6.6.04
"eu mesmo escolhi o meu destino"
Querida m�e: De todas as pessoas que conhe�o a m�e � a que vai sentir mais, por isso os meus �ltimos pensamentos s�o para si.
N�o culpe mais ningu�m pela minha morte, eu mesmo escolhi o meu destino.
N�o sei que escrever-lhe porque, apesar de ter ideias claras, n�o encontro palavras certas. Assumi o meu lugar no Ex�rcito de Liberata��o e morro quando a luz da vit�ria j� come�a a brilhar. Vou ser fuzilado daqui a pouco com 23 outros camaradas.
Quando terminar a guerra deve exigir o seu direito a uma pens�o.
Eles entregar-lhe-�o as minhas coisas na pris�o, mas fiquei com o colete do pai, porque n�o quero que o frio me fa�a tremer.
Mais uma vez lhe digo adeus. Coragem!
O seu filho,
Spartaco

(Spartaco Fontanot, metal�rgico, 22 anos, membro do grupo resistente franc�s de Misak Manouchian, Paris 1944)

H� 60 anos morriam nas praias da Normandia muitos outros que escolheram o seu pr�prio destino, marcando t�o indelevelmente o nosso. Resta-nos agradecer-lhes, fazer mem�ria e escutar o Jorge de Sena: "o mesmo mundo que criemos / nos cumpre t�-lo com cuidado, como coisa / que n�o � nossa, que nos � cedida / para a guardarmos respeitosamente / em mem�ria do sangue que nos corre nas veias, / da nossa carne que foi outra, do amor que / outros n�o amaram porque lho roubaram."



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