com direito a letras gordas, o torneio da Aldeia de Joanes dos miúdos de 15 anos. No entanto para espanto da feroz comunidade desportiva do Fundão os resultados do campeonato nacional da 1º divisão, talvez pela primeira vez na historia, não tinham sido publicados!

Foi com um sorriso que encontrei o cartaz!!
Um grande abraço Rui.

11.9.07
Praias de verão

Já há alguns anos que a praia de Tróia onde costumo ir alguns verões com os meus pais se transformou de uma praia com um mar lindo, brilhante no contraste com a serra da Arrábida vista da toalha, quando nos estendíamos ao sol, numa praia de guarda-sóis espetados na areia, a marcar o lugar daqueles que passam lá o verão, ou mesmo daqueles que só lá vão nos fins-de-semana.

Deve ter começado com alguém mais comodista e preguiçoso que tentou experimentar se alguma coisa lhe iria acontecer ao guarda-sol se o deixasse de um dia para o outro na praia. O pior é que criou moda de uma forma inacreditável, tenho mesmo dúvidas de se for à praia no inverno não vou lá encontrar algum guarda-sol espetado na areia, ferrugento que não deixe viver a vista e a magia da praia, nem saborear o luar…

O que acho mais esquisito é que as pessoas que participam nesta moda não devem gostar muito de praia, porque gostam de estar ali a olhar para o mar entre os guarda-sóis como se estivesse uma multidão na praia.


10.9.07
ética para artistas e não só 2
«Bergman tinha prazer com todo o processo e não se preocupava muito com as reacções aos seus filmes. Agradava-lhe quando era apreciado mas, segundo me disse uma vez, "quando não gostam de um filme que eu faço, fico incomodado durante cerca de 30 segundos".»
(Woody Allen sobre o desaparecimento de Ingmar Bergman)

ética para artistas e não só 1
Ainda o texto de Woody Allen:
«Mas há uma coisa que eu consegui absorver dele, uma coisa que não depende do génio nem sequer do talento e que pode de facto ser aprendida e desenvolvida. Estou a falar daquilo a que muitas vezes se chama "ética do trabalho" mas que não passa, na realidade, de mera disciplina. Aprendi com o seu exemplo a dar sempre o meu melhor em cada momento, sem nunca me deixar impressionar pela fútil visão do mundo como uma série de êxitos e fracassos, sem sucumbir à tentação de representar o papel glamoroso do realizador mas habituando-me, em vez disso, a fazer um filme e a passar ao seguinte.»

entrar no mundo interior duma personagem
uma_imagem_gira

Ainda não percebi bem o que faz um bom filme para mim, mas acho que tem alguma coisa a ver com o que dizia Woody Allen, ainda falando de Ingmar Bergman, sobre a forma genial como ele nos levava a conhecer o mundo interior das suas personagens, com a sua história, os seus dramas, dúvidas e inquietações:

«Na escola de cinema (fui rapidamente expulso da Universidade de Nova Iorque quando estava a estudar cinema nos anos 50), a ênfase era sempre no movimento. Os professores estavam sempre a dizer aos estudantes que o cinema era imagem em movimento e que a câmara tinha de estar em movimento e tinham razão. Mas Bergman fixava a câmara na cara de Liv Ullman ou na de Bibi Andersson e deixava-a aí sem a mover e o tempo passava e passava e uma coisa estranha e maravilhosa e única acontecia. O espectador sentia-se atraído para dentro do personagem e isso não era aborrecido mas emocionante.»

a arte e o catolicismo dos intelectuais
A "Ípsilon" publicou no fim-de-semana um texto de Woody Allen a propósito da morte de Ingmar Bergman que vale a pena visitar:

«Já o disse muitas vezes a pessoas que têm uma visão romântica dos artistas e que vêem a criação como algo sagrado: no fim, a arte não nos salva. Por muito sublimes que sejam os trabalhos que produzimos (e Bergman deu-nos uma extraordinária colecção de obras-primas), eles não nos protegem da pancada fatal na porta que interrompeu o cavaleiro e os seus amigos no final de "O Sétimo Selo". E assim, naquele dia de Julho, Bergman, o grande poeta cinemático da mortalidade, não pôde adiar o seu inevitável xeque-mate e o melhor realizador da minha vida desapareceu.»

De seguida Woody Allen conta que costuma "fazer piadas acerca de a arte ser o catolicismo dos intelectuais" -- a obra feita como tentativa de imortalidade. Admito que é natural, mas faz-me impressão quando na morte de alguém as pessoas se põem a lembrar os feitos do desaparecido. Ou quando se diz que o artista morreu mas a obra subsiste. Se eu fosse artista estava-me a marimbar que a obra subsistisse. Ou como diz Allen de seguida "há uma coisa ainda melhor que viver no coração e na mente do público, que é viver no nosso apartamento". A arte não resolve o enigma último que é a morte. Na verdade também não creio que o catolicismo o resolva. Supera-o, mas o enigma subsiste.

lá de cima
uma_imagem_gira
(Cântaro Magro, Serra da Estrela)

Não se chega lá acima facilmente. É preciso saltar muitas pedras. Descer para depois subir novamente por um trilhos estreitos e sinuosos. Equilibrar-se no alto duma ravina. Transpirar bastante. Mas quando lá chegamos parece que o horizonte estica.

maravilhas de São Francisco 3
"Hi guys!". Foi assim que fomos recebidos onde quer que fossemos em São Francisco. Desde o eléctrico até aos restaurantes, nos sítios caros e nos baratos, nas atracções turísticas e nas ruas suspeitas. Desde os empregados de restaurante aos mendigos nas ruas, todos se tratam assim, como que metendo conversa, como que dizendo "olá pessoal!", como se todos nos tratássemos por tu. Aliás, não deve ser por acaso que e Inglês 'you' serve tanto para 'tu' como para 'vós'. A segunda pessoa é sempre a mesma, tanto no singular como no plural. E não há cá salamaleques para tratar ninguém por 'você' (ou 'vocemessê', se quisermos ser precisos ou antiquados).
Não sei bem se é racional, mas convenci-me que esta informalidade, este à vontade com todos, deve ter sido muito útil aos americanos. A timidez nunca fez bem a ninguém, nem às pessoas nem aos povos. Cá dos nossos lados, estamos ainda demasiado habituados ao 'respeitinho' que nem é muito lindo nem nunca foi bom companheiro. A descontracção funciona melhor e se é para meter conversa, ao menos que seja descarado: "Hi guys!".

4.9.07
maravilhas de São Francisco II
as ruas aos altos e baixos



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