1.6.04
Aprender a desaprender
Aprendei antes mais:
- Que n�o h� nada a aprender. N�o vos atarefeis, portanto, em tirar notas, em consultar bibliografia, em acumular saber. Quanto menos souberdes, mais sabereis. Quanto mais souberdes, menos sabereis.
- Que h� duas esp�cies de regras: as que limitam e atrofiam e as que indicam as condi��es necess�rias para fazer boa viagem (como, por exemplo, n�o carregar demais o saco, n�o partir antes do tempo, consultar o c�u para saber que tempo far�, escolher com cuidado os companheiros de percurso). Rejeitai as primeiras, mesmo que vos sejam apresentadas como absolutas. Segui as segundas, mesmo que vos digam que s�o relativas.

Aprendei que nenhuma regra produz a verdade, que o horizonte permanece sempre horizonte (mesmo que mude de cor ao longo do caminho), que n�o � bom para o homem estar s�.

Aprendei a respirar, a comer, a dormir, a falar e a calar-vos. Aprendei a ler. Aprendei a servir-vos bem dos vossos olhos, dos vossos ouvidos e das vossas m�os. Aprendei a aguentar-vos de p�. Aprendei o que � a alma � sem risos nem tro�as ignorantes!

Aprendei, pois a desaprender: � isso, sem d�vida, o mais dif�cil.

N�o tenhais pressa, tomai todo o tempo de que precisardes: de nada vos serve correr. Mas avan�ai sem demora: o tempo � curto e a urg�ncia urge.

E se n�o chegardes ao fim, n�o vos desencorajeis: �s vezes chega-se ao cimo atrav�s de atalhos, atinge-se a meta quando se pensa que se est� ainda nos primeiros passos.

De resto, o que fizerdes de melhor, f�-lo-eis, talvez, com o pior de v�s mesmos.


Maurice BELLET, Le lieu du combat, Descl�e, Paris, 1976


Gosto de recordar este texto. tenho-o lido em v�rias alturas desde o ano em que um amigo mais velho nos provocou com ele. Engra�ado como ganha sentido nas diferentes fases da minha vida. Amanh� tenho a primeira frequ�ncia da �poca. Para quem n�o sabe estudo o apelidado "curso dos marr�es" e sou incapaz de decorar.


Luis Gonzalez Palma
The Critical Gaze, 1998



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