2.6.04
O homem que veio da Terra dos Sonhos
Dele ou se gosta muito ou n�o se gosta nada (fala-se dele com desd�m como se fosse de um tempo passado, um bebedola, algu�m que tocou no metro - porque quem � bom n�o toca no metro).

Eu incluo-me no primeiro grupo: fui conhecendo, olhando as letras, escutando as m�sicas, trocando esse gosto com outros que o admiram, assisti a alguns concertos e tornei-me um publicit�rio convicto da obra deste homem. Enjoa-me quem diz mal da forma dele cantar, escrever, tocar: s� se n�o conhecem bem � que podem dizer coisas destas, sinto-me ofendido!

� daqueles m�sicos que criam empatia entre f�s: conhecer algu�m que gosta de Jorge Palma � � partida aumentar a curiosidade para essa pessoa, "ele gosta de Jorge Palma? tenho que falar com ele, � de certeza uma pessoa interessante, que belo gosto!"

Escreve letras maravilhosas (Can��o de Lisboa, D�-me Lume, Deixa-me Rir, Essa mi�da, Fr�gil, Jeremias: o fora da lei, Minha Senhora da Solid�o, O lado errado da noite, O meu Amor existe, Estrela do mar, Picado pelas abelhas, e tantas mais) e � um excelente m�sico: quem nunca assistiu ao show de piano que se sinta invejoso de mim.

Ele n�o � pessoa de grande marketing � sua volta (pelo menos, no sentido normalmente usado da palavra); cultiva uma faceta de homem da noite, que gosta de uns copos (tentou v�rias vezes a desintoxica��o que s� agora parece estar a ter bons resultados), que j� experimentou drogas, com a imagem de marca ser o ar de concerto de blus�o de cabedal ou t-shirt desarranjada e um sorriso de satisfa��o envergonhada.

As letras dele transmitem experi�ncia de vida, a dele!? S�o letras que t�m tristeza e melancolia, desgostos de amor, interven��o pol�tica e algum lirismo como o mais comum dos mortais; falam de pessoas humanas, que sentem, que sofrem, que choram, que s�o pessoas. Ironiza com a vida, muitas vezes amargurado outras tantas em tom de brinde.
N�o � menino bem comportado, nem populista; mas tem um charme imenso.

Li uma crit�ca no P�blico quando sa�u o �ltimo cd que passo a citar: "Jorge Palma n�o foge das palavras e vai ao cerne do seu assunto preferido: a liberdade enquanto utopia de um humanismo exacerbado, capaz de celebrar a vida ao mesmo tempo que assume a pose do resistente".



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