1.6.04
"E beijava a fonte fria a todo o travo"
Os 3 textos anteriores de Pico della Mirandola, Jos� Afonso e Alberto Caeiro que partilhei convosco eram uma prepara��o deste post:

"tudo o quanto penso, tudo o quanto sou
� grande, � imenso, � tudo o que dou
e ao d�-lo recebo e fico maior
do que sou quando me nego"
(S�o dias que passam, H�lder Ribeiro)

Tinha 18/19 anos e pouco sabia das maneiras diferentes de viver e pensar, estava confinado a um lugar muito bonito com Mar e Serra onde vivia e vivo: Colares, Sintra onde "a cultura � s� paisagem".

Entrei nessa altura, desafiado pela minha irm�, para fazer o CIFA (curso intensivo de forma��o de animadores) na aldeia do Talasnal na serra da Lous� (merece uma visita para quem n�o conhece). Sem saber bem para o que ia. Come�ava assim para mim o Mocamfe.
Cresci imenso com ele. Fez-me pensar, gostar de pensar; ensinou-me a responsabilizar-me pelas coisas, pelos outros, pelos futuros; tornou-me exigente. Deu-me gosto em fazer coisas com/para os outros. Cozinhar, montar tendas, dar banhos, dormir pouco mas "porque os mi�dos est�o � espera de um amanh� grandioso"; ganhei consci�ncia pol�tica.

Continuo com ele porque tenho a certeza que � algo raro, que vale muito a pena, e como agradecimento ao privil�gio que tive que quero que os outros tamb�m o possam ter.

Continuo com ele porque h� partilha de ideias e vontades, porque l� entendo outros ritmos/tempos/espa�os, e porque, nas palavras de Jo�o Keating, h� "(...) espa�o para as pessoas se aperceberem o quanto ficam diferentes quando est�o t�o pr�ximas de outras(...)"

O que � que o Mocamfe tem para dar? "(...) talvez n�o seja muito importante sermos bons actores, bons m�sicos, bons encenadores, bons escritores e poetas, e por a� fora, o que importa � que as pessoas se descubram a si pr�prias ao representar, ao tocar e cantar, ao escrever e recitar (...)"

� s� um movimento de campos de f�rias.
Ou talvez n�o.



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