8.6.04
Falando da vida
As pessoas l� v�o falando da vida, falam da vida na paragem, na rua, falam da vida enquanto comem, enquanto dan�am e enquanto n�o fazem nada.
As pessoas movimentam-se na cidade. O dia todo, mais ou menos felizes, elas movimentam-se e falam da vida. �� assim a vida�, �� sorte!�, �C� andamos�.
E algumas s�o gargalhadas de frescura nestes dias quentes, cantam e desarmam o pior dos humores. Um piscar de olho c�mplice onde a cumplicidade � apenas um instante.
Outras. Falam. Falam tanto. Descrevem todo o seu dia, todo o seu tempo, tudo com fastio, tudo com um massacre dengoso dos dias que passam e n�o perdoam. Parecem querer convencer o mundo de que a sua vida � a mais sofridamente criada.
H� as que falam das rugas, sim que a vida traz as rugas. Linhas que se tra�am. Falam do fugir da velhice, dos filhos que desnaturadamente seguem o seu caminho.
Outras h� que se proclamam vencedoras, por elas tudo � conquistado e vencido. Sente-se a tristeza de quem conquista coisas que n�o quer de facto.
H� quem se deixe dormir. Na moleza do dia para qu� conversar?

Eu hoje estou bem disposta e nada o faria prever! Deixo-vos esta letra em homenagem a toda a gente que refila mesmo sem raz�o!


A galinha d' Angola
Vinicius de Moraes / Toquinho

Coitada, coitadinha
Da galinha-d'Angola
N�o anda ultimamente
Regulando da bola

Ela vende confus�o
E compra briga
Gosta muito de fofoca
E adora intriga
Fala tanto
Que parece que engoliu uma matraca
E vive reclamando
Que est� fraca

Tou fraca! Tou fraca!
Tou fraca! Tou fraca! Tou fraca!

Coitada, coitadinha
Da galinha-d'Angola
N�o anda ultimamente
Regulando da bola

Come tanto
At� ter dor de barriga
Ela � uma bagunceira
De uma figa
Quando choca, cocoroca
Come milho e come caca
E vive reclamando
Que est� fraca

Tou fraca! Tou fraca! Tou fraca!



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