22.6.04
C�o como n�
Todos os dias entra pelo quarto de rompante, salta para cima da cama e acorda-me com beijnhos. N�o deu conta que cresceu e que j� ocupa quase tanto espa�o da cama como eu. Teve como qualquer pequeno, e como explica o Dr. Freud, a sua fase oral em que adoptou para brinquedo as pantufas, minhas e da minha irm�. R�i-as assim como r�i com vontade: n�speras, bolas de golfe, embalagens de iogurte e os p�s da mesa da sala. R�i-as de tal maneira que por aqui o inconsciente pode deixar os sonhos descansados.
Porque n�o pode estar sempre em casa fechada como me aconselhou o Afonso dos Maias � mais viajada com 6 meses do que a minha m�e com 6 anos, dito pela pr�pria. Bairro Alto, Porto Covo, Serra de Sintra, as praias da Aguda, Pequena e Grande foram algumas das visitas.
Quando me leva � praia e me sento a descansar, o lugar preferido dela para escavar sem mais poder � debaixo das minhas pernas, escava, escava, escava at� poder ficar de cabe�a para baixo enfiada na areia e rabo para o ar.
A Ginja tem 6 meses, cadelinha filha de pastora alem� e pai inc�gnito. Termos responsabilidade por algu�m faz-nos crescer, desde o dar comida, ao educar para que ela tenha h�bitos, lev�-la ao veterin�rio e limpar os c�c�s � volta da casa � preciso cuidar. Ajuda-nos a fugir a um certo egocentrismo.
Gosto de ver crescer a cadela, sou muito pai babado. Senti-la meiga e esperta, muito independente; ouvir um qualquer elogio ao p�lo preto bonito e aos cuidados que tenho com ela fico por dentro sorridente de bem estar. Tenho gostado imenso desta rela��o, com ela sinto-me acompanhado e ao mesmo tempo com calma para o sil�ncio e o mar. Ser� que � mesmo verdade aquela ideia de os c�es � imagem dos donos? C�o como eu.



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