20.7.04
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
uma refer�ncia de coragem, uma mulher!
um av� admir�vel.
um professor muito grande.
um animal que esteve sempre l�.
uma poeta (era assim que ela se definia).
uma amiga de crescimento a par. 
 
as Mortes acontecem, chegam com mais ou menos aviso. aninham-se em n�s, tornam-se parte dos nossos tecidos, do nosso olhar, da nossa forma de criar gestos e de pensar a Vida.
os Mortos deixam-nos. deixam-nos porque partem. deixam-nos porque �nos deixam� um legado de mem�rias, de surpreendentes revela��es ao longo do nosso tempo que continua assim o deles. j� aqui escrevi que os meus Mortos me acompanham, fazem parte da minha hist�ria e principalmente da hist�ria que vir�, que �n�o pode ser travada�.
n�o tenho medo de pensar neles, ali�s, penso neles todos os dias e sinto-me confortada com isso. falo-lhes, partilho a Vida, as decis�es, os momentos de simples descanso num recanto onde me distraio.
temos pouco tempo para viver o luto aqui. a Vida chama-nos de imediato, os amigos e conhecidos agitam-nos para voltarmos �s actividades de sempre, agitam. todos esperam que superemos rapidamente, lidamos mal com o tempo de ficar triste.
sei que em muitas partes de �frica ainda � diferente. as pessoas juntam-se, passam oito dias juntos, h� o contador de hist�rias, h� sempre a Vida revivida, a Vida recontada, o choro, a dan�a, o ritual da luta entre a Vida e a Morte. aquela oscila��o entre o ir� e o ficar. o rir e o gritar. 
e depois, c� aparecem especialistas a explicar, e dizer que � preciso viver o luto� 
e o luto n�o � s� da Morte, pois n�o? tamb�m se vive o luto das separa��es, do amor que acaba, de esperan�as perdidas.
interessa que o ciclo continue e a n�s cabe-nos integrarmo-nos dele, deixar que aconte�a em n�s. assim a Morte a Vida ganham a dimens�o do natural.


desnudo tumbado
nicol�s de st�el, 1952



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